Enfim, uma fumaça branca em São Januário! Fernando Seabra é o novo técnico do Gigante da Colina. O homem chegou no Rio de Janeiro na madrugada desta sexta-feira, pronto para encarar o maior desafio da sua carreira. Depois de uma reunião na quarta-feira que selou o acordo, ele se despediu do Coritiba e agora a sua casa é o Caldeirão. Mas a pergunta que não quer calar na cabeça de todo vascaíno é: o que podemos esperar?
A diretoria sempre viu Seabra com bons olhos, e não é pra menos. O cara tem fama de montar times organizados, de saber ler o jogo e de não ser teimoso, mudando a tática quando precisa. Mas será que isso basta para botar ordem na nossa casa? Vamos analisar o que o novo professor pode trazer para o nosso Vascão.
O estilo de jogo: contra-ataque na veia
Para entender o que vem por aí, fomos buscar a análise de quem viu o trabalho dele de perto. Segundo o repórter Daniel Piva, do Globo Esporte Paraná, o Coritiba de Seabra era uma máquina de transição. Esqueça o ‘tiki-taka’ inútil, a pegada dele é outra.
“Acredito que a principal definição do Seabra no Coritiba seja o jogo em transição. O Coritiba foi muito forte nos contra-ataques”, analisou Piva. Ele explicou que o treinador gostava de potencializar as individualidades, usando jogadores como Breno Lopes e Pedro Rocha com muitas bolas em profundidade. Além disso, buscava aproximar os talentos do time, como Josué e Ronier, para criar jogadas.
A análise, no entanto, aponta uma dificuldade para propor o jogo, mesmo com jogadores de qualidade. Será que no Vasco, com a pressão da nossa imensa torcida, ele conseguirá impor nosso ritmo ou seremos o time do contra-ataque?
Outro ponto crucial destacado por Piva é a capacidade de adaptação de Seabra. “Ele se adapta ao que o jogo pede, não fica preso a um modelo de jogo”. No começo do trabalho no Coxa, o time marcava em cima, de forma agressiva. Depois, mudou para uma estratégia de transição. Essa flexibilidade pode ser a chave para um campeonato longo e traiçoeiro como o Brasileirão.
Um ‘bombeiro’ para apagar o incêndio no vestiário
Não é segredo para ninguém que o clima no CT Moacyr Barbosa estava mais pesado que final de mês sem salário. A saída de Renato Gaúcho não foi apenas por resultados, mas por um desgaste gigantesco com o elenco e até com a direção.
Quem não se lembra das declarações desastrosas em coletivas? O caso mais gritante foi quando, ao ser perguntado sobre a má fase de Marino Hinestroza, o antigo técnico soltou que jogadores colombianos e equatorianos têm dificuldade de adaptação. Uma fala que, com razão, incomodou todo o grupo. Era preciso estancar a sangria e trazer paz.
A escolha por Fernando Seabra passa diretamente por isso. A avaliação interna é que ele tem uma ótima gestão de grupo, um perfil agregador, capaz de blindar seus jogadores e reconstruir a confiança do elenco. Chega de técnico que joga a culpa nos atletas. Queremos um comandante que lute junto com eles, que vista a camisa do Vasco de verdade.
Comissão técnica com um velho conhecido
Seabra não chega sozinho para essa batalha. Ele traz consigo uma equipe de confiança para ajudá-lo a reerguer o Almirante. A comissão inclui:
- Auxiliares: Vinicius Rováris e Álvaro Martins
- Preparador Físico: Fábio Eiras
- Analista de Desempenho: Nome a ser definido
O nome que mais chama a atenção é o de Fábio Eiras. Ele não é um estranho em São Januário. O preparador físico já trabalhou no Vascão em duas ocasiões: foi Coordenador de Performance em 2023 e preparador na comissão de Zé Ricardo no ano anterior. É um profissional que conhece os corredores do clube, o que pode acelerar a adaptação. Em seu currículo, Eiras também tem passagens pelos nossos rivais Flamengo e Botafogo, além do Athletico.
Os auxiliares Rováris e Martins são homens de confiança de Seabra, trabalhando com ele desde os tempos do sub-20 do Cruzeiro, em 2022.
Os trabalhos recentes do novo comandante
A primeira grande chance de Seabra na Série A foi em 2024, no Cruzeiro. Contratado na gestão de Ronaldo Fenômeno e mantido por Pedro Lourenço, ele pegou um time em crise, recuperou a equipe na Sul-Americana e a colocou para brigar na parte de cima do Brasileirão. Em pouco mais de cinco meses, seus números foram positivos: 35 jogos, com 17 vitórias, 10 derrotas e oito empates.
Depois, no mesmo ano, assumiu o Bragantino com a missão de salvar o time do rebaixamento, e conseguiu. O objetivo foi alcançado na última rodada. E aqui vem uma ironia do destino que todo vascaíno vai gostar: sabe como terminou a passagem dele por lá? Ele foi demitido após uma derrota para o Vasco por 3 a 0, pela 30ª rodada do Brasileirão do ano passado. Em 56 jogos, foram 18 vitórias e 14 empates. Parece que o Gigante já estava no seu caminho.
Agora, a missão é outra. É pegar um elenco qualificado, mas abalado, e fazer o time jogar com a raça vascaína que a gente tanto exige. A torcida, como sempre, vai apoiar. Que Fernando Seabra entenda o peso desta camisa e nos devolva o orgulho de ver o Vasco em campo. Vamos, Vascão!