A paciência acabou (de novo)
Parece um roteiro repetido, daqueles que a gente já sabe o final, mas insiste em assistir com o coração na mão. A torcida do Vasco, mais uma vez, foi obrigada a levantar a voz. Nesta segunda-feira (25), o CT Moacyr Barbosa foi novamente o palco de um protesto, o quarto desde que nosso ídolo Pedrinho assumiu a presidência, em janeiro de 2024. É a prova de que o amor pode ser gigante, mas a paciência do povo cruzmaltino tem limite.
Desta vez, os torcedores permaneceram do lado de fora, um grito de alerta à distância. Mas a mensagem é a mesma de sempre: queremos resultados, queremos raça, queremos um Vasco que honre sua história. É o quarto capítulo de uma saga de cobranças que começou a ser escrita com vexames inesquecíveis (infelizmente).
Um histórico de humilhações e cobranças
Para quem não se lembra ou tentou apagar da memória, vale a pena recapitular o filme de terror que nos trouxe até aqui. Cada protesto foi uma resposta direta a uma humilhação em campo, uma ferida aberta na alma do vascaíno.
- Ato 1: O vexame contra o Criciúma. A primeira cobrança veio quatro meses após a posse de Pedrinho. Depois de levar um 4 a 0 do Criciúma DENTRO de São Januário, o Caldeirão foi profanado. Membros de organizadas entraram no CT, foram para cima dos jogadores e do então CEO, Lúcio Barbosa. A conta chegou rápido: o técnico Ramón Díaz caiu.
- Ato 2: A goleada que não se esquece. Pouco mais de um mês depois, o pior dos pesadelos. Uma goleada de 6 a 1 para o nosso maior rival na estreia do técnico Álvaro Pacheco. A diretoria, talvez sentindo o tamanho da vergonha, autorizou a entrada dos torcedores no CT. A cobrança foi dura e nominal. O atacante Rayan, que hoje está no Bournemouth da Inglaterra e foi até convocado para a Seleção, teve que parar o carro para ouvir poucas e boas. Faixas de “Vergonha” e xingamentos a jogadores como o zagueiro Léo, chamado de “Capitão frouxo”, além de críticas a Galdames e Maicon, deram o tom. Álvaro Pacheco, coitado, durou só quatro jogos. O interino Rafael Paiva assumiu para apagar o incêndio.
- Ato 3: A ressaca Sul-Americana. A fonte nos leva a julho de 2025 (sim, você leu certo), após uma derrota por 4 a 0 para o Independiente del Valle pela Copa Sul-Americana. Naquele momento, o Vascão amargava a 15ª colocação no Brasileirão, com míseros 13 pontos em 13 rodadas. Mais uma vez, com autorização do clube, as organizadas entraram para uma conversa “ao pé do ouvido” com o elenco. E, pasmem, funcionou. O time reagiu, se afastou do Z4, brigou por vaga na Libertadores e ainda chegou à final da Copa do Brasil, sendo derrotado pelo Corinthians. Uma prova de que, às vezes, um chacoalhão funciona.
Pedrinho no centro do furacão
Quatro protestos em menos de um ano de gestão. O recado é claro e direto para o nosso presidente e ídolo, Pedrinho. A torcida o colocou lá na esperança de dias melhores, de um Vasco gerido por quem entende o peso dessa camisa. Mas o futebol, meus amigos, não vive de nostalgia.
A situação é delicada. De um lado, a SAF e suas decisões. Do outro, o clube associativo, presidido por uma lenda, que se vê no meio do fogo cruzado. Os protestos no CT Moacyr Barbosa são um termômetro da insatisfação geral. A torcida que elegeu Pedrinho é a mesma que agora cobra, que exige uma mudança de rota urgente.
Não há mais espaço para derrotas acachapantes, para posturas apáticas em campo. O recado desta segunda-feira, mesmo do lado de fora dos portões, ecoou tão alto quanto os gritos de dentro do CT nas outras ocasiões.
Até quando, Gigante?
O sentimento do torcedor vascaíno é de um cansaço guerreiro. Cansaço de sofrer, de passar vergonha, de ver nosso time virar notícia pelos motivos errados. Mas somos guerreiros porque, mesmo cansados, não desistimos. Voltamos a acreditar, a lotar estádio, a apoiar.
O quarto protesto na era Pedrinho não é apenas um número. É um símbolo de uma relação que está por um fio. A torcida fez sua parte mais uma vez. Agora, a bola está com a diretoria, com a comissão técnica e, principalmente, com os jogadores que vestem o manto sagrado.
Até quando vamos viver esse ciclo de vexame, protesto e uma breve reação? O Gigante da Colina merece mais. A torcida, que nunca abandona, está mostrando (de novo) que a paciência não é infinita. A pergunta que fica no ar, ecoando pelos muros do CT, é: quem está ouvindo?