NADA MUDOU? Estreia de Pedro Emanuel tem ‘presente’ de Barros e Vasco afunda no Z4

Estreia do técnico Pedro Emanuel tem gosto amargo. Com erro bizarro de Barros e gol da 'Lei do Ex', Vasco perde para o Vitória e afunda de vez no Z4.

Pedro Emanuel em estreia pelo Vasco, contra o Vitória — Foto: Walmir Cirne/AGIF

Um soco na cara da realidade

Acabou a espera, torcedor vascaíno. Foram 46 longos dias de saudade, de expectativa, de esperança por um novo começo. E o que recebemos? Um tapa de realidade. A estreia de Pedro Emanuel no comando do Gigante da Colina veio com o roteiro que já conhecemos de cor: uma atuação apática, um erro individual grotesco e uma derrota dolorida. O placar de 1 a 0 para o Vitória, nesta quinta-feira, pela 19ª rodada do Brasileirão, não é apenas um resultado ruim. É um alerta ensurdecedor de que o fantasma do rebaixamento está mais vivo do que nunca.

Depois de um mês e meio assistindo ao futebol de alto nível da Copa do Mundo, voltar a ver o nosso Vascão foi um choque. Aquele time sem confiança, de baixa intensidade, que vimos pela última vez contra o Atlético-MG no dia 31 de maio, estava lá, intacto. Como se o tempo não tivesse passado. Como se nada tivesse mudado. E, na prática, pouco mudou mesmo.

Um filme de terror que já vimos antes

Seria injusto, e nós sabemos disso, culpar Pedro Emanuel. O português foi apresentado na segunda-feira e teve míseros três dias para tentar implantar alguma ideia. Da beira do campo, ele gesticulava, cobrava intensidade, mostrava o incômodo que todo vascaíno sentia. Mas milagres não existem no futebol.

O novo comandante manteve a base que vinha atuando, até por falta de tempo e opções. A única alteração foi a saída de Andrés Gómez, que voltou da seleção colombiana e, compreensivelmente, não tinha ritmo para ser titular. Nuno Moreira entrou em seu lugar, mas esteve no mesmo tom do resto da equipe: apagado. O nosso único reforço confirmado até agora, Paulinho, nem sequer foi relacionado por opção técnica.

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Em campo, o que se viu foi a dificuldade de sempre na criação. O trio de meio-campo com Nuno, Rojas e Adson não se encontrou, acumulando passes errados. Lá na frente, Spinelli lutou uma batalha solitária e inglória contra os zagueiros baianos. Era um time estéril, que pouco ameaçou o gol adversário.

O erro que não perdoa e a ‘Lei do Ex’ implacável

O mais cruel é que o Vitória também não fazia uma grande partida. E essa tem sido a tônica do nosso Brasileirão: para ganhar do Vasco, não precisa jogar bem. Basta esperar o nosso erro. E ele sempre vem. Não é à toa que somos o time com mais gols sofridos por falhas individuais no campeonato.

Desta vez, o vilão da noite atende pelo nome de Barros. Aos 23 minutos do segundo tempo, no momento em que o Vasco até parecia um pouco mais organizado, o volante recebeu uma bola de Robert Renan na entrada da nossa área. O que aconteceu a seguir foi inacreditável. Ele dormiu no ponto, demorou uma eternidade para decidir o que fazer e foi desarmado.

E por quem? Por ele. Sempre ele. Renato Kayzer. A cria de São Januário, que parece ter um prazer especial em nos castigar. Cara a cara com Léo Jardim, não perdoou. Foi o sexto gol dele contra o Vasco, sua maior vítima na carreira. Uma facada no coração do povo cruzmaltino.

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O que diz o ‘Mister’ e o que esperar agora?

Após o apito final, Pedro Emanuel tentou manter a calma. Em suas palavras, o momento é ‘menos bom’, não ‘muito ruim’. Ele sabe da responsabilidade que é treinar um clube gigante como o nosso e da pressão que isso acarreta. Falou em trabalho, rigor e competência para superar a fase.

“O que nos alimenta é olhar pra tabela e ver que o campeonato é muito competitivo e equilibrado. Uma ou duas vitórias já mudam”, afirmou o técnico. “Temos que saber viver com essa pressão, ela faz parte do futebol. Com o tempo, vamos superar isso.”

A verdade é que a trajetória do nosso novo comandante começou com o pé esquerdo. Fechamos o primeiro turno com 20 pontos e atolados na zona de rebaixamento, na 17ª posição. Agora, não há tempo para lamentar. Na próxima quarta-feira, o desafio é na Colômbia, contra o Independiente Medellín, pela Copa Sul-Americana.

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É hora de virar a chave, mas a pergunta que fica é: com essas mesmas peças e esses mesmos erros, é possível acreditar? A nós, fiéis do Gigante, só nos resta apoiar. Porque Vasco é coisa séria e a gente nunca abandona. Vamos subir, Vascão!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.