Atenção, povo cruzmaltino! Em meio a tantas batalhas dentro e fora de campo, uma luz parece brilhar mais forte no fim do túnel. O Vascão deu um passo de gigante para, quem sabe, virar a página de uma vez por todas. Na última terça-feira, o clube entrou na Justiça do Rio de Janeiro com um processo para a venda de 90% da nossa nova SAF. E o nome na pole position é o do empresário Marcos Lamacchia.
Mas calma, não é uma venda simples. O nome do processo é “alienação judicial”, uma espécie de venda forçada para quitar as dívidas que tanto assombram o nosso Gigante. É um movimento complexo, mas necessário, e Lamacchia entra como uma peça-chave nessa engenharia financeira que pode definir o futuro do Almirante.
O que diabos é esse tal de ‘Stalking Horse’?
Pode parecer nome de filme de faroeste, mas “stalking horse bidder” é o termo oficial para a função da empresa de Lamacchia, a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., nesse processo. Na prática, é como se o Vascão tivesse escolhido um parceiro de confiança para começar o leilão.
Funciona assim: por estar em Recuperação Judicial, o clube é obrigado por lei a abrir uma concorrência pela SAF. Ao colocar a empresa de Lamacchia como “stalking horse”, o Vasco garante que a primeira oferta já seja alta, estabelecendo um piso para a negociação. Lamacchia coloca a régua lá em cima, evitando que apareçam propostas de banana que desvalorizem nosso patrimônio. É uma blindagem para o nosso Gigante!
A Proposta de R$ 650 Milhões para Reerguer o Vasco
Vamos ao que interessa: a grana. A oferta inicial que serve de base para todo o processo é de, no mínimo, R$ 650 milhões. Esse valor seria um verdadeiro sopro de vida em São Januário, com destino certo para resolver nossos problemas mais urgentes.
O plano prevê investimentos pesados em reforços de peso (finalmente!), a construção de um CT digno do time principal, melhorias na nossa base de craques e, o mais importante, assumir as dívidas do clube por um período de pelo menos 10 anos. É pensar no hoje e no amanhã. É um projeto de reconstrução, não um simples negócio.
Manobra Inteligente e Prazo Final
Essa estratégia dá a Marcos Lamacchia duas vantagens cruciais. Primeiro, ele define o preço inicial. Segundo, ele ganha o direito de igualar qualquer outra proposta que apareça. Ou seja, se algum outro bilionário quiser entrar na briga, vai ter que fazer uma oferta melhor, e mesmo assim Lamacchia terá a chance de cobrir.
Toda essa novela, no entanto, tem data para acabar. A negociação precisa ser concluída até o dia 30 de setembro. É o nosso prazo para saber se teremos um novo rumo ou se a agonia continua. A contagem regressiva já começou.
Cláusula de Proteção: R$ 50 Milhões em Jogo
Para mostrar que não está de brincadeira, o acordo tem uma cláusula de segurança. Caso o Vasco, ao final do processo, decida vender a SAF para outra empresa, terá que pagar uma multa de R$ 50 milhões a Lamacchia. Isso serve como uma garantia pela estruturação da proposta inicial e afasta aventureiros do caminho.
É uma forma de dizer: “quem quiser entrar, que entre para valer”. Isso dá seriedade ao processo e mostra o nível de comprometimento do empresário com o nosso Vascão.
E a Dívida com a Crefisa? Como Fica?
Muitos devem se lembrar que, em outubro do ano passado, o Vasco pegou um empréstimo de R$ 82 milhões com a Crefisa, empresa de Leila Pereira. Esse tipo de empréstimo (chamado de DIP) é específico para empresas em recuperação judicial.
O destino desse valor agora depende do desfecho da venda da SAF. Se Marcos Lamacchia for o comprador, esses R$ 82 milhões serão convertidos em capital para a nova SAF, ou seja, vira investimento. Contudo, se outro investidor levar a melhor, o Vasco terá que desembolsar essa grana e pagar a dívida integralmente, seja para Lamacchia ou para a própria Crefisa.
A situação é delicada e cada passo é decisivo. A torcida vascaína, que nunca abandona, segue de olho, com o coração na mão, mas com a esperança renovada. Será que, finalmente, o Gigante da Colina vai voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído? Vamos aguardar e torcer. Porque ser vascaíno é, acima de tudo, acreditar.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.