Isso é Vasco! A história que todo torcedor precisa conhecer
Torcedor vascaíno, em tempos de futebol moderno onde o dinheiro parece falar mais alto que qualquer escudo, você já parou pra pensar o que é amor de verdade a um clube? Pois bem, a gente vai te contar uma história que parece roteiro de filme, mas é a mais pura e orgulhosa realidade do Gigante da Colina. Imagine um jogador, no auge da carreira, recusar uma convocação para a Copa do Mundo. Loucura? Não. Isso é Vasco. Essa é a história de Mola, um herói que colocou a Cruz de Malta acima de tudo.
Em 1934, o mundo do futebol estava de olho no Mundial da Itália. Para qualquer jogador, vestir a camisa da Seleção em uma Copa é o sonho máximo. Mas para Mola, o Vascão era maior. Ele olhou para o convite da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) e, sem pestanejar, disse ‘não’. Ele preferiu seguir defendendo nossas cores, a camisa que ele honrou com tanto suor e raça.
A Guerra nos Bastidores do Futebol Brasileiro
Para entender a grandeza do gesto de Mola, é preciso voltar no tempo. O futebol brasileiro vivia um racha político ferrenho. De um lado, a CBD, que defendia um amadorismo que já não existia na prática. Do outro, a Federação Brasileira de Futebol (FBF), criada pelos grandes clubes, incluindo o nosso Vasco, que já haviam se profissionalizado.
Nesse cabo de guerra, a CBD tentou convocar os melhores jogadores, que eram profissionais, para a Copa de 1934. A tática? Dinheiro. Muito dinheiro. Jornais da época relatam que colegas de Mola no próprio Vasco, como Tinoco e o craque Leônidas da Silva, foram seduzidos por propostas de 30 contos de luvas e salários de 1 conto de réis. Eram fortunas! Eles acabaram cedendo e foram para a Seleção.
O ‘Não’ que Ecoou na Colina: Mola Fica!
Mas Mola era diferente. Ele era feito de outra matéria. O meia, descoberto em 1928 pelo diretor Adriano Rodrigues, era a alma do time. Enquanto outros viam cifras, ele via a glória de jogar em São Januário. Ele escolheu a lealdade. Escolheu o clube que o acolheu e o transformou em ídolo. Ele ficou.
Sua decisão não foi a de um jogador qualquer. Mola formava, ao lado de Tinoco e Fausto, um dos trios de meio-campo mais lendários da nossa história. Com a camisa cruzmaltina, ele foi peça fundamental nas conquistas do Campeonato Carioca de 1929 e, ironicamente, no de 1934, o ano da Copa que ele recusou. Além disso, papou o Torneio Início em 1929, 1930, 1931 e 1932. Era um vencedor nato, um pilar do Gigante.
O destino, porém, às vezes é cruel com nossos guerreiros. Pouco tempo depois de sua histórica recusa, em 1935, Mola sofreu uma lesão gravíssima no joelho. Aos 28 anos, no auge de sua forma, ele foi forçado a encerrar a carreira precocemente. Uma tragédia que só engrandece seu sacrifício e amor pelo clube.
E a Seleção? Um Vexame Anunciado na Itália
Enquanto Mola reafirmava seu compromisso com o Almirante, a Seleção Brasileira partia para um dos maiores vexames de sua história. Sem seus principais craques, que por lealdade ou convicção permaneceram em seus clubes, o time embarcou numa viagem de quase duas semanas no navio “Conte de Biancamano”.
Os treinos? Improvisados no convés do navio. Amistosos de preparação? Nenhum. Para piorar, a embarcação ainda parou em Barcelona para pegar os jogadores espanhóis, que seriam justamente nossos adversários na estreia. Era a crônica de um desastre.
A Copa de 1934 foi em formato mata-mata desde o início. Sem margem para erro. E o Brasil errou. No dia 27 de maio, no estádio Luigi Ferraris, em Gênova, a equipe comandada por Luiz Augusto Vinhaes foi engolida pela Espanha. Derrota por 3 a 1, com os espanhóis abrindo 3 a 0 no primeiro tempo. Leônidas da Silva, que aceitou a convocação, ainda descontou, mas era tarde demais. A eliminação na estreia mostrou que a lealdade de Mola não era apenas um ato de amor, mas talvez um pressentimento de que o verdadeiro título era a admiração eterna do povo cruzmaltino.
A história de Mola é um lembrete. Um lembrete de que o Vasco da Gama é mais que um clube. É uma causa. E ter jogadores que entendem isso não tem preço. Mola não tem estátua em frente a São Januário, mas seu nome está gravado com honra no coração de cada vascaíno que conhece sua história. Ele não foi para a Copa, mas entrou para a imortalidade do nosso clube.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.