A gente sabe como é ser vascaíno. É viver no limite da emoção, é sofrer, é acreditar até o último segundo. E a noite na Colômbia foi a mais pura tradução do que é torcer pelo Gigante da Colina. O empate em 2 a 2 contra o Independiente Medellín, no jogo de ida dos playoffs da Sul-Americana, nos mantém vivos, mas acendeu todos os alertas possíveis. E a torcida, que nunca abandona, já mandou o recado direto para o novo comandante, Pedro Emanuel.
O placar de 2 a 2 fora de casa, em tese, não é um desastre. Longe disso. Trazemos a decisão para o nosso Caldeirão de São Januário. Mas quem assistiu ao jogo viu os mesmos fantasmas que nos assombram há tempos. Um time que até mostra organização, mas que é sabotado por falhas individuais grotescas. E o povo cruzmaltino, de olho em tudo, não perdoou nas redes sociais.
O Caldeirão das Redes Sociais Ferveu
Mal o juiz apitou o fim do jogo e a internet já estava em chamas. O nome de Pedro Emanuel, em seu segundo jogo no comando, estava em todas as discussões. De um lado, a cobrança forte por mudanças. De outro, um pingo de paciência, com o foco da culpa sendo direcionado aos jogadores.
A paciência com algumas peças parece ter chegado ao fim. ‘Até quando o Pedro Emanuel vai adiar essa troca de PH por Puma? Já ficou claro’, questionou um torcedor, ecoando a insatisfação de muitos com a atuação de Puma Rodríguez, especialmente no lance do primeiro gol colombiano. Outros foram mais diretos: ‘Pedro Emanuel, nunca mais você coloca Rojas e Hinestroza em campo’. O recado não podia ser mais claro.
No entanto, nem tudo foi crítica ao novo ‘mister’. Houve quem defendesse o trabalho inicial, apontando que o problema é mais profundo. ‘Independente do resultado, não tenho ressalvas nesse início do Pedro Emanuel. O time tem certa organização, mas falta mão de obra’, ponderou um vascaíno, completando com uma verdade dolorida: ‘As falhas aconteceram com todos os técnicos, o que mostra o problema em comum: os jogadores’.
Um Time de Duas Caras: O que Aconteceu em Campo?
Analisando friamente o jogo, a sensação é de que poderíamos ter saído com um resultado melhor. No primeiro tempo, o Vascão foi superior. Tivemos mais a bola, criamos as melhores oportunidades e o nosso goleiro Léo Jardim foi praticamente um espectador. Mas, como manda a cartilha do sofrimento vascaíno, quem não faz, leva.
E levamos. Numa transição rápida, a defesa abriu como um mar vermelho. Martegani recebeu nas costas de Puma Rodríguez e cruzou para Montaño só empurrar para dentro. Um balde de água fria que já conhecemos bem.
Na volta do intervalo, um lampejo de esperança! Logo no primeiro minuto, Cuiabano fez boa jogada e cruzou para o zagueiro Varela, deles, marcar contra. O Gigante empatava! Mas a alegria durou pouco. O time recuou inexplicavelmente, chamou o adversário para o nosso campo e, em mais um lance de puro nervosismo, o zagueiro Carlos Cuesta acabou desviando contra o próprio patrimônio. Outro gol contra, dessa vez para eles. Era o Vasco sendo Vasco.
Quando a derrota parecia certa, a raça vascaína falou mais alto. Spinelli, um dos poucos que tentava algo diferente, achou o gol de empate, o 2 a 2, que nos deu um fio de esperança. Um gol que vale ouro e que mostra que este time, apesar dos pesares, não se entrega.
A Conta é dos Jogadores ou do Mister?
Essa é a pergunta de um milhão de reais. Pedro Emanuel chegou há pouco tempo e é visível que tenta implantar uma organização tática. O time não é mais um bando em campo. Porém, o que fazer quando as falhas individuais se repetem jogo após jogo? O erro no posicionamento de Puma, o gol contra de Cuesta… são lances que minam qualquer estratégia.
O novo comandante tem um abacaxi enorme para descascar. Ele precisa identificar rapidamente quem está comprometido com o projeto e quem não tem mais condições de vestir a nossa camisa. A torcida já deu suas dicas, apontando nomes como Puma Rodríguez, Barros, Rojas e Hinestroza. Cabe ao treinador ter a coragem de barrar quem for preciso, independentemente do nome.
A impressão que fica é que, com um elenco mais qualificado, o trabalho de Pedro Emanuel poderia render frutos mais rápido. Mas a realidade é essa, e é com essas peças que teremos que lutar pela classificação.
A Batalha de São Januário: Agora é no Nosso Caldeirão!
O resultado na Colômbia não foi o ideal, mas nos deu o direito de decidir a vaga em nossa casa, ao lado do nosso povo. Agora a responsabilidade é toda nossa. O Independiente Medellín vai sentir a pressão de jogar em São Januário lotado, um verdadeiro inferno para qualquer adversário.
Pedro Emanuel tem alguns dias para corrigir os erros, ouvir a voz da arquibancada e escalar um time que honre a Cruz de Malta. Não há mais margem para erros. É ganhar ou ganhar. Que o espírito guerreiro que nos trouxe o empate na Colômbia se multiplique por onze em campo na próxima semana. A torcida vai fazer a sua parte. Esperamos que o time faça a sua também. Vamos subir, Vascão!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.