Mal sentou na cadeira e já foi embora
Parece que a paz não tem endereço fixo em São Januário. Em mais um capítulo da turbulência sem fim que assola os bastidores do nosso Vascão, a advogada Samantha Mendes Longo, nomeada interventora da SAF do Gigante da Colina, jogou a toalha. E não foi por qualquer motivo: ela pediu para sair apenas seis dias depois de assumir o cargo, alegando um “fato grave” relacionado à sua segurança pessoal.
A notícia, que caiu como uma bomba no já conturbado ambiente cruzmaltino, foi confirmada através de uma petição oficial. É de deixar qualquer torcedor de cabelo em pé. A pessoa escolhida pela Justiça para tentar botar ordem na casa se sente ameaçada a ponto de abandonar a missão em menos de uma semana. Que tipo de ambiente é esse que estamos vivendo?
A informação, divulgada inicialmente pelo portal “Atenção Vascaínos” e confirmada pelo Lance!, mostra a gravidade da situação. Mesmo com a saída abrupta, Samantha ainda teve a decência de apresentar um relatório técnico sobre suas atividades e reuniões nesses poucos dias de trabalho. Uma profissional que, ao que parece, foi engolida pelo caos que virou a gestão do nosso futebol.
Um dia de alta tensão em São Januário
Para adicionar mais lenha na fogueira, a renúncia aconteceu no mesmo dia em que membros de torcidas organizadas do Vasco foram até o prédio onde funciona o escritório da SAF, na Zona Oeste do Rio. Em vídeos que circularam nas redes sociais, os torcedores afirmaram que não encontraram a interventora no local. A coincidência de datas joga uma sombra ainda maior sobre o motivo da renúncia.
Não dá pra afirmar uma coisa ou outra, mas a sequência de eventos pinta um quadro preocupante. A torcida vascaína, essa gente que nunca abandona, está exausta de tanta briga de poder. Queremos ver o time em campo, honrando a cruz de malta, e não um desfile de notícias policiais e judiciais que mancham o nome do clube.
A nomeação de Samantha Longo foi uma decisão da juíza Caroline Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A ideia era que ela atuasse como gestora por um prazo de dois meses, um período para tentar arejar os processos e trazer um mínimo de estabilidade.
O que a Justiça queria (e não teve tempo de ter)
A missão da interventora era clara e direta. A decisão judicial determinava que ela deveria tomar providências para restabelecer a ordem em vários pontos críticos da nossa SAF:
- Restabelecer a regularidade dos processos de governança;
- Garantir a transparência nas ações da companhia;
- Organizar a prestação de contas;
- Melhorar a circulação de informações entre os órgãos sociais.
Além disso, Samantha deveria enviar relatórios quinzenais à Justiça para que seu trabalho fosse acompanhado. Era um plano, uma tentativa de colocar um adulto na sala em meio à briga entre a 777 Carioca e a associação, representada pelo nosso ídolo Pedrinho.
Lembremos que toda essa confusão começou quando a mesma 4ª Vara Empresarial atendeu a um pedido da 777 e afastou Pedrinho e outros dois membros do Conselho da SAF, com base em apontamentos do Conselho Fiscal. Uma guerra de narrativas e acusações que só prejudica o Vasco da Gama.
E agora, Gigante?
Com a renúncia de Samantha Longo, voltamos à estaca zero. A batata quente agora está de novo nas mãos da Justiça, que terá de definir os próximos passos para a condução dessa intervenção. Quem será o próximo? Terá coragem de assumir essa cadeira que parece ejetar quem senta nela?
Enquanto os engravatados brigam nos tribunais e nos escritórios, o povo cruzmaltino segue aqui, na arquibancada da vida, sofrendo e torcendo. A gente só quer o nosso Vasco de volta. Um Vasco forte, competitivo e, acima de tudo, com um pingo de paz para trabalhar. Mas, pelo visto, a calmaria ainda está longe de aportar na Colina Histórica. É mais um dia para exercitar a nossa infinita capacidade de ser vascaíno, na alegria e, principalmente, na tristeza. Vasco é coisa séria, e parece que alguns se esqueceram disso.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.