Tem coisas que só acontecem com o Vasco da Gama. E uma delas é essa capacidade de transformar o impossível em rotina. No último lance, no Maracanã lotado, contra o nosso maior rival, buscar um empate depois de estar perdendo por dois gols… Ah, meu amigo, isso não é só um ponto. É uma declaração. E quem traduziu esse sentimento foi o nosso comandante, Renato Gaúcho, que na coletiva foi cirúrgico: esse empate teve um delicioso ‘sabor de vitória’.
O povo cruzmaltino que foi ao estádio ou sofreu pela TV sabe do que ele está falando. Ver o time deles murchar e o nosso crescer no final é algo que lava a alma. Renato reconheceu a diferença de investimento, a qualidade do elenco adversário, mas bateu no peito para exaltar o que realmente importa: a entrega e a personalidade do nosso Vascão.
O Time da Virada não se entrega!
A famosa música da arquibancada nunca fez tanto sentido. Renato Gaúcho, em um momento de pura sintonia com a história do clube, revelou um dado impressionante. “Tive uma informação no vestiário. Dos 16 pontos (comigo), 11 o Vasco correu atrás para ganhar. Prova a música que o Vasco é o time da virada”, disse o treinador.
E que prova! Sair perdendo por 2 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, seria o roteiro do desastre para muitos. Mas não para este grupo. Com gols de Robert Renan e do predestinado Hugo Moura, o Gigante da Colina mostrou que a camisa pesa, e como pesa!
“O time sabe reagir, tem essa entrega. É difícil enfrentar o Flamengo e mesmo assim estávamos bem o tempo todo. Soubemos reagir mesmo com 2 a 0 no placar. Não é fácil. A equipe não se entregou, teve atitude e buscou o empate”, completou o nosso técnico. É essa atitude que a gente quer ver sempre!
Bater de frente com eles não é pra qualquer um
Renato não se ilude. Ele sabe o poderio financeiro do outro lado. Com a honestidade que lhe é característica, ele admitiu a superioridade do elenco rubro-negro. “O time do Flamengo sempre briga pelo título por isso, a qualidade deles é muito grande e diferenciada. Praticamente tem dois times”, analisou.
Mas qual foi a ordem para os nossos guerreiros? “Falei para os nossos jogadores vamos pelo menos competir. A qualidade deles sem dúvida é melhor que a nossa mas vale muito a vontade em campo. Eu vi a entrega do meu time e o reconhecimento da torcida”, afirmou, orgulhoso.
E foi exatamente isso que vimos. Uma equipe que não se acovardou, que lutou por cada palmo do gramado. Como o próprio Renato disse, “o Vasco bateu de frente com o Flamengo”. E no final, os números provaram que o jogo foi parelho. Raça vascaína em sua mais pura essência.
A Tropa do Renato: ‘Não tem cláusula de titularidade’
O comandante também aproveitou para mandar um recado claro para o grupo e para a imprensa. Questionado sobre a titularidade de Brenner e a possível desmotivação de jogadores como Spinelli e Adson no banco, Renato foi direto.
“Desmotivado? Os caras usando uma camisa desse peso? Com uma torcida como o Vasco? Com o salário que eles ganham? Se o jogador estiver desprestigiado ele não pode estar no grupo do Vasco”, disparou.
Ele explicou que as escolhas são baseadas em estratégia e condição física, citando o caso de Gomes, que veio de lesão e só pôde atuar por um tempo. “Eu tenho informações, vocês não tem. Eu sei quantos minutos que eles podem jogar. […] Sou pago para pensar e fazer o melhor para o grupo”.
Lembrou que Spinelli, por exemplo, fez dois gols contra o Paysandu e jogou 90 minutos contra o Olímpia. A mensagem é clara: o grupo é a estrela. Quem entra tem que dar conta do recado, seja David, Brenner ou qualquer outro. No Vascão do Renato, não tem espaço para corpo mole.
Hugo Moura, o ‘Xodó’ que decidiu
O futebol adora uma história de redenção. E o gol de empate veio dos pés de um jogador que passou por momentos difíceis, sendo alvo de vaias da torcida. Hugo Moura. Renato Gaúcho fez questão de defender seu atleta, revelando um lado interno do elenco.
“O Hugo é o xodó do grupo. Tem jogado bastante comigo. O momento da equipe quando chego aqui não era muito bom, alguns jogadores estavam sendo vaiados. Importante é que ele nunca deixou de trabalhar. Tem minha confiança e dos companheiros”, contou o treinador.
O gol, segundo Renato, foi fundamental para o jogador recuperar a confiança do torcedor. “Hoje foi importante para ele ter novamente a confiança do nosso torcedor, fez um gol importantíssimo. Isso é bom para ele”. E é bom para nós, que vimos um atleta honrar a camisa e ser decisivo no maior clássico do país.
Próximos desafios no Caldeirão e fora
O empate heroico já ficou para trás. O foco agora é na sequência pesada que vem pela frente. Na quarta-feira, o compromisso é pela Copa Sul-Americana, contra o Audax Italiano, lá no Chile. Um jogo crucial para as nossas pretensões continentais.
Logo depois, no domingo, o reencontro com a nossa gente. O Almirante volta a campo pelo Brasileirão para enfrentar o Athletico, e o palco será o nosso Caldeirão de São Januário. É hora de transformar a raça do clássico em mais uma vitória em casa.
Com esse espírito, com essa entrega e com um comandante que entende o que é ser Vasco, a gente pode sonhar. Que venham os próximos desafios, porque o time da virada está mais vivo do que nunca!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.