FIM DO JEJUM! O GIGANTE VOLTOU A RESPIRAR!
Acabou o sofrimento, torcida vascaína! Depois de oito longas e dolorosas rodadas, o Vascão finalmente voltou a sentir o gosto da vitória no Campeonato Brasileiro. E que vitória! Um 3 a 1 para cima do Cruzeiro, dentro do nosso Caldeirão de São Januário, que pulsou como nos velhos tempos. A partida, válida pela 25ª rodada, não foi apenas sobre os três pontos; foi sobre reencontrar a alma, a raça e, principalmente, um novo protagonista para nos guiar: o argentino Facundo Colidio.
A agonia parecia não ter fim. Empates amargos, derrotas doídas… a cada jogo, a angústia aumentava. Mas neste sábado (29), algo foi diferente. O time entrou em campo com outro espírito, e a torcida, que nunca abandona, sentiu. O resultado foi uma atuação de gala que nos tirou, ainda que momentaneamente, da maldita zona de rebaixamento, chegando aos 25 pontos e mostrando que o Gigante da Colina está mais vivo do que nunca.
COLIDIO, O MAESTRO DO ATAQUE
Vamos falar do cara do jogo. Facundo Colidio. O que esse argentino jogou foi brincadeira. O técnico Pedro Emanuel, em uma sacada de gênio, mudou o posicionamento do nosso camisa 7. Se contra Vitória e Santos ele atuou mais aberto, desta vez ele foi escalado como um segundo atacante, flutuando pelo meio, buscando os espaços entre os zagueiros.
E que diferença isso fez! Desde o primeiro minuto, Colidio infernizou a defesa do Cruzeiro. Aos 15 minutos, já mostrava o cartão de visitas com uma finalização de primeira após um cruzamento preciso de Andrés Gómez. Pouco depois, recebeu na entrada da área e soltou uma bomba, obrigando o goleiro Otávio a fazer uma grande defesa. Era o prenúncio do que estava por vir.
Aos 32 minutos do primeiro tempo, a inteligência do argentino foi decisiva. Ele viu a movimentação de Tchê Tchê e fez um lançamento milimétrico. Nosso volante brigou como um leão contra Matheus Henrique, invadiu a área e fuzilou para abrir o placar. O Caldeirão explodiu! O gol teve a garra do Tchê Tchê, mas começou na visão de jogo espetacular de Colidio.
Mas ele não se contentou em ser um ‘garçom de luxo’. O argentino era onipresente. Recuava para buscar a bola, caía pelas pontas, aparecia na área para finalizar. Ao todo, foram sete finalizações, com três delas no alvo. Aos 11 do segundo tempo, recebeu de Lucas Piton e bateu de primeira, mas foi travado na hora H. Em outro lance, apareceu livre na segunda trave após cruzamento de Andrés Gómez, e só não marcou porque o zagueiro Jonathan Jesus apareceu como um fantasma para cortar. Era a personificação da raça vascaína em campo.
A EXPLICAÇÃO DO MISTER PEDRO EMANUEL
A atuação de gala de Colidio não foi por acaso. Após a partida, o nosso comandante, Pedro Emanuel, explicou a estratégia por trás da mudança. Com a tranquilidade de quem sabia o que estava fazendo, o técnico revelou que a decisão foi fruto de uma análise minuciosa do adversário.
“Tem a ver muito com a análise do adversário. O contexto que temos na frente. Com mais um atacante para chegar que vai dar mais versatilidade. Vai permitir que tenhamos mais soluções”, afirmou o treinador. Ele foi além, elogiando a polivalência do nosso craque argentino: “Colidio pode jogar fora, dentro, como segundo atacante. É muito versátil. Hoje achei que, dentro das mudanças do Cruzeiro, a forma como defendiam e a capacidade que o Colidio tem de ligar nosso ataque, o corredor central era o mais adequado”.
É isso que a gente quer ver! Um técnico que estuda o rival e potencializa o que temos de melhor. A leitura de jogo de Pedro Emanuel foi perfeita e nos deu a vitória. O argentino, por sua vez, correspondeu com uma entrega absurda, correndo até não aguentar mais. Aos 34 minutos do segundo tempo, ao ser substituído por David (que ainda guardaria o dele), Colidio deixou o gramado sob uma chuva de aplausos. Uma cena de arrepiar, que mostra a conexão imediata entre o jogador e a torcida que nunca abandona.
ALÍVIO NO BRASILEIRÃO E FOCO TOTAL NA COPA DO BRASIL
A vitória por 3 a 1, com gols de Tchê Tchê, Lucas Freitas e David, foi um bálsamo. Sair da zona de rebaixamento, mesmo que por um momento, lava a alma e dá a tranquilidade necessária para a sequência da temporada. Mostramos a nossa força e provamos que lutar contra o rebaixamento não é o nosso lugar.
Agora, não há tempo para comemorar. O foco muda completamente. Na próxima quarta-feira, dia 2, temos uma verdadeira decisão pela frente. É hora de virar a chave para a Copa do Brasil e enfrentar o Vitória no Barradão, pelo jogo de volta das quartas de final.
No jogo de ida, em São Januário, vencemos por 1 a 0 e levamos uma vantagem importante para Salvador. Mas sabemos que não tem jogo fácil. É mais uma batalha, mais uma guerra em que precisaremos de toda a raça e inteligência tática que mostramos contra o Cruzeiro. Com Colidio nesse nível e o time embalado pela confiança, o povo cruzmaltino tem todo o direito de sonhar. Vamos pra cima deles, Gigante!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.