Um soco no estômago do torcedor vascaíno
Tem dias que ser vascaíno é um teste de resistência. E este domingo foi um desses dias. Depois de um primeiro tempo que encheu o coração do povo cruzmaltino de esperança, o Vasco da Gama sofreu uma virada de chave inexplicável e foi goleado por 4 a 1 pelo Palmeiras, na Nubank Arena, em São Paulo. O placar dói, mas a forma como ele foi construído dói ainda mais: em um apagão de 10 minutos que destruiu tudo.
Ao final da partida, um dos nossos guerreiros, o goleiro Léo Jardim, não se escondeu. Com a honestidade que a gente espera de quem veste essa camisa sagrada, ele deu nome ao que aconteceu: um verdadeiro apagão. Suas palavras ecoam o sentimento de cada um de nós que assistiu, incrédulo, o time desmoronar.
Um primeiro tempo de Gigante
É preciso ser justo. Nos primeiros 45 minutos, o que se viu em campo foi um Vasco organizado, sério e competitivo. O time não só conseguiu anular as principais jogadas ofensivas do Palmeiras, como também teve personalidade para ficar com a bola e criar suas próprias chances. Era o Vasco que a gente gosta de ver, com raça e inteligência.
Fomos para o intervalo com o empate no placar e a sensação de que a vitória era possível. A estratégia parecia encaixada, e a torcida vascaína, mesmo de longe, acreditava que poderíamos surpreender o adversário em sua própria casa. Mas o futebol, às vezes, é cruel. E o segundo tempo reservava um pesadelo.
O ‘apagão’ de 10 minutos que custou o jogo
A volta do vestiário foi fatal. Em um piscar de olhos, tudo o que foi construído com suor no primeiro tempo ruiu. Foram necessários apenas 10 minutos para o Palmeiras marcar três gols e liquidar a partida. Três golpes seguidos, sem tempo para respirar ou para o nosso Almirante se reorganizar. Léo Jardim foi cirúrgico na análise.
“Acho que a gente fez um grande primeiro tempo. A gente conseguiu criar dificuldades para a parte ofensiva do Palmeiras e, ao mesmo tempo, conseguiu ter a bola e criar oportunidades também. Mas, como você falou ali, acho que a gente acabou vacilando num espaço de 10 minutos e eles foram muito felizes, muito efetivos”, afirmou o nosso goleiro.
Não há outra definição. Foi um vacilo coletivo, um apagão que permitiu ao adversário fazer o que quis. O gol de Maurício, aos 10 minutos, já foi um balde de água fria. Depois, a porteira abriu. Para completar o massacre, Flaco Lopez, que já havia marcado, fez mais um aos 43 minutos. O gol de honra de Colídio, já nos acréscimos, serviu apenas para diminuir o vexame no placar.
Jardim assume a responsa: ‘A gente vacilou’
Em meio ao caos, Léo Jardim, que tantas vezes nos salvou, teve uma tarde infeliz e foi apontado como um dos destaques negativos. E ele não fugiu da raia. No terceiro gol palmeirense, na finalização rasteira de Maurício, nosso paredão até tocou na bola, mas não conseguiu evitar que ela morresse na rede. No quarto, um belo chute de Flaco Lopez por cobertura, ele estava mal posicionado. Dói admitir, mas são fatos.
O que nos conforta, se é que há conforto numa goleada, é ver um atleta reconhecer a falha. Essa honestidade é o primeiro passo para a correção. Não adianta tapar o sol com a peneira. O time inteiro teve um apagão, e as falhas individuais acabaram sendo decisivas. Vasco é coisa séria, e quem está lá precisa entender o peso de cada erro.
Agora é Copa do Brasil: Virar a chave em São Januário
Apesar da ferida aberta, não há tempo para lamentações. O calendário não perdoa. Agora, o foco total é na Copa do Brasil. Na próxima quarta-feira, o Gigante da Colina tem uma batalha decisiva contra o Vitória, dentro do nosso Caldeirão de São Januário. É jogo de vida ou morte, valendo uma vaga na semifinal da competição.
Léo Jardim já mandou o recado para o grupo e para a torcida: “A gente sabe da necessidade de somar pontos no Brasileiro, sabe da situação delicada que a gente se encontra. Como eu falei, a gente teve um apagão ali de poucos minutos que acabou custando o resultado para a gente. Agora é continuar trabalhando, levantar a cabeça, ver o que a gente pode melhorar e procurar fazer um grande jogo na quarta.”
É isso. Levantar a cabeça, lamber as feridas e transformar a dor em fúria. Quarta-feira, em São Januário, não é só um jogo. É a chance de mostrar que o apagão foi um acidente e que a raça vascaína segue viva. Nós, os que nunca abandonaram, estaremos lá, empurrando o time para a vitória. Porque o Vasco é gigante e sempre vai se reerguer.