A Nau Vascaína Parece Sem Rumo
Mal a gente respira, vem outra bomba. A torcida vascaína, que já vive no limite da paciência e da fé, agora assiste a um espetáculo deprimente nos bastidores do nosso Gigante da Colina. A decisão da Justiça de afastar nosso ídolo Pedrinho da SAF foi só a primeira peça de um dominó que parece não ter fim. O que se seguiu foi uma verdadeira sangria desatada, com renúncias e exonerações em cascata, tanto no clube associativo quanto na empresa que deveria cuidar do nosso futebol.
É de cortar o coração. Justo agora, num momento que todos sabíamos ser decisivo para o futuro do Vascão, com janela de transferências batendo na porta e a necessidade urgente de um comandante para o time, o que vemos é uma guerra de poder que só enfraquece o clube. A instabilidade virou a regra, e a pergunta que fica na garganta de todo torcedor é: quem está no comando do Vasco?
A Canetada de Pedrinho e a Primeira leva de Saídas
Ainda se recuperando do golpe judicial, Pedrinho, na sua função de presidente do clube associativo, não perdeu tempo e promoveu uma mudança drástica na sua diretoria. Quatro nomes importantes foram exonerados de seus cargos, numa clara demonstração de força e realinhamento político.
Deixaram seus postos: Silvio Roberto Vieira Almeida (vice-presidente de Finanças), Claudio Pereira Gomes (diretor da Secretaria), Felipe Carregal Sztajnbok (vice-presidente Jurídico) e Raphael Travassos de Souza Avellar, o nosso conhecido “Pulga” (vice-presidente de História e Responsabilidade Social). Uma limpa em setores cruciais da administração.
E qual o motivo? Segundo as informações que circulam, o grupo tinha uma visão diferente da de Pedrinho sobre a possível venda da SAF para o empresário Marcos Lamacchia. Um racha exposto, que mostra como as negociações sobre o futuro do nosso futebol estão longe de ser um consenso. Para os lugares de Silvio Almeida e Felipe Carregal, foram nomeados, respectivamente, Victor José Leite Medeiros para a vice-presidência de Finanças e João Roberto Monteiro Costa para a área jurídica.
A Debandada Continua: Mais Renúncias no Associativo
Se você achou que a turbulência pararia por aí, enganou-se. A crise de confiança se espalhou como fogo em mato seco. Na noite de terça-feira (30), mais duas baixas abalaram as estruturas já frágeis da Colina. José Luiz Trinta deixou o cargo de vice-presidente de Integração, e Luis Guedes entregou sua carta de renúncia à vice-presidência de Engenharia e Obras.
Cada saída dessas é um pedaço do clube que se vai. São pessoas que, com mais ou menos acertos, dedicavam seu tempo ao Vasco. Essa sucessão de renúncias só aumenta a sensação de abandono e de um vácuo de poder que ninguém parece capaz de preencher. Enquanto isso, o povo cruzmaltino assiste a tudo de mãos atadas.
O Golpe na SAF: Conselho Fiscal Inteiro Pede pra Sair
E a crise, que já era imensa no clube social, atingiu em cheio a SAF. O presidente do Conselho Fiscal, Marco Norci Schroeder, oficializou sua renúncia. Um nome de peso, que não saiu sozinho. Em um movimento que praticamente implodiu o órgão de fiscalização, os conselheiros Carlos Antonio Rodrigues Jorge e David Tavares Neves Nunes também renunciaram.
Com a saída dos três, o colegiado simplesmente deixou de existir. É o caos institucionalizado. A renúncia de Schroeder, que terá efeito a partir de 31 de julho, foi comunicada em carta, selando o fim de uma estrutura que deveria garantir a transparência e a boa gestão da empresa que comanda nosso futebol. Como podemos confiar no futuro se quem fiscaliza está pulando do barco?
E o Futebol no Meio do Fogo Cruzado?
Enquanto os engravatados trocam farpas e cartas de demissão, o futebol, que é o que realmente importa para nós, fica em segundo plano. É irônico e trágico. A notícia da chegada do primeiro reforço, Paulinho, vindo do América-MG, deveria ser motivo de celebração e esperança. A expectativa pela definição de um novo técnico deveria ser o nosso principal foco.
Mas como planejar uma temporada? Como convencer jogadores e um novo treinador a embarcar num projeto que parece um navio em plena tempestade, sem capitão e com a tripulação se jogando ao mar? A camisa do Vasco é pesada, a nossa torcida é gigante, mas a bagunça nos bastidores afugenta qualquer profissional sério e compromete qualquer chance de recuperação. O momento pedia união e trabalho, mas o que recebemos é uma guerra pelo poder que sangra o nosso clube. Até quando, meu Vascão?
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.