Um jogo que poderia não ter acontecido
Sabe aquela sensação de tempo perdido, torcedor? Foi exatamente isso que sentimos após os primeiros 90 minutos do confronto entre Vasco e Fluminense pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Um jogo no Maracanã que foi um verdadeiro sonífero, pobre tecnicamente e que, no fim das contas, serviu mais para escancarar os problemas do nosso elenco do que para decidir qualquer coisa.
O apito final veio com um gosto amargo de “e agora?”. De um lado, vimos um time com uma organização tática que há tempos não se via. Do outro, um ataque completamente inofensivo, que parece depender de um milagre para balançar as redes. E no meio disso tudo, um recado claro para a diretoria: a demora na janela de transferências está cobrando seu preço, e quem paga a conta é o nosso treinador, Pedro Emanuel.
Altos e baixos no coração do time
Sem poder contar com Thiago Mendes, suspenso, o nosso mister português mandou a campo um meio-campo com Jair, Ramon Rique e Tchê Tchê. No papel, um trio leve, com boa capacidade de movimentação. Na prática, a história foi outra, com luz e sombra.
A grande notícia, sem dúvida, foi a volta de Jair. Que partida do nosso camisa 8! Depois de uma grave lesão no joelho, ele voltou como se nunca tivesse parado. Com uma lucidez impressionante, organizou o jogo, ditou o ritmo e foi o cérebro do time no primeiro tempo. Ver Jair em campo com essa categoria nos enche de esperança. Ele é a prova viva da raça vascaína!
Infelizmente, o mesmo não se pode dizer do jovem Ramon Rique. O garoto de 18 anos, que vinha de boas atuações, parece ter sentido o peso de um clássico decisivo. Errou passes simples, pareceu nervoso e esteve muito abaixo do que pode render. É jovem, tem talento, mas a noite foi para esquecer. Acontece, mas expõe nossa fragilidade.
A ideia era boa, mas a execução…
Não se pode acusar Pedro Emanuel de não ter um plano. A estratégia para atacar era clara: atrair o Fluminense, lançar a bola por cima para David dar uma casquinha de cabeça e acionar a velocidade de Andrés Gómez. Vimos a ideia se repetir algumas vezes, o que mostra um trabalho tático bem definido.
O problema é que do plano à execução existe um abismo. Nossos ataques morriam na tentativa. Andrés Gómez até chegou no mano a mano pela esquerda em duas oportunidades, mas foi facilmente parado por Ignácio. Faltou a explosão do colombiano, faltou a infiltração, faltou o último passe. O time roda a bola, mas não consegue furar o bloqueio no terço final do campo.
Enquanto isso, na defesa, vivíamos de sustos e milagres. Robert Renan, em uma ânsia de desarmar John Kennedy no meio-campo, saía da linha defensiva e criava um buraco gigantesco. Foi assim que o rival criou suas melhores chances com Canobbio. Em uma delas, o uruguaio parou em mais uma defesa espetacular do nosso paredão Léo Jardim. Na outra, para nosso alívio, chutou para fora. Mais uma vez, Léo Jardim nos salvando.
O banco de reservas grita por ajuda
Se o primeiro tempo já foi difícil, a segunda etapa foi um show de horrores. A queda de rendimento do time foi nítida e tem um culpado claro: o planejamento tardio e a falta de opções de qualidade no banco.
Com Jair naturalmente sentindo o ritmo após tanto tempo parado e Ramon Rique em uma noite desastrosa, para quem Pedro Emanuel poderia olhar? Para Barros e Johan Rojas. Com todo respeito aos jogadores, não dá. Rojas entrou no intervalo e um de seus primeiros lances foi uma tentativa de passe de efeito que a defesa interceptou sem nem suar. Barros até melhorou um pouco o combate, mas com a bola no pé, a dificuldade para criar algo era imensa.
E assim, nosso ataque morreu de fome. Não houve criação, não houve jogadas. Pedro Emanuel se viu de mãos atadas, vítima de um elenco curto e desequilibrado. O português mostra ter boas ideias, mas como fazer omelete sem ovos? A diretoria precisa agir, e para ontem!
Um ataque que não assusta uma mosca
Os números da nossa ofensiva são de dar pena. O único chute na direção do gol de Fábio em 90 minutos foi uma finalização fraca de Adson, quase um recuo. A nossa melhor chance? Uma cabeçada para fora de Tchê Tchê, após cruzamento de Paulo Henrique. Foi só isso. É muito, muito pouco para o Gigante da Colina, especialmente em um jogo dessa magnitude.
A defesa, apesar das falhas pontuais de Robert Renan, até se segura na base da raça e dos milagres de Léo Jardim. Mas um time não vive só de se defender. Precisamos de poder de fogo, de jogadores que decidam lá na frente. O que vimos no sábado foi um time estéril, que não oferece perigo algum ao adversário.
Agora, tudo se decide na quarta-feira, novamente no Maracanã. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis, e com Léo Jardim no gol, tudo é possível. Mas não podemos depender apenas de um herói. O time todo precisa jogar, e a diretoria precisa entender a urgência. A torcida vascaína, que nunca abandona, merece mais. Muito mais.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.