Parece filme repetido, torcedor vascaíno. A gente senta pra ver o Gigante, o coração enche de esperança, o time até joga bem… e aí, do nada, a gente arruma um jeito de entregar o ouro. O empate em 2 a 2 com o Independiente Medellín, lá na Colômbia, foi o retrato perfeito dessa sina que persegue o Vascão há anos.
Muda o técnico, mas o roteiro é o mesmo: uma defesa que parece ter pavor da bola e um ataque que precisa de mil chances pra guardar uma. Pedro Emanuel está no seu segundo jogo e já deve estar arrancando os cabelos. A herança maldita caiu no colo dele, e o trabalho pra consertar esse time vai ser gigantesco.
A verdade é que fomos superiores em boa parte do jogo. Tivemos a faca e o queijo na mão pra voltar da Colômbia com a vitória. Mas, como sempre, ficamos duas vezes atrás no placar por causa de falhas que não podem acontecer num time profissional. É de doer na alma.
O Vascão que se sabota: um gol de presente para os colombianos
No primeiro tempo, o Gigante da Colina mandou no jogo. Pedro Emanuel veio com uma novidade interessante: Brenner e Nuno Moreira jogando por dentro, se movimentando, abrindo espaço. Fez todo o sentido, muito mais do que insistir com Spinelli de referência. O problema é que nas pontas, Adson e Gómez são bons jogadores, mas não têm o cacoete de matador. A gente roda, roda, roda e não finaliza com perigo.
E aí veio o castigo. Num dos raríssimos ataques do Medellín, a nossa defesa resolveu estender o tapete vermelho. Foi uma sequência de erros bizarra: Puma caiu num corta-luz infantil, Cuesta não conseguiu alcançar o Yony González e Robert Renan errou a cobertura. Gol deles. Um time que não tinha feito absolutamente NADA pra marcar, mas que chegou ao nosso gol sem suar a camisa. É o Vasco sendo Vasco.
Um suspiro de alívio e o balde de água fria
Logo no comecinho do segundo tempo, o futebol resolveu nos dar uma mãozinha. Após cruzamento do Cuiabano, o zagueiro Varela, deles, jogou contra o próprio patrimônio e empatou o jogo pra gente. Ufa! A gente pensou: ‘Agora vai! Vamos pra cima!’.
Mas que nada. O gol parece que cansou nosso time. A equipe se arrastou em campo, perdeu a força, e o que aconteceu? O Medellín, que estava morto, gostou do jogo. Foram pra cima e, claro, fizeram o segundo gol com Montaño. A sensação de ‘de novo não’ bateu forte em cada coração cruzmaltino.
Herói improvável e a missão de Emanuel: ‘Mudar a mentalidade’
O professor Pedro Emanuel tentou mudar o cenário. Colocou Rojas, Marino Hinestroza e Spinelli. O resultado inicial foi decepcionante. Os dois colombianos, jogando em seu país, pareciam turistas em campo, não mostraram a que vieram e o time perdeu a posse de bola lá na frente. A derrota parecia certa, e seria uma baita injustiça pelo que o time produziu.
Mas o Vasco é coisa séria e a gente nunca desiste. Nos minutos finais, a redenção. Robert Renan, que tinha falhado no primeiro gol, achou um passe espetacular para Cuiabano. O nosso lateral, que também não fazia uma partida brilhante, acertou um cruzamento na medida, com açúcar. E lá estava ele, Spinelli, o mesmo que não encaixava como centroavante, pra testar pra rede e salvar um ponto precioso.
Foi um resultado justo, sim. Mas o recado está dado. O próprio Pedro Emanuel cobrou o fim dos erros e disse que é preciso ‘mudar a mentalidade’. Essa é a verdadeira missão dele. Não é só tática, não é só físico. É fazer esse elenco parar de se autossabotar. A vaga será decidida no nosso Caldeirão, e lá, meu amigo, não tem espaço pra vacilo. É guerra!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.