RENATO, A CULPA É SUA? Vasco joga mal, perde e amarga 52 dias no Z-4

Derrota em casa por 1 a 0, 52 dias no Z-4 e escolhas de Renato Gaúcho que não funcionam. O sinal de alerta está ligado no Gigante da Colina.

Vitor Hugo comemora gol do Atlético-MG contra o Vasco — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

Um balde de água fria no Caldeirão

Não era assim que a gente queria ir para a pausa da Copa do Mundo. Definitivamente não era. O plano, traçado com pompa e circunstância, era claro: priorizar o Campeonato Brasileiro, espantar de vez o fantasma do rebaixamento que tanto nos assombra e ter um pouco de paz. Mas o futebol, meus amigos, é uma caixinha de surpresas cruéis. A derrota para o Atlético-MG, dentro do nosso sagrado São Januário, foi o último prego no caixão do nosso semestre. O objetivo principal falhou. E agora, vamos amargar três longas semanas com o Vascão na 17ª colocação, abrindo a maldita zona de rebaixamento.

A sensação é de ressaca. Uma ressaca que não vem da festa, mas da frustração. Ver o time lutar e não conseguir, ver o planejamento ir por água abaixo, dói na alma de qualquer vascaíno. O Gigante da Colina, que deveria estar olhando para cima, vai para o recesso olhando para o abismo. E isso, para quem carrega a Cruz de Malta no peito, é simplesmente inaceitável.

O plano que (ainda) não funcionou

Vamos ser justos: a estratégia parecia fazer sentido. Quando Renato Gaúcho chegou, o time era o lanterna do campeonato, com um mísero ponto em quatro rodadas. O caos estava instalado. A diretoria e o departamento de futebol compraram a ideia do treinador: foco total no Brasileirão. O resto era resto.

A prova disso foi a Copa Sul-Americana. Das seis partidas que disputamos na fase de grupos, em cinco delas entramos com uma equipe completamente reserva. A mensagem era clara: a Sula era um bônus, um laboratório. A prioridade absoluta, a nossa verdadeira Copa do Mundo, era cada rodada do campeonato nacional. A diretoria concordou, o planejamento foi selado. Tudo para evitar o sofrimento que já conhecemos tão bem.

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No início, a aposta pareceu certeira. O time engatou uma sequência de vitórias importantes contra Palmeiras, Fluminense e Grêmio. A torcida se animou, a esperança voltou a pulsar e chegamos a sonhar até com uma vaguinha na pré-Libertadores. Mas o fôlego acabou. As últimas três derrotas consecutivas no Brasileiro nos jogaram de volta para o pesadelo.

“Campanha muito boa”: A análise polêmica de Renato Gaúcho

Após a derrota dolorida para o Galo, Renato Gaúcho foi aos microfones. E sua análise, para dizer o mínimo, dividiu opiniões. É preciso ter estômago para ouvir certas coisas quando se está na zona da degola. Mas vamos aos fatos e às palavras do comandante.

Segundo Renato, o trabalho dele tem saldo positivo. E ele usou os números para se defender: “Comigo esse grupo ganhou 19 dos 42 pontos que disputou. É uma campanha muito boa. Infelizmente o Vasco não começou bem o campeonato”, declarou o técnico. Ele tem um ponto. O início com Fernando Diniz, que foi demitido após um desempenho ruim no Carioca e no começo do Brasileiro, foi desastroso.

Renato continuou, tentando colocar as coisas em perspectiva: “Está na zona de rebaixamento com 20 pontos, mas tem três/quatro clubes com 21 pontos, tem clubes com 22, tem clube em nono lugar com três pontos a mais do que a gente. Está muito embolado (…) O campeonato está bastante equilibrado nessa zona, e infelizmente vamos ficar essa folga para a Copa na zona”. É verdade, a tabela está embolada. Uma vitória nos tira dali. Mas ouvir “campanha muito boa” enquanto ocupamos a 17ª posição é um teste de paciência para o povo cruzmaltino. A intenção pode ser boa, de blindar o grupo, mas o sentimento da arquibancada é outro.

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As outras frentes e os números do semestre

Nem tudo foi terra arrasada. Em meio ao foco no Brasileiro, o Almirante conseguiu alguns respiros. Na Copa do Brasil, passamos pelo Paysandu com certa tranquilidade e garantimos nossa vaga nas oitavas de final. Na Sul-Americana, mesmo com os reservas, conseguimos a classificação em segundo lugar no Grupo G, atrás apenas do Olimpia. São feitos que mostram que o elenco tem, sim, seu valor.

Os números gerais de 2026 pintam o retrato de um time irregular. Em 35 jogos disputados até aqui, foram 12 vitórias, 11 empates e 12 derrotas. Um equilíbrio que nos deixa exatamente onde estamos: no meio da confusão. Marcamos 47 gols e sofremos 43, o que mostra que, se por um lado o ataque funciona, a defesa ainda precisa de ajustes urgentes.

E agora, Gigante?

O elenco agora terá três semanas de férias. A reapresentação está marcada para o dia 21 de junho. É tempo para esfriar a cabeça, lamber as feridas e, principalmente, para a comissão técnica e a diretoria repensarem os rumos. Não há mais margem para erro. O segundo semestre será ainda mais brutal e cada ponto será disputado com unhas e dentes.

A torcida vascaína, como sempre, fará sua parte. Estaremos lá, apoiando, cantando e empurrando. Mas a resposta precisa vir de dentro de campo. A pausa da Copa não é para descanso, é para reflexão e trabalho. Que essas três semanas sirvam para o Gigante da Colina acordar de vez. Porque o nosso lugar não é e nunca será na zona de rebaixamento. Vasco é coisa séria. Vamos subir!