Que noite, Gigante! Isso é Vasco!
São Januário pulsou. A torcida que nunca abandona fez sua parte e o time correspondeu em campo. Jogar com um a menos desde os 17 minutos do primeiro tempo? Para muitos, seria o fim. Para o Vasco da Gama, foi só o começo de uma noite de raça, inteligência e superação. A vitória por 1 a 0 sobre o Vitória na Copa do Brasil foi magra no placar, mas gigantesca no significado.
Esqueça a apatia do Brasileirão. O que vimos no Caldeirão foi o famoso “espírito copeiro” que o professor Pedro Emanuel tanto pede. Foi uma atuação de manual, onde a tática, a entrega e o talento individual falaram mais alto que a desvantagem numérica. E que show dos nossos heróis: Léo Jardim, uma muralha intransponível; Andrés Gómez, com um toque de gênio; e Pedro Emanuel, o maestro que regeu a orquestra mesmo com um músico a menos.
A Mente Brilhante de Pedro Emanuel
Vamos ser sinceros. Quando Barros foi expulso aos 17 minutos, um calafrio percorreu a espinha de todo vascaíno. A lembrança do desastre contra o Palmeiras veio à tona. Mas Pedro Emanuel provou, mais uma vez, que é um técnico de verdade. Ele não se desesperou. Pelo contrário, leu o jogo com uma frieza cirúrgica.
Com uma substituição ainda na primeira etapa, o português arrumou a casa. Ele entregou a posse de bola ao adversário, uma isca perfeita. Sabendo que a maior força do time de Jair Ventura era o ataque pelos lados, Emanuel montou um ferrolho que simplesmente anulou o Vitória. E mais: criou uma arma mortal para o adversário se preocupar.
O resultado? Jair Ventura passou o resto do jogo com uma dor de cabeça chamada contra-ataque. Cada vez que o Vitória tentava avançar, lá estavam Paulo Henrique, Gómez e o incansável Colidio prontos para disparar em velocidade. Foi uma aula de como se adaptar a uma situação adversa e virar o jogo taticamente.
Uma Muralha e uma Flecha: Léo Jardim e Andrés Gómez
Se a tática foi perfeita, a execução individual foi sublime. E precisamos falar de dois nomes. Primeiro, o nosso paredão: Léo Jardim. Que goleiro, meus amigos! Não é à toa que há três anos ele é considerado o goleiro mais decisivo da Copa do Brasil. Ele fez defesas seguras o jogo todo e, no final, quando o Vitória achou sua única grande chance, ele estava lá, gigante, para salvar o resultado. Uma defesa que valeu como um gol.
E se Léo Jardim garantiu o zero no nosso placar, o pé esquerdo de Andrés Gómez garantiu o um no deles. Que golaço! Um chute preciso, com a categoria que a gente espera de um ponta do Vascão. Foi o lance de um jogador diferente, que chamou a responsabilidade e decidiu a partida. Uma pintura em pleno São Januário.
O Coração do Time com um a Menos
Muitos se perguntaram como o meio de campo se comportaria sem Barros. A resposta veio em forma de duas atuações monstruosas: Ramon Rique e Thiago Mendes. Os dois foram os pulmões e o cérebro do time. Correram por eles e pelo companheiro expulso.
Eles não apenas desarmaram e protegeram a nossa zaga. O mais impressionante foi que, mesmo com a inferioridade numérica, eles mantiveram o Vasco criativo. Souberam a hora de cadenciar, a hora de acelerar e encontraram passes que quebraram a linha do Vitória. Foram essenciais para que a estratégia de contra-ataque de Pedro Emanuel funcionasse com perfeição.
Poderia (e Deveria) Ter Sido Mais Fácil
A alma vascaína é feita de sofrimento, mas convenhamos: a vantagem para o jogo de volta em Salvador poderia ter sido bem maior. O placar de 1 a 0 não reflete o volume de chances claras que o Gigante da Colina criou. A vitória foi incontestável, mas perdemos a chance de matar o confronto.
Spinelli teve duas oportunidades de ouro no primeiro tempo, e em uma delas, todo o estádio pediu pênalti. Colidio, sempre perigoso, carimbou a trave. Puma também arriscou e mandou por cima. O time pecou no último passe, na decisão final. Como no lance em que Paulo Henrique invadiu a área sozinho e não soube se cruzava ou finalizava. São detalhes que em mata-mata podem custar caro. Fica a lição.
Agora é Manter o Espírito no Brasileirão
Essa vitória foi um bálsamo. Recuperou a confiança do elenco depois da pancada sofrida contra o Palmeiras e nos deu uma vantagem importante para o jogo da próxima quarta-feira. Mostrou que temos um time com padrão de jogo, que sabe se adaptar e competir.
Mas o recado está dado. O desafio agora é transportar essa concentração de 101%, essa raça vascaína, para o Campeonato Brasileiro. No sábado, temos uma final contra o Cruzeiro. Um jogo talvez até mais importante que o de ontem. E com a nossa torcida, que mais uma vez foi um jogador a mais, empurrando, cantando e carregando o time nas costas, temos tudo para começar a virada de chave. Vamos subir, Vascão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.