De novo, de novo e de novo… A caça ao xerife
Parece um filme repetido, e dos ruins. A torcida vascaína mal respira aliviada em uma janela de transferências e o roteiro já volta a ser o mesmo: a busca desesperada por um zagueiro. Admar Lopes está na Europa, mapeando o mercado, mas a verdade é que o problema que ele tenta resolver do outro lado do oceano foi criado aqui mesmo, em São Januário, com apostas que, até agora, não deram em nada.
O setor defensivo do Gigante da Colina é, sem a menor sombra de dúvida, o mais pressionado e criticado dos últimos anos. A diretoria já tentou de tudo, promoveu reformulações, mandou gente embora como João Victor e Luiz Gustavo, trouxe novos nomes, mas a sensação é de que andamos em círculos. A cada novo erro, a cada gol sofrido, a mesma pergunta ecoa na arquibancada e nas redes sociais: até quando?
As apostas que viraram pesadelo: Saldivia e Cuesta
Dois nomes simbolizam perfeitamente essa frustração recente: Alan Saldivia e Cuesta. O uruguaio chegou na última janela como um pedido expresso do então técnico Fernando Diniz. A expectativa? Que trouxesse a raça charrua para a nossa defesa. A realidade? Um desastre.
Saldivia colecionou falhas em sequência e, para coroar a péssima fase, conseguiu a proeza de marcar TRÊS gols contra em poucos meses com a camisa cruzmaltina. De esperança, virou sinônimo de desconfiança e um alvo constante da ira (justificada) do povo vascaíno.
O caso de Cuesta é ainda mais doloroso. O colombiano chegou na segunda janela do ano passado e, por um momento, nos fez acreditar. Virou peça-chave do time, um dos destaques entre setembro e outubro. Parecia que, enfim, tínhamos encontrado nosso pilar. Mas a alegria do torcedor do Vasco dura pouco.
Em novembro, o time entrou numa espiral de derrotas no Brasileirão e o rendimento dele despencou junto. O golpe de misericórdia na moral do zagueiro com a torcida e com o clube veio na final da Copa do Brasil do ano passado. No Maracanã, contra o Corinthians, sua atuação foi um show de horrores, sendo um dos responsáveis diretos pela derrota. Mesmo com tudo isso, começou a temporada de 2026 como titular, mas nunca mais lembrou o jogador do início de sua passagem.
A dor de cabeça de Renato Gaúcho e o parceiro de Robert Renan
Enquanto a diretoria busca soluções, quem sofre no dia a dia é o técnico Renato Gaúcho. A zaga titular do Vascão é uma incógnita. Robert Renan, apesar de jovem, é o nome que parece ter um lugar cativo, mas a pergunta de um milhão de reais é: quem joga ao lado dele?
Com Saldivia e Cuesta em baixa e sem confiança, nenhum consegue se firmar. A cada jogo, uma nova incerteza. A cada escalação, um novo teste para o coração do torcedor. Essa falta de uma dupla de zaga sólida é a raiz de muitos dos nossos problemas em campo.
O retrato falado do xerife e a dura realidade do bolso
A diretoria finalmente parece ter entendido o diagnóstico. A avaliação interna é clara: falta imposição física na nossa área e a bola aérea virou uma avenida para os adversários. Por isso, a busca de Admar Lopes na Europa tem um alvo bem definido.
O perfil desejado é:
- Zagueiro destro
- Vigor físico
- Imposição no jogo aéreo
Um nome que se encaixa nesse perfil e foi consultado é o de Arthur Chaves, que atualmente joga no Augsburg, da Alemanha. Mas, como sempre, há uma pedra no caminho: o dinheiro.
O Vasco trabalha com um orçamento curtíssimo para esta janela. A realidade é que, sem a conclusão da venda da SAF, o clube não tem como fazer investimentos significativos. A busca por um “xerife” europeu pode acabar se tornando mais uma busca por uma oportunidade de mercado, uma aposta barata. E nós, torcedores, sabemos bem onde essa história costuma terminar. Será que um dia esse sofrimento acaba?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.