Um amistoso? Não, uma declaração de poder!
Na arquibancada da vida, a gente vive de lembranças que nos dão força pra seguir. E poucas memórias são tão doces para o povo cruzmaltino quanto a daquela noite de 3 de janeiro de 2000. Enquanto o mundo hoje discute seleções em competições, a gente abre o baú pra lembrar o dia em que o Gigante da Colina recebeu a seleção da Argélia em São Januário e não tomou conhecimento: um sonoro, histórico e inesquecível 7 a 0.
Aquilo não foi um simples amistoso. Foi a preparação final do nosso esquadrão para a disputa do primeiro Mundial de Clubes da Fifa. Era um time que transpirava futebol, que fazia a bola chorar. Cerca de 10 mil fiéis do Gigante estavam no Caldeirão para testemunhar uma verdadeira sinfonia comandada pelo técnico Antônio Lopes.
Uma Seleção vestida com a Cruz de Malta
Olhar a escalação daquele Vascão dá até arrepio. Não era um time, era uma constelação. Cada nome ali é um pedaço da nossa história mais gloriosa. O Almirante entrou em campo com uma formação que qualquer seleção do mundo respeitaria, e muito.
Se liga nesse time que começou o atropelo:
- Goleiro: Hélton
- Defesa: Jorginho, Júnior Baiano, Mauro Galvão e Gilberto
- Meio-campo: Amaral, Felipe, Juninho e Ramon
- Ataque: Donizete e Romário
E se não bastasse, o banco de reservas era um luxo só! Ao longo da partida, ainda entraram Paulo Miranda, Odvan, Valkmar, Possato, Nasa, Hélder, Alex Oliveira, Roni, Viola e Dedé. Era craque que não acabava mais, meu amigo!
O massacre no Caldeirão de São Januário
Desde o primeiro minuto, o domínio foi absoluto. Era o Vascão em seu estado mais puro: técnico, envolvente e mortal. A Argélia, que até já tinha sido campeã da África em 1990, passava por uma fase ruim, mas nada justifica o que aconteceu em campo. Foi um baile.
Os gols foram saindo com uma naturalidade assustadora. O Pantera Donizete, sempre letal, guardou dois. O Reizinho Juninho deixou o dele, com aquela categoria de sempre. O Baixinho Romário não podia ficar de fora da festa. O maestro Felipe também marcou o seu. E pra fechar a conta, Viola e Dedé, que vieram do banco, completaram a goleada histórica. Um 7 a 0 que ecoa até hoje pelas paredes de São Januário.
Um presságio para o Mundial
Essa goleada não foi um fato isolado. Foi o cartão de visitas do que estava por vir. Aquele time estava voando. Três dias depois, já no Mundial de Clubes, estreamos vencendo o South Melbourne por 2 a 0. E logo na sequência, veio uma das noites mais mágicas da nossa história: a vitória por 3 a 1 sobre o poderoso Manchester United no Maracanã. Aquele 7 a 0 na Argélia foi o aquecimento perfeito.
Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que enfrentamos os argelinos. Em 1966, pelo Torneio Ais El Kebir, já havíamos vencido, mas por um placar mais modesto: 1 a 0. O freguês é antigo.
Depois daquela era de ouro, os duelos contra seleções ficaram mais raros. O último aconteceu em 2008, em Dubai, quando vencemos os Emirados Árabes Unidos por 1 a 0, com gol de Alan Kardec. Mas nada se compara àquela noite de 2000. Uma noite em que o Vasco da Gama mostrou ao mundo que, quando o Gigante quer jogar, não há seleção que segure. Que saudade de um Vascão assim!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.