O LUTO DE UMA NAÇÃO
O futebol perdeu o sentido. A rivalidade virou barbárie. Na madrugada desta sexta-feira (8), o coração de mais um vascaíno parou de bater. Fabiano Miranda Lopes, de 42 anos, não resistiu aos ferimentos de uma agressão covarde após o clássico contra o Flamengo, disputado no último domingo (3). Ele foi ao Maracanã para torcer pelo seu time, pelo nosso Gigante, e não voltou para casa. Uma tragédia que mancha de sangue, mais uma vez, o esporte que tanto amamos.
Fabiano estava internado em estado grave desde o dia da confusão. Lutou pela vida como um verdadeiro guerreiro cruzmaltino, mas a brutalidade dos agressores foi mais forte. Ele deixa uma família, amigos e uma nação inteira de luto. Não é apenas mais uma estatística. É um de nós, um irmão de arquibancada que teve a vida ceifada por uma violência sem propósito.
A COVARDIA REGISTRADA EM VÍDEO
A dor se mistura com a revolta ao sabermos dos detalhes. Segundo as informações que vieram à tona, Fabiano foi vítima de um ataque selvagem nos arredores do estádio. As investigações apontam que ele foi cercado e agredido durante confrontos entre torcidas na saída do jogo.
O que torna tudo ainda mais revoltante são as imagens que circulam, registradas por moradores da região. Vídeos mostram Fabiano e outro homem já caídos, indefesos. Mesmo assim, os agressores continuaram o ataque com chutes e pontapés. Em um ato de crueldade e oportunismo abjetos, as gravações ainda mostram um objeto pessoal da vítima sendo levado durante a ação. Não foi uma briga, foi uma tentativa de assassinato, que infelizmente se concretizou.
A Polícia Civil está investigando o caso, na tentativa de identificar os responsáveis por esse crime hediondo. Que a justiça seja feita. Que os covardes que se escondem na multidão para cometer atrocidades sejam encontrados e punidos com o rigor da lei. A família vascaína clama por respostas e por justiça para Fabiano.
UM DOMINGO DE CAOS E TERROR
O que deveria ser a festa do futebol, o Clássico dos Milhões, transformou-se em um cenário de guerra urbana. A partida, válida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou com um empate em campo, mas com uma derrota gigantesca para a civilidade do lado de fora.
Relatos de torcedores que estiveram no Maracanã, apurados pelo portal Lance!, descrevem o ambiente como uma verdadeira “praça de guerra”. Famílias, crianças e idosos, que só queriam apoiar seu time e voltar em paz para casa, tiveram que correr em meio a tumultos, brigas e o forte cheiro de gás de pimenta usado pela polícia para tentar conter o caos.
Na rampa de acesso ao metrô e nas proximidades da UERJ, na Rua São Francisco Xavier, confrontos entre torcedores de Vasco e Flamengo criaram pânico e correria. A saída do estádio, que deveria ser um momento de dispersão tranquila, virou uma armadilha perigosa. A segurança, mais uma vez, falhou miseravelmente em proteger o cidadão.
ATÉ QUANDO, FUTEBOL?
A morte de Fabiano Miranda Lopes não pode ser em vão. Ela precisa servir como um basta definitivo. Até quando vamos tratar clássicos como batalhas campais? Até quando as autoridades vão permitir que os arredores de um estádio de Copa do Mundo se transformem em zonas de perigo extremo?
A rivalidade é a alma do futebol, mas ela vive dentro das quatro linhas, no grito da arquibancada, na corneta sadia do dia seguinte. Quando ela cruza a linha da violência e da morte, ela apodrece. O que aconteceu com Fabiano é o retrato de um problema crônico, de uma cultura de ódio que precisa ser extirpada.
Hoje, não há cores, não há clubismo que justifique o silêncio. Um pai de família, um trabalhador, um torcedor apaixonado pelo Vascão foi assassinado. O mínimo que esperamos é uma reflexão profunda de todos os envolvidos: clubes, federações, autoridades de segurança e, sim, nós, os torcedores. Precisamos resgatar o nosso futebol das mãos dos criminosos.
Descanse em paz, Fabiano. Sua memória será honrada na luta por um futebol onde ir ao estádio não seja uma sentença de morte. Vasco é coisa séria, vida é coisa sagrada. Fabiano presente!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.