Acabou o mistério, torcedor vascaíno. O agora ex-técnico Renato Gaúcho finalmente se pronunciou após sua conturbada saída do comando do Gigante da Colina. Em uma mensagem publicada em suas redes sociais nesta sexta-feira (19), o treinador adotou um tom de despedida e agradecimento, mas deixou no ar aquela sensação que já conhecemos bem: a de que algo poderia ter sido diferente.
Com palavras cuidadosamente escolhidas, Renato tentou passar uma imagem de tranquilidade e gratidão. Agradeceu à diretoria, aos jogadores, funcionários e, claro, à torcida cruzmaltina. Mas nós, que vivemos o Vasco na pele, sabemos ler nas entrelinhas.
Um adeus protocolar nas redes sociais
Na sua mensagem de despedida, Renato fez questão de exaltar o período em que esteve em São Januário. “Foram meses intensos, de muita dedicação, trabalho e respeito pela instituição, pela torcida maravilhosa e por todos que fazem parte do dia a dia do Vasco”, escreveu o treinador. Ele também fez um agradecimento especial ao presidente Pedrinho pela oportunidade de comandar o Almirante mais uma vez.
Um dos pontos que mais chamou a atenção foi sua defesa da relação com o elenco. “Obrigado a todos os jogadores pelo empenho nos treinos e jogos. O Vasco tem um grupo de homens e nosso relacionamento sempre foi muito bom”, declarou. Uma afirmação que parece querer jogar uma pá de cal em cima dos boatos de que o vestiário já não estava mais na sua mão. A gente sabe que, no futebol, quando é preciso dizer que o ambiente é bom, é porque ele já foi melhor.
A despedida terminou com uma frase que soa como um clichê, mas que resume bem o ciclo de qualquer treinador. “O futebol é assim mesmo. Vou seguir o meu caminho e o Vasco sempre terá um lugar especial no meu coração”, finalizou. Bonito, mas não enche a barriga do povo cruzmaltino, que agora se vê órfão de um comandante.
Números frios e um gosto amargo
A terceira passagem de Renato Gaúcho pelo Vascão foi curta e de resultados medianos. Desde que assumiu em março, foram apenas 18 partidas. O retrospecto é de sete vitórias, cinco empates e seis derrotas. Um aproveitamento que não empolga, não inspira confiança e que, no fim das contas, justifica a interrupção do trabalho.
Essa passagem se junta às outras duas (2005-2007 e 2008) na galeria de histórias de amor e ódio entre Renato e o Vasco. Um ídolo como jogador, mas que como técnico nunca conseguiu entregar a estabilidade e os títulos que a nossa história exige. Fica a sensação de um potencial não realizado, mais uma vez.
Saída ‘amigável’ e o futuro incerto
Segundo a nota oficial divulgada pelo nosso clube, a saída foi definida em “comum acordo”. A gente conhece esse jargão do futebol, né? É o jeito polido de dizer que a situação chegou a um ponto insustentável para ambos os lados. A prova disso é que o contrato não previa multa rescisória, o que facilitou o divórcio.
Agora, o Gigante está à deriva. O elenco profissional retorna das merecidas férias na próxima segunda-feira, dia 22, e não haverá um técnico para recebê-los e iniciar a preparação para o resto da temporada. A responsabilidade cai toda no colo do presidente Pedrinho e da diretoria. Não há tempo para lamentar. É preciso agir rápido e, principalmente, agir certo.
A torcida que nunca abandona segue aqui, de prontidão. Esperando por um nome que entenda o peso da nossa camisa, que tenha raça vascaína e que consiga, finalmente, colocar o nosso time no lugar de onde ele nunca deveria ter saído. A saída de Renato fecha um capítulo curto e frustrante. Que o próximo seja de glórias, porque o povo cruzmaltino não aguenta mais sofrer.