Um Grito Preso na Garganta por Uma Década
Tem datas que não saem da memória do torcedor. Para nós, fiéis do Gigante, o dia 8 de junho de 2011 é uma delas. Há exatos 15 anos, segundo a contagem do tempo da glória, o Vascão voltava a ser campeão nacional. A conquista da Copa do Brasil, nossa primeira e inesquecível, encerrava um jejum que já doía na alma, que durava mais de uma década.
E tinha que ser à la Vasco. Com sofrimento. Com o coração na boca até o último segundo. A derrota por 3 a 2 para o Coritiba, lá no Couto Pereira, foi a derrota mais doce da nossa história. Cada gol deles era uma facada, mas a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, no nosso Caldeirão de São Januário, nos deu a gordura necessária para soltar o grito de campeão. O Brasil era nosso de novo!
A Reconstrução de Um Gigante Ferido
Quem não se lembra do contexto? O Vascão vinha de um dos períodos mais sombrios de sua história, o primeiro rebaixamento. Mas Gigante que é Gigante não fica no chão. Aquele time de 2011 era a prova viva da nossa resiliência.
Sob a batuta do técnico Ricardo Gomes, um verdadeiro senhor, montamos um elenco que era a cara do Vasco. A experiência de pilares como o goleirão Fernando Prass, o maestro Felipe e o matador Alecsandro se uniu à força e ao talento de uma molecada que comia a bola. Como esquecer do ‘Dedé Mito’, um monstro na zaga? E de Rômulo, um leão no meio-campo? E o que dizer de Bernardo, com seus gols decisivos?
Além deles, tínhamos armas secretas. Éder Luís, com sua velocidade supersônica, era um inferno para qualquer defesa. E Diego Souza, um craque de bola, que chamava a responsa nos momentos mais cruciais. Aquele elenco foi forjado para ser campeão.
A Saga Heroica Rumo à Final
A caminhada não foi um passeio no parque. Foi uma guerra, batalha por batalha, com a raça vascaína sendo testada a cada fase.
Começou com uma goleada para dar moral: 6 a 1 no Comercial-MS, lá em Campo Grande, resolvendo a parada em jogo único. Mas logo depois veio o primeiro teste para cardíaco. Contra o ABC, em Natal, um 0 a 0 suado. Na volta, em São Januário, o desespero: os caras abrem o placar com um tal de Cascata. O Caldeirão, por um instante, silenciou. Mas este time tinha alma. Alecsandro, o Alecgol, deixou tudo igual. E nos minutos finais, quando a agonia já tomava conta, Bernardo, o predestinado, acertou um chutaço para virar o jogo e nos manter vivos no sonho.
Depois do sufoco, uma atuação de gala. Vencemos o Náutico por 3 a 0 nos Aflitos. Uma vitória maiúscula fora de casa, que nos permitiu administrar o jogo da volta com um empate sem gols em casa, poupando titulares e mostrando a força do elenco.
O Gol Fora e a Soberba do Adversário: Combustível para o Vascão
Nas quartas, outro duelo de gigantes contra o Athletico Paranaense. Um empate eletrizante por 2 a 2 na Arena da Baixada, com o regulamento do gol fora de casa debaixo do braço. Em São Januário, mais drama. O Furacão saiu na frente com um gol de Nieto. A tensão era palpável. Mas Ricardo Gomes, com a estrela de sempre, olhou para o banco e achou a solução. Elton entrou para mudar o jogo e marcou o gol do empate por 1 a 1. Não foi uma vitória, mas valeu como se fosse. Estávamos na semifinal!
E na semi, o episódio que entrou para o folclore do futebol. O adversário era o Avaí, a surpresa da competição. No jogo de ida, em São Januário, um 1 a 1 que deixou tudo aberto. Foi aí que o atacante deles, um tal de William, resolveu falar demais. Disse que na Ressacada, com a torcida deles, iriam nos “atropelar”. Mal sabia ele que estava assinando a sentença do próprio time.
Aquela declaração foi a gasolina que o nosso motor precisava. Em campo, a resposta foi avassaladora. Com uma atuação de time grande, maduro e consciente, o Vascão venceu por 2 a 0 ainda no primeiro tempo, silenciou o estádio catarinense e carimbou o passaporte para a final. Nunca se mexe com um Gigante. Vasco é coisa séria.
A Glória Eterna no Couto Pereira
A final foi a coroação de uma campanha épica. A vitória magra por 1 a 0 em São Januário, com o Caldeirão pulsando, nos deu a vantagem mínima, mas preciosa. No jogo da volta, em Curitiba, foi o roteiro clássico do vascaíno. O Coritiba veio pra cima, marcou, a gente buscou, eles marcaram de novo. O placar de 3 a 2 para eles selou a nossa conquista pelo gol qualificado.
O apito final foi um misto de alívio, êxtase e orgulho. Depois de anos de sofrimento, de ver rivais comemorando, era a nossa vez. Aquele 8 de junho de 2011 lavou a alma do povo cruzmaltino e mostrou ao Brasil que o Club de Regatas Vasco da Gama estava, e sempre estará, vivo. E você, torcedor? Qual a sua maior lembrança dessa conquista inesquecível?
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.