ADEUS, GIGANTE! Brito, zagueiro forjado no Vasco e campeão do mundo, nos deixa aos 86 anos

O futebol brasileiro perde um herói, e o Vasco da Gama perde um de seus filhos. Morreu Brito, nosso xerife campeão do mundo em 1970, forjado em São Januário.

Giann Infantino, presidente da Fifa, posa ao lado de Brito, lenda do Brasil e tricampeão com a Seleção Brasileira em 1970, com uma pequena réplica da taça da Copa do Mundo Getty Images

O Gigante da Colina está de luto. Uma de nossas muralhas se foi.

Nesta quinta-feira, o coração de todo vascaíno ficou um pouco mais pesado. Nos despedimos de Hércules Brito Ruas, o nosso eterno Brito, que faleceu aos 86 anos. Campeão do mundo com a Seleção em 1970 e um dos maiores ídolos que já vestiram a Cruz de Malta, Brito não foi apenas um zagueiro; ele foi a personificação da raça vascaína.

O nome de batismo, Hércules, não foi por acaso. Diz a lenda, contada por seu pai, Lenídio Ruas, que ao ver o filho pela primeira vez, com incríveis cinco quilos, não havia outro nome possível. E essa força hercúlea marcou toda a sua trajetória, transformando-o num verdadeiro gigante nos gramados.

A Força que Parou o Mundo e nasceu em São Januário

A fama de sua força era tão grande que, durante a preparação para a Copa de 1970, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o considerou o atleta com o melhor preparo físico de todo o Mundial. Há quem jure de pé junto que, na concentração no México, Brito chegou a quebrar um aparelho de academia. Se é verdade ou não, pouco importa. Para nós, vascaínos, é a mais pura tradução do que era ver Brito em campo: uma força da natureza.

Vascaíno de coração, foi em São Januário que seu destino foi forjado. Subiu para o time principal em 1957, mas o começo não foi fácil. Tinha pela frente a concorrência de ninguém menos que Bellini e Orlando Peçanha, dois monstros sagrados. Mesmo assim, antes de ser emprestado ao Internacional em 1958, nosso Hércules já levantava a taça do Torneio de Paris de 1957 com o Vascão.

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A Muralha Cruzmaltina: A Zaga Mais Temida do Brasil

O bom filho à casa torna. Em 1959, Brito retornou ao Gigante da Colina para não sair mais por uma década inteira. Com a saída de Bellini, ele agarrou a oportunidade e se transformou no capitão e na referência de um time que enfrentava tempos difíceis nos anos 60. Ele era a nossa segurança, o nosso pilar.

Foi em 1963 que a história do futebol brasileiro ganharia um de seus capítulos mais temidos pelos atacantes. Brito se uniu a Fontana, e juntos formaram uma dupla de zaga que era sinônimo de pesadelo para os adversários. Brito era a combinação perfeita de vigor físico e técnica apurada. Fontana era o xerife, o marcador implacável que não afinava para ninguém, nem mesmo para Pelé.

A parceria era tão intensa que Fontana ganhou o apelido de “Inimigo do Rei”. As disputas com o astro do Santos eram épicas, muitas vezes terminando em xingamentos, socos e até expulsões para os dois lados. Ver Brito e Fontana defendendo a nossa camisa era a certeza de que o adversário teria que suar sangue para passar. Essa dupla de gigantes defendeu a Cruz de Malta até 1968, quando Fontana se transferiu para o Cruzeiro.

Um Legado de Conquistas e a Coroa do Mundo

Os números de Brito pelo nosso Vascão impressionam. Foram 405 jogos e 11 gols marcados com o nosso manto sagrado. Além do Torneio de Paris em 1957, ele foi peça fundamental nas conquistas da Taça Guanabara de 1965 e do Torneio Rio-São Paulo de 1966. Um currículo de respeito.

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Seu talento o levou naturalmente para a Seleção Brasileira. Foi o representante do Almirante na Copa do Mundo de 1966. Quatro anos depois, já no Cruzeiro, alcançou a glória máxima: foi titular em todas as partidas da conquista do tricampeonato mundial no México, formando outra dupla histórica com Piazza. E para orgulho do povo cruzmaltino, seu fiel escudeiro Fontana estava lá, no banco de reservas daquela seleção inesquecível. Pela amarelinha, foram 61 jogos, com 45 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas.

Um Herói que se Junta a Outras Estrelas

A partida de Brito marca a despedida do sétimo atleta daquela Seleção mágica de 1970. Ele se junta a Félix, Carlos Alberto Torres, Everaldo, Joel Camargo, ao Rei Pelé e, claro, ao seu inseparável parceiro de zaga, Fontana, que nos deixou precocemente em 1980, com apenas 39 anos. O técnico daquela campanha, o Velho Lobo Zagallo, também partiu em janeiro deste ano.

Hoje, o Caldeirão chora. Perdemos um pedaço da nossa história, um guerreiro que honrou nosso clube como poucos. Brito agora reencontra Fontana no plano celestial, para formar novamente a zaga mais temida, desta vez entre as estrelas. Seu legado, sua força e sua dedicação ao Club de Regatas Vasco da Gama jamais serão esquecidos. Descanse em paz, Gigante. Sua história vive em nós.