O 7 a 1 que enche a gente de orgulho
Quando alguém fala em “7 a 1”, o torcedor brasileiro já sente um arrepio. A ferida de 2014 ainda dói. Mas e se eu te dissesse que existe um outro 7 a 1? Um 7 a 1 para lavar a alma, um 7 a 1 que é puro motivo de orgulho para o povo cruzmaltino? Pois ele existe, e foi escrito com a tinta da Cruz de Malta.
No dia 09 de julho de 1950, a Seleção Brasileira aplicou sua maior goleada na história das Copas do Mundo. O placar? Exatamente 7 a 1 contra a Suécia. O detalhe que faz o coração vascaíno bater mais forte: TODOS os sete gols do Brasil foram marcados por jogadores do Club de Regatas Vasco da Gama. Sim, você leu direito. Foi o nosso Vascão que carregou o país nas costas.
Um Maracanã pintado de Cruz de Malta
Aquele Mundial, disputado em casa, tinha um formato diferente. Não havia uma final única. As quatro melhores seleções disputavam um quadrangular final por pontos corridos. O Brasil chegou voando, ao lado de Espanha, Uruguai e a Suécia, nosso adversário naquele dia histórico no Maracanã.
A Suécia, acredite se quiser, era a única equipe amadora da competição. Registros da época mostram os jogadores suecos tranquilões, tomando um café antes da partida, como se fossem para um passeio no parque. Mal sabiam eles que estavam prestes a encarar a fúria do Expresso da Vitória vestido de amarelo… ou melhor, de branco.
O Expresso da Vitória em campo pela Seleção
A base daquela Seleção era, sem tirar nem pôr, o time do Vasco. O Gigante da Colina cedeu nada menos que oito atletas para o Mundial. Naquele massacre contra os suecos, seis deles estavam em campo, mostrando ao mundo a força do nosso clube: Barbosa, Augusto, Danilo, Maneca, Chico e o craque Ademir de Menezes.
A camisa era a da Seleção, mas a alma era vascaína. Era o nosso jeito de jogar, a nossa raça, o nosso talento que encantava o Brasil e atropelava os adversários no gramado sagrado do Maracanã.
Show de Ademir ‘Queixada’ e a artilharia vascaína
Se a base era do Vasco, o protagonismo não poderia ser diferente. Ademir de Menezes, o lendário “Queixada”, estava imparável. Ele simplesmente destruiu a defesa sueca e guardou QUATRO gols. Uma atuação de gênio, digna de um dos maiores ídolos da nossa história.
Mas a festa cruzmaltina não parou por aí. Para completar a goleada e deixar claro quem mandava no futebol brasileiro, nossos craques fizeram chover gols. A artilharia daquele 7 a 1 foi 100% nossa:
- Ademir de Menezes: 4 gols
- Chico: 2 gols
- Maneca: 1 gol
Os suecos ainda conseguiram um gol de honra, de pênalti, com Sune Andersson, mas era tarde demais. O rolo compressor do Almirante já havia passado por cima. A atuação de gala impulsionou Ademir a um recorde que permanece intocável: com nove gols, ele é até hoje o maior artilheiro do Brasil em uma única edição de Copa do Mundo.
A justiça histórica para o nosso ídolo
A história de Ademir naquela Copa ainda guarda uma curiosidade que mostra o tamanho do nosso ídolo. Por 71 anos, um de seus gols, marcado na vitória por 6 a 1 sobre a Espanha, era creditado como gol contra do zagueiro José Parra, pois a bola havia desviado nele.
Mas a CBF, munida de vídeos e registros da época, não deixou a história morrer. Enviou um pedido formal à Fifa para corrigir a injustiça. A entidade máxima do futebol reconheceu a falha e devolveu o gol ao seu verdadeiro dono: Ademir de Menezes. Uma prova de que a história, mais cedo ou mais tarde, faz justiça aos seus heróis.
Então, da próxima vez que alguém zombar do 7 a 1, estufe o peito. Lembre que muito antes da tragédia, houve a glória. E essa glória foi construída, gol a gol, por homens que vestiam com orgulho a camisa do Vasco da Gama. Isso, ninguém apaga.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.