Um Caldeirão que Ferveu de Raiva
Domingo em São Januário deveria ser dia de festa, de empurrar o Vascão para mais uma vitória. Mas o que a torcida vascaína presenciou neste domingo (24) foi um show de horrores, uma noite para ser esquecida, mas que vai demorar a sair da nossa memória. Fomos atropelados. Em casa. Um 3 a 0 para o Red Bull Bragantino que escancara a nossa frágil realidade na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O placar, por si só, já é doloroso. Mas a forma como aconteceu, a apatia em campo e a reação inevitável das arquibancadas transformaram a derrota em uma humilhação pública. O grito de “time sem vergonha” que ecoou no nosso Caldeirão não foi um xingamento qualquer, foi o desabafo de uma torcida que, mais uma vez, se sentiu traída.
Do Início Promissor ao Pesadelo no Primeiro Tempo
O mais cruel é que a partida até começou com uma centelha de esperança. O Vasco entrou em campo parecendo disposto, pressionou e chegou a criar uma chance claríssima com Spinelli. Sozinho, ele preferiu o chute, defendido por Tiago Volpi, quando tinha duas ótimas opções de passe. Teria sido diferente? Nunca saberemos. Foi o nosso último suspiro de otimismo.
Aos poucos, o Bragantino foi se sentindo à vontade no nosso tapete. Tomou conta da bola, dominou as ações e o nervosismo, que já era um companheiro fiel do vascaíno, começou a tomar conta das arquibancadas. A tragédia estava anunciada e se concretizou aos 46 minutos da primeira etapa.
Rodriguinho avançou pelo meio sem ser incomodado, como se estivesse passeando no parque, e soltou uma bomba de longe. Léo Jardim até pulou, mas a bola morreu no fundo da nossa rede. O apito do intervalo veio junto com uma avalanche de vaias e protestos. O principal alvo? O lateral Lucas Piton, acusado pela torcida de não ter acompanhado o lance do gol.
Uma Sequência de Erros e a Fúria da Torcida
Se alguém esperava uma reação na volta do vestiário, se decepcionou rápido. O Bragantino continuou melhor. Aos 7 minutos, a paciência da massa vascaína acabou de vez quando o técnico Renato Gaúcho sacou o já vaiado Piton para colocar Cuiabano. A troca foi recebida com ainda mais vaias.
Por um breve momento, a mudança pareceu surtir efeito. Aos 11, Spinelli, de novo ele, quase empatou numa bola que desviou em Gustavo Marques e saiu de forma inacreditável. Mas era só um falso alarme. O time paulista era letal.
Aos 15 minutos, a porteira abriu de vez. Numa jogada que expôs toda a nossa fragilidade defensiva, Mosquera passou como quis pelo jovem Mutano e cruzou para Pitta só empurrar para o gol. 2 a 0. Foi a senha. O Caldeirão, que antes apoiava, explodiu em fúria com os gritos de “time sem vergonha”.
Para completar o vexame, veio o terceiro gol, fruto de uma falha horrorosa do zagueiro Saldivia. Um presente que selou o caixão. Foi a gota d’água. Copos foram atirados em campo e os xingamentos se concentraram na figura do técnico Renato Gaúcho. A humilhação só não foi maior porque, aos 41 minutos, Eduardo Sasha isolou uma cobrança de pênalti, desperdiçando a chance de uma goleada histórica.
Na Beira do Abismo: Como Fica o Gigante?
A derrota é um desastre completo. Com o resultado, o Vasco da Gama estaciona nos 20 pontos e despenca para a 16ª posição, a um passo da zona de rebaixamento. A “degola” é aberta pelo Santos, que tem 18 pontos e ocupa o 17º lugar. Estamos flertando perigosamente com o abismo.
Enquanto isso, o Red Bull Bragantino comemora. Com os três pontos conquistados em São Januário, o time paulista salta para 26 pontos e assume a 5ª colocação, dentro da zona de classificação para a Libertadores. A diferença de realidades é um soco no estômago do povo cruzmaltino.
A noite de domingo foi um reflexo duro da nossa situação. Não basta ter um estádio pulsando se o time em campo não corresponde com o mínimo de raça vascaína. A torcida fez sua parte, como sempre. Agora, resta a pergunta que não quer calar: quem vai fazer a sua?