Quando a gente acha que vai engrenar…
É, nação vascaína, a vida do torcedor do Gigante da Colina não tem um dia de paz. Sabe aquele ditado, ‘quando a esmola é demais, o santo desconfia’? Pois é. O nome da vez que nos faz coçar a cabeça e olhar para os céus é o de Nelson Deossa, o meio-campista colombiano que estava na mira do nosso Vascão.
O que parecia uma negociação possível, talvez até provável, virou um pesadelo em poucas semanas. Deossa, que era visto como um jogador negociável pelo Real Betis, da Espanha, simplesmente decidiu jogar o fino da bola na pré-temporada. A situação mudou tanto que até o prestigiado jornal espanhol ‘Diario AS’ dedicou uma manchete para perguntar, em bom e alto som: ‘O que está acontecendo?’.
A pergunta que eles fazem lá na Europa é a mesma que a gente se faz aqui, com um misto de admiração e, claro, aquela pontinha de frustração. O jogador que poderia estar vestindo o manto sagrado cruzmaltino virou a estrela da companhia lá no Betis. Complicou, e não foi pouco.
De ‘Moeda de Troca’ a Artilheiro Inesperado
Vamos aos fatos, porque contra eles não há argumento. O cenário de Nelson Deossa no clube espanhol era de um atleta com malas quase prontas. Contratado há um ano por mais de 10 milhões de euros, ele não tinha conseguido se firmar e era um dos principais candidatos a ser vendido para o Betis fazer caixa.
Aí veio a pré-temporada. E com ela, uma reviravolta digna de filme. O colombiano marcou simplesmente TRÊS gols nos amistosos de preparação, terminando como o artilheiro da equipe. E não foi contra qualquer time, não. Um desses gols foi anotado contra o gigante inglês Arsenal. Só isso.
De repente, o jogador que estava na prateleira de transferências virou o assunto principal. O patinho feio virou cisne bem debaixo do nosso nariz, justo quando o Vasco tentava costurar um acordo.
O Dedo de Pellegrini e a Conta Salgada
Toda grande virada tem um porquê. E nesse caso, atende pelo nome de Manuel Pellegrini, o experiente técnico do Betis. Com poucas opções ofensivas no elenco durante a preparação, o treinador teve a ideia de adiantar Deossa, colocando-o para jogar em uma função mais próxima do gol, diferente do que ele estava acostumado.
A aposta não poderia ter sido mais certeira. Além dos gols, o colombiano mostrou uma participação ofensiva que surpreendeu a todos. Respondeu à confiança justamente quando seu futuro parecia longe de Sevilha. O problema? Isso tem um preço.
O Betis, que já não queria sair no prejuízo, agora tem ainda menos motivos para facilitar. O clube espanhol deixou claro desde o início que, para liberar o jogador, gostaria de receber um valor próximo aos mais de dez milhões de euros que pagou. Com o jogador em alta, essa pedida tende a ficar ainda mais rígida. É dinheiro de clube europeu, uma realidade dura para o nosso combalido cofre.
Concorrência Pesada: Premier League Entra na Jogada
E se a situação financeira já não fosse um obstáculo gigante, agora temos companhia na arquibancada. E que companhia… Segundo a imprensa espanhola, olheiros de vários clubes da Premier League, o campeonato mais rico do mundo, acompanharam de perto a atuação de gala de Deossa contra o Arsenal.
A tradução é simples: o que era uma negociação entre Vasco e Betis, agora virou um leilão em potencial com tubarões ingleses. O Vasco, que tentava a contratação enquanto o jogador estava por baixo, agora vê o alvo se valorizar a cada dia e atrair olhares muito mais poderosos financeiramente.
O próprio ‘Diario AS’ mencionou que, embora o Betis ainda precise de receitas, a realidade de uma proposta que chegue perto dos 10 milhões de euros ainda não se concretizou, mas que com quase um mês de janela, ‘tudo é possível’. Para eles, e um pesadelo para nós.
E Agora, Gigante?
Para completar o cenário, Deossa não só ganhou a confiança do técnico, mas também do vestiário. Companheiros de equipe publicaram mensagens de apoio nas redes sociais e a comemoração do grupo após seu gol contra o Arsenal foi vista como um sinal claro de que ele recuperou o prestígio interno.
A notícia é um balde de água fria. O Vasco identificou um alvo, tentou agir, mas o futebol e suas reviravoltas entraram em campo. A boa fase do colombiano mudou completamente o panorama. A diretoria do Betis, que antes trabalhava com a venda, agora tem a confiança renovada na permanência do jogador.
Resta a nós, torcedores do Almirante, assistir de longe e torcer por um milagre. Ou, quem sabe, que nossa diretoria tenha um plano B, C e D na manga. Porque depender de um jogador que virou herói na Europa da noite para o dia parece, neste momento, um sonho cada vez mais distante. É a sina do vascaíno: sofrido, mas sempre acreditando. Vamos subir, Vascão, com Deossa ou sem ele!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.