A paciência da torcida tem limite, Renato!
Outra vez. Outra derrota dolorida dentro de casa. O Caldeirão de São Januário pulsou com mais de 20 mil almas vascaínas neste domingo (31), mas o que se viu em campo foi o mesmo filme de terror que assombra a nossa temporada. O Vascão perdeu por 1 a 0 para o Atlético-MG, pela 18ª rodada do Brasileirão, e o resultado nos jogou de volta para o temido Z-4. E o recado da torcida nas redes sociais foi direto para um endereço: o do técnico Renato Gaúcho.
A derrota não foi apenas um placar. Foi a constatação de uma ineficiência que irrita, que dói na alma. Com o resultado, o retrospecto recente do nosso comandante é de arrepiar: apenas uma vitória nos últimos seis jogos, contando todas as competições. E uma vitória contra o Barracas, com todo respeito, não serve de parâmetro para o Gigante da Colina. A torcida sabe disso. E parece que está cansada de esperar por uma reação que não vem.
Um filme repetido em São Januário
O jogo começou com um susto que demos no adversário. Uma boa jogada de Johan Rojas parecia indicar um Vasco diferente, agressivo. Doce ilusão. Foi um lampejo no meio da escuridão. Aos poucos, o time comandado por Eduardo Domínguez foi tomando conta do jogo, encontrando avenidas no nosso meio-campo e explorando a velocidade.
O Atlético-MG não precisou ser brilhante, apenas organizado. E o nosso Gigante, mesmo com um volume de 11 finalizações só no primeiro tempo, mostrava uma dificuldade crônica no terço final do campo. A bola queimava no pé, a decisão era sempre a errada. Era um domínio estéril, um volume de jogo que não se convertia em perigo real. Um time que roda, roda, roda e não sai do lugar.
O gol que todo mundo viu chegando
Antes do castigo, nosso paredão Léo Jardim ainda operou dois milagres em lances de Reinier – que só foi titular porque Cassierra, coitado, sentiu um problema muscular no aquecimento. Mas santo nenhum consegue segurar a barra quando a defesa inteira vacila. E o gol do Galo veio da forma mais previsível e dolorosa: a bola aérea.
Aos 25 minutos, o veterano Bernard, sempre ele, cruzou na medida. O zagueiro Vitor Hugo subiu sozinho, mais alto que todo mundo, e cabeceou forte, no canto. Sem chance alguma para Léo Jardim. Um gol que expõe uma fragilidade que se repete jogo após jogo. Um gol que a torcida, do alto da arquibancada, já previa. É o tipo de lance que faz a gente se perguntar: o que é treinado durante a semana?
Inoperância ofensiva: 25 chutes para absolutamente nada
No segundo tempo, empurrado pela sua gente que nunca abandona, o Vascão até tentou. Tomou conta da posse de bola, acuou o adversário. Mas aí, o retrato da nossa miséria futebolística ficou ainda mais claro. Foram 25 finalizações ao todo na partida. VINTE E CINCO. E apenas oito na direção do gol. É um número que grita ‘desespero’ e ‘falta de qualidade’.
Enquanto a gente se matava para criar e errava o alvo de forma constrangedora, o Atlético-MG se defendia com tranquilidade, contando com uma grande atuação do goleiro Everson e gastando o tempo. Renato Gaúcho até tentou mudar o cenário com as entradas de Cissé e Alexsander, que deram um gás novo, mas era tarde demais. O time não tem repertório, não tem jogada ensaiada, não tem um plano B quando o A já não funciona há muito tempo.
O recado está dado. E agora, Renato?
A vitória deu ao Galo um salto para 24 pontos na tabela. Para nós, sobrou o amargo sabor de voltar para a zona de rebaixamento e a certeza de que algo precisa mudar. E rápido. O recado que os torcedores mandaram nas redes sociais, com a frase ‘Todos sabemos’, é um resumo perfeito do sentimento.
Todos sabemos que finalizar 25 vezes e não marcar é inaceitável. Todos sabemos que tomar gol de bola aérea todo jogo é falha de treinamento. Todos sabemos que com apenas uma vitória em seis jogos, o trabalho está muito abaixo do esperado. A torcida fez sua parte, mais uma vez. Lotou o estádio, cantou, apoiou. Mas a paciência não é infinita. O recado foi dado. A pergunta que não quer calar é: o senhor ouviu, Renato?
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.