A DOENÇA DO VASCO: 45 minutos de luta, 10 de vergonha e um time que se desliga da vida

O Vascão fez um primeiro tempo decente contra o líder, mas bastaram 10 minutos de um apagão vergonhoso para tudo desmoronar. A falta de concentração é o câncer desse time.

Marlon Freitas e Cuesta em Palmeiras x Vasco — Foto: Marcos Ribolli

Do céu ao inferno em dez minutos

Torcedor vascaíno, é difícil até começar a escrever. A gente senta na frente da TV, o coração na mão, e por 45 minutos, a gente acredita. Contra o líder do campeonato, fora de casa, no tal do Nubank Parque, o Vascão se portou como Gigante. Organizado, competitivo, batalhador. Criamos chances com Thiago Mendes, David, Tchê Tchê. O Palmeiras, com todo seu poderio, praticamente não nos ameaçou. Fomos para o intervalo com a sensação de que, sim, era possível.

Aí o segundo tempo começa. E em dez minutos, eu repito, DEZ MINUTOS, o sonho vira um pesadelo grotesco. O placar que era 0 a 0 se transforma num humilhante 3 a 0. O que aconteceu? A resposta é a mesma que assombra o Vasco há tempos, especialmente neste Brasileirão: o time desligou. Simplesmente se deu ao luxo de parar de jogar, de esquecer que vestia a camisa do Club de Regatas Vasco da Gama.

Enquanto o time de Abel Ferreira voltou com sangue nos olhos, como quem disputa uma final para ser campeão, o nosso voltou com uma displicência de treino de pré-temporada. E nós, na 19ª posição, também estávamos numa final. Uma vitória nos tiraria do Z-4. Mas parece que só a torcida sabia disso.

A galeria dos horrores: os responsáveis pelo vexame

Não dá mais para passar pano. A derrota por 4 a 1 não foi um acidente, foi uma construção de erros primários, de falta de postura. É preciso nomear os bois. O problema não é só técnico, é mental. É uma falta de concentração que beira o amadorismo.

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Vamos aos fatos. O primeiro gol deles, de Flaco López, nasce de uma marcação frouxa, um espaço que não se dá nem no futebol de areia com os amigos. É o cartão de visitas do que viria pela frente.

Depois, o show de horrores particular de alguns jogadores. Cuesta, um zagueiro experiente, primeiro falha bisonhamente no lance do primeiro gol e, não contente, comete um pênalti infantil que resulta no segundo. É inaceitável. Um jogador com a sua bagagem não pode ter um apagão desses.

Para completar o desastre, o terceiro gol é uma comédia de erros. Sosa, que entrou pra dar segurança, fura uma bola de maneira bizarra numa antecipação. A bola sobra para Maurício, que chuta fraco, mascado. E Léo Jardim, nosso paredão em tantos jogos, aceita. Um gol defensável que selou o caixão ali mesmo. Com 3 a 0 no placar, até o técnico Pedro Emanuel jogou a toalha, tirando Thiago Mendes e Cuiabano já pensando no jogo contra o Vitória.

E o quarto gol? Adivinha. Flaco López, de novo, com toda a liberdade do mundo dentro da nossa área para escolher o canto. Não é azar, não é macumba. É incompetência. É dar espaço para o adversário brilhar. Nenhum time da Série A pode ser tão generoso na sua própria defesa.

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Uma luz no fim do túnel: Colidio e Avellar

Em meio ao caos e à vergonha, duas notícias minimamente decentes. A primeira tem nome e sobrenome: Colidio. O camisa 9, que era titular do River Plate, entrou e mostrou que tem um lugar cativo nesse time. Ele precisa ser titular pra ontem! É um jogador de outro nível, que não pode ficar no banco enquanto vemos nosso ataque desperdiçar chances.

A outra boa surpresa foi o garoto Avellar. O lateral da base entrou numa fogueira desgraçada e não se escondeu. Mostrou personalidade, foi pra cima, tentou jogar. É desse tipo de atitude que precisamos. De gente que sente o peso da camisa, mas não se acovarda.

Agora é Copa do Brasil. E aí, Vascão?

A grande questão que fica é: qual Vasco entrará em campo contra o Vitória, no meio da semana, pela Copa do Brasil? Aparentemente, nesse tipo de jogo, o problema de concentração não é tão grave. O time se mostra mais competitivo, mais ligado.

O problema, no entanto, continua sendo a falta de pontaria. Como disse o próprio Pedro Emanuel, “futebol é gol”. Não adianta jogar bem 45 minutos, criar oportunidades e não matar o jogo. Contra o Vitória, em São Januário, precisaremos de um bom resultado para decidir a vaga lá no Barradão. E para isso, meus amigos, a bola precisa entrar.

Para nossa sorte, se é que podemos falar em sorte, a rodada do Brasileirão não foi um desastre completo. Os resultados paralelos nos ajudaram, e o Gigante da Colina segue a apenas três pontos de deixar essa maldita zona de rebaixamento. É pouco, mas é a esperança à qual nos agarramos. Mas uma coisa é certa: se os jogadores não se ajudarem, não há tabela que nos salve. A mudança precisa vir de dentro. De postura, de vergonha na cara e de respeito por essa torcida que nunca abandona.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.