Um Duelo de Destinos: Vascão x Palmeiras em campo, Lamacchia na mira
Neste domingo, às 16h, quando o Gigante da Colina entrar no gramado do Nubank Parque para encarar o Palmeiras, não será apenas mais um jogo. Será um confronto carregado de ironia e de um futuro que pode estar sendo selado nos bastidores. De um lado, um clube que se tornou uma potência na última década. Do outro, o nosso Vascão, lutando com a raça de sempre. E no meio de tudo isso, uma única família: os Lamacchia.
Enquanto José Roberto Lamacchia, o patriarca, construiu um império verde com a Crefisa, seu filho, Marcos Faria Lamacchia, agora bate na nossa porta querendo comprar a SAF do Vasco. A mesma fonte de dinheiro que ergueu o rival pode ser a nossa salvação? É a pergunta que ecoa em São Januário.
Quem é o homem que quer comprar o Vascão?
O nome que a torcida vascaína precisa conhecer é Marcos Faria Lamacchia. Ele é o empresário que está na linha de frente para assumir o futebol do Almirante. Filho de José Roberto Lamacchia com Junia Faria, uma das herdeiras do Banco Alfa, Marcos não é um mero herdeiro vivendo da fortuna do pai. Ele tem sua própria carreira no mercado de investimentos e, segundo quem o conhece, é “totalmente independente”.
A negociação com o Vasco começou a tomar corpo no final do ano passado. Não foi a primeira vez que o nome Lamacchia foi ligado ao clube. No início de 2024, o próprio pai, José Roberto, tentou comprar a SAF da 777 Partners, mas as conversas não avançaram. A diferença? A amizade sólida entre ele e nosso presidente Pedrinho, que manteve a porta aberta.
A Conexão com Pedrinho e o Papel do Pai
A relação de Pedrinho com José Roberto Lamacchia é antiga e foi crucial para que as negociações fossem retomadas. Desta vez, porém, os papéis se inverteram. Quem lidera a proposta é o filho, Marcos. O pai, José Roberto, entra na jogada como uma peça fundamental: ele é o avalista da operação. Em bom português, ele garante a grana, dando o selo de confiança que o negócio precisa.
É uma estrutura familiar complexa, mas que pode ser a chave para destravar o futuro do nosso clube. Um jovem com vontade de fazer seu próprio nome no futebol, apoiado pela experiência e, claro, pelo poder financeiro do pai.
E a Leila? A ‘Tia’ do Palmeiras lava as mãos
A situação fica ainda mais interessante quando colocamos na equação Leila Pereira, presidente do Palmeiras, esposa de José Roberto e madrasta de Marcos. Em público, ela faz questão de se manter a metros de distância do assunto. Em entrevista ao POD_i, podcast de Andréia Sadi, ela foi categórica.
“Eu não tenho nada com isso. O meu enteado está negociando com o Vasco, sim. Meu enteado tem a vida completamente independente do pai dele. Ele não trabalha conosco. É totalmente independente”, afirmou Leila. Apesar do distanciamento, ela não perdeu a chance de elogiar o enteado: “Qualquer clube que tiver meu enteado como dono, será um grande negócio. É uma pessoa brasileira, com patrimônio no Brasil e com capacidade de erguer qualquer clube. Acho um grande negócio.”
O próprio José Roberto Lamacchia, em entrevista ao ge, jogou mais lenha na fogueira. Questionado se a esposa poderia ajudar o Vasco no futuro, ele deixou a porta entreaberta: “Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras.” Imagina só, torcedor?
O ‘Case Palmeiras’: Como a Crefisa transformou o rival
Para entender o tamanho do que está em jogo, é preciso voltar a 2015. Naquele ano, o Palmeiras, que vinha de um período de vacas magras, anunciou a parceria com a Crefisa. O clube passava por uma reconstrução com Paulo Nobre, e o dinheiro da financeira dos Lamacchia foi o combustível que faltava.
O resultado foi imediato. Já em 2015, conquistaram a Copa do Brasil, encerrando um jejum de 22 anos sem títulos nacionais. Em 2016, com Cuca no comando e um jovem Gabriel Jesus brilhando, levaram o Campeonato Brasileiro. A parceria se aprofundou, outras empresas do grupo como a FAM se juntaram, e Leila Pereira se tornou conselheira em 2017, após uma briga política com o ex-presidente Paulo Nobre.
Os títulos continuaram vindo, como o Brasileirão de 2018. Em 2019, durante a gestão de Maurício Galiotte, foi assinado um novo acordo que poderia superar a marca de R$ 400 milhões. Esse é o poder de fogo da família que agora negocia com o Vasco. Eles não só investiram, eles transformaram um clube. É esse poder de transformação que sonhamos ver em São Januário.
A Esperança Cruzmaltina
É impossível não sentir a ironia da situação. A família que patrocinou a era mais vitoriosa de um rival recente pode ser a nossa tábua de salvação. Mas o futebol é feito dessas reviravoltas. O que importa para o povo cruzmaltino é ver o Gigante da Colina forte, competitivo e brigando por títulos novamente.
Se Marcos Lamacchia, com o aval de seu pai, tem a capacidade e a vontade de fazer pelo Vasco o que sua família fez pelo Palmeiras, então que venha. O passado deles é com o rival, mas o futuro, se tudo der certo, pode ser com o time do povo. Será que finalmente teremos a paz e a estabilidade financeira para voltar ao nosso lugar de direito? Só o tempo dirá, mas a esperança, essa nunca morre.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.