A GLÓRIA NO APAGAR DAS LUZES!
É por noites como esta que a gente nunca desiste. Quando o relógio já pesava, o coração do torcedor já estava na boca e o fantasma da eliminação batia na porta, um guerreiro improvável apareceu. Aos 40 minutos do segundo tempo, Thiago Mendes, ele mesmo, testou para o fundo do gol e fez São Januário explodir! Vitória por 1 a 0 sobre o Independiente Medellín, com a cara do Vasco, no sofrimento, na luta e na glória. Estamos nas oitavas de final da Copa Sul-Americana!
Não foi fácil. Nunca é para nós. Mas a camisa pesou mais uma vez. Depois de um jogo tenso, de erros e de uma arbitragem que, para variar, tentou complicar, a justiça foi feita na bola. O cruzamento perfeito de Paulo Henrique encontrou a cabeça de quem tinha que ser. O gol da classificação, o gol que lava a alma e que mostra que o Gigante da Colina está mais vivo do que nunca.
UM PRIMEIRO TEMPO DE PURO NERVOSISMO
Quem assistiu ao primeiro tempo sabe do que estou falando. O Vascão tinha a bola, tinha mais volume, mas parecia que a redonda queimava no pé. Aquele nervosismo típico de jogo decisivo tomou conta da equipe, resultando em uma infinidade de passes errados e decisões equivocadas que faziam qualquer torcedor arrancar os cabelos.
A maior parte das nossas tentativas se concentrava pela esquerda, com Lucas Piton e Nuno Moreira tentando criar alguma coisa, mas sem sucesso. Ironicamente, os únicos momentos em que a gente prendeu a respiração de verdade vieram do lado direito, em algumas combinações entre Andrés Gómez e o incansável Paulo Henrique. Era pouco. O Independiente Medellín, muito bem postado, só esperava nossos erros para sair em contra-ataques perigosos. Foi um primeiro tempo para ser esquecido, de pura tensão e pouca bola.
O PÊNALTI QUE O VAR NÃO DEIXOU MARCAR
Na segunda etapa, o cenário mudou um pouco. O Almirante voltou mais ligado na defesa, sofrendo menos sustos. Mas os erros técnicos, ah, esses continuavam lá. Mesmo assim, o time do povo começou a criar as melhores chances da partida. E então, veio o lance que resume o que é ser vascaíno.
Logo depois da parada para hidratação, Jair, com a raça que a gente conhece, roubou uma bola impossível lá no nosso campo de defesa. Começava ali um contra-ataque que parecia fulminante. A bola rodou, os colombianos ficaram para trás e Adson recebeu na área para finalizar. O chute explodiu na barriga do zagueiro Mantilla e, na sequência, no braço dele! Pênalti claro! O estádio inteiro gritou, os jogadores foram para cima do árbitro.
O VAR chamou. A gente já comemorava. Mas, em uma daquelas reviravoltas que só o futebol proporciona (geralmente contra nós), o árbitro foi ao monitor e, em vez de analisar o pênalti, encontrou um toque de mão do nosso Jair lá no início da jogada. Anulou tudo. A frustração foi imensa. Parecia que não era o nosso dia.
A REDENÇÃO VEIO NA BOLA, COMO TEM QUE SER
Mas este time tem algo diferente. O lance polêmico não abalou o Gigante. Pelo contrário, pareceu injetar mais sangue nos olhos dos nossos jogadores. Pouco mais de dez minutos depois daquela ducha de água fria do VAR, o futebol deu o troco. E foi com uma jogada linda, coletiva, como manda o manual.
Brenner, que entrou para mudar o jogo, encontrou Adson bem posicionado pela direita. Ele, por sua vez, acionou Paulo Henrique, que foi à linha de fundo com a determinação de um leão. O cruzamento veio na medida, perfeito, com açúcar. E lá no meio da área, como um centroavante, apareceu Thiago Mendes. Livre, soberano, para cabecear firme e estufar as redes do Medellín.
1 a 0. Gol. Classificação. A explosão da torcida vascaína ecoou pelo Rio de Janeiro. Foi o grito que estava entalado na garganta. Uma vitória na raça, no coração, para mostrar que quem veste essa camisa tem que honrar até o último segundo. Que venham as oitavas, porque o Vascão é coisa séria!