A Dor que Todo Vascaíno Sente
Tem dias que ser vascaíno é um exercício de fé, e tem dias que é um teste de resistência. Após a dolorosa goleada de 4 a 1 sofrida para o Palmeiras, neste domingo, pela 24ª rodada, o sentimento que tomou conta do povo cruzmaltino foi de desolação. E ninguém resumiu melhor essa sensação do que um dos nossos, o streamer e torcedor fanático Casimiro Miguel.
Pressionado em sua live a comentar sobre a chance de mais um rebaixamento, Cazé fez o que muitos de nós temos vontade de fazer: ele se calou. Não por falta de opinião, mas talvez por excesso de dor. A recusa em falar sobre o abismo diz mais do que qualquer análise tática.
‘Não Vou Falar’: O Silêncio que Grita
Durante sua transmissão, a pergunta que assombra os nossos pesadelos veio à tona. E a resposta de Casimiro foi um mantra de negação, uma tentativa de proteger o mínimo de sanidade que ainda nos resta.
— Que isso, cara. Não vou falar, não. Não vou falar. Não vou falar. Não irei falar porque… perde a graça do campeonato, tá ligado? Perde a graça da competição. Não adianta eu falar — desabafou o streamer.
Quem nunca se sentiu assim? Quem nunca desligou a TV, se recusou a olhar a tabela ou a fazer as contas? O silêncio de Casimiro é o nosso silêncio. É a superstição, o medo, a recusa em aceitar o pior antes da hora. É a alma de um torcedor do Gigante da Colina exposta para milhões.
A Ilusão de um Primeiro Tempo Digno
O mais cruel da derrota no Nubank Parque foi a esperança que ela nos deu. Sim, por 45 minutos, o Vascão foi superior. Jogando fora de casa, contra o líder, o time do técnico Fernando Diniz mostrou a que veio. Com a defesa bem postada, encontramos espaços e criamos as melhores chances.
Thiago Mendes e David levaram perigo real ao gol de Carlos Miguel. Vimos um time com ímpeto, buscando o jogo, enquanto o Palmeiras parecia perdido, dependendo de lampejos individuais de Allan. O placar de 0 a 0 no intervalo parecia injusto; merecíamos mais. Era o Vasco que a gente gosta de ver, o Vasco que luta.
O Apagão de 10 Minutos que Destruiu Tudo
Mas, como uma história trágica que se repete, a esperança virou pó em um piscar de olhos. O segundo tempo começou, e com ele, o nosso pesadelo. Foram necessários apenas dez minutos para o Palmeiras transformar nossa dignidade em humilhação.
Aos dois minutos, Flaco López acerta um chute improvável no ângulo de Léo Jardim. Um golaço, é verdade, mas que abriu a porteira. Quatro minutos depois, um pênalti convertido por Vitor Roque. E aos 11, para selar a avalanche, Mauricio aproveitou um contra-ataque para fazer o terceiro. O 4 a 1 foi apenas a confirmação do desastre.
É a doença do Vasco: um time que joga bem, nos faz acreditar, e depois se desliga da vida em um apagão inexplicável. É de doer na alma.
A Dura Realidade da Tabela
O resultado, claro, nos mantém exatamente onde não queríamos estar: no fundo do poço. A situação na tabela é delicadíssima. Com apenas 22 pontos, o Cruz-Maltino amarga a penúltima colocação do Brasileirão.
Neste momento, a nossa triste realidade é estar à frente apenas da Chapecoense. Olhar para essa classificação é o que nos faz entender perfeitamente a reação de Casimiro. Às vezes, a única forma de seguir em frente é não olhar para trás, nem para os lados.
Agora, a pergunta fica no ar, ecoando com o silêncio do Cazé: ainda há tempo? Ainda há forças? Como torcedores do Almirante, a resposta é sempre sim. Mesmo que, por dentro, a gente só queira que esse campeonato perca a graça, como ele disse. Porque a graça, para nós, é ver o Vasco vencer.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.