Aquele sentimento agridoce, que só o torcedor do Vasco conhece, tomou conta de São Januário mais uma vez. Depois de um golaço espetacular de Andrés Gómez que nos salvou de um vexame ainda maior contra o Mirassol, o que deveria ser um suspiro de alívio virou um nó na garganta. E não foi pelo empate. Foi pela declaração do próprio colombiano, que jogou a zica no ventilador e falou em problemas ‘espirituais’. A fala do nosso atacante acendeu um alerta até no vascaíno mais ilustre da internet, Casimiro Miguel, que não escondeu a agonia: ‘Isso me deixa um pouco preocupado’.
E como não ficar, meu amigo cruzmaltino? Uma coisa somos nós, da arquibancada, falando que o time está amarrado, que fizeram macumba em São Januário. É o nosso jeito de lidar com o sofrimento. Mas quando a desculpa vem de dentro de campo, a coisa muda de figura. O desabafo do Cazé na sua live foi o desabafo de todos nós.
‘Penso que é algo mais espiritual’: A declaração de Gómez
Depois de ser o herói improvável que evitou a derrota, Andrés Gómez foi para os microfones e soltou a pérola que deixou todo mundo de cabelo em pé. Com uma sinceridade desconcertante, o atacante expôs um sentimento que parece ter tomado conta do vestiário.
— Estamos em uma situação difícil, complicada. Temos que trabalhar mais a parte mental e também a espiritual. Penso que estamos amarrados a algo porque não é justo. Em todos os jogos temos mil oportunidades e o rival tem uma e faz um gol de escanteio. Isso acontece em todos os jogos, onde vamos, em casa, fora de casa. Então penso que é algo mais espiritual — declarou Gómez, resumindo a ópera-bufa que tem sido a nossa campanha.
É impossível não entender a frustração do jogador. Ele mesmo viveu isso no jogo: acertou um chutaço no ângulo, um gol para lavar a alma. Mas a sensação de que o time cria, cria, cria e o adversário precisa de uma única chance para marcar é real. É o roteiro de quase toda partida do Gigante da Colina. Mas atribuir isso ao ‘espiritual’ é perigoso. É tirar o peso da responsabilidade tática, técnica e, principalmente, da concentração.
Cazé bota a boca no trombone: ‘Foi torturante assistir’
Quem também não digeriu bem a fala de Gómez foi o streamer Casimiro Miguel. Vascão doente como nós, ele expressou a preocupação que bateu em cada coração cruzmaltino ao ouvir a entrevista. Para Cazé, o problema é bem mais terreno.
— Ele (Andrés Gomez) fala que é uma questão espiritual. Isso me deixa um pouco preocupado. Existe, de fato, uma corrente de torcedores que fala que o problema do Vasco é espiritual, mas o jogador falar isso? Me preocupa — disse o apresentador, antes de cravar a análise que todos nós fizemos do sofá.
— Tem que fazer acontecer, o Vasco errou muito, foi muito feio, foi torturante assistir o jogo, erros básicos. Eu fiquei desesperado — completou Cazé. A palavra ‘torturante’ define com perfeição o que foi acompanhar o Vascão contra o Mirassol. Foi um show de erros primários, de falta de pontaria e de decisões equivocadas, que nada têm a ver com o além.
Um jogo para testar a paciência do fiel vascaíno
A partida em São Januário foi um resumo perfeito do nosso calvário. No primeiro tempo, um futebol pobre, com pouquíssima inspiração. O castigo, como sempre, veio pelo alto. Em uma cobrança de escanteio que parecia inofensiva, a bola passeou na nossa área. Barros e Pumita Rodríguez bateram cabeça, numa falha de comunicação bisonha, e a bola sobrou limpa para Igor Formiga, que só teve o trabalho de desviar de Léo Jardim. Um gol que nasce da mais pura desatenção.
No intervalo, o Caldeirão ferveu, mas de raiva. As vaias e os protestos da torcida vascaína ecoaram, um grito de desespero de quem não aguenta mais ver o mesmo filme de terror se repetir a cada rodada. O time do povo merece mais.
O golaço de Gómez e a esperança que durou pouco
Na volta para o segundo tempo, a impaciência era visível. A atuação continuava abaixo da crítica, arrastada, previsível. Até que, num lampejo, a genialidade individual apareceu. Andrés Gómez, o mesmo que depois falaria em espíritos, recebeu a bola e soltou uma bomba no ângulo. Um golaço! Aquele tipo de gol que faz o estádio explodir e a gente acreditar que a virada é possível.
O gol inflamou a equipe e a torcida. O técnico Pedro Emanuel, na ânsia de buscar a vitória, desmontou o meio-campo, deixando o time com apenas um volante de ofício. Foi para o tudo ou nada. E o resultado foi… nada. O Vascão criou espaços, pressionou, mas ao mesmo tempo cedeu contra-ataques perigosos. No fim, o apito final soou como uma sentença: mais um empate com gosto de derrota dentro de casa.
A fala de Gómez, somada à análise de Cazé, nos joga num mar de incertezas. Será que o problema do Vasco é mesmo espiritual, uma nuvem negra que paira sobre São Januário? Ou será que, como disse Casimiro, são os ‘erros básicos’ e a falta de capacidade de ‘fazer acontecer’ que estão nos afundando? Uma coisa é certa: enquanto o time procurar respostas no plano astral, os adversários continuarão encontrando gols no plano terrestre. Acorda, Gigante!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.