Atenção, povo cruzmaltino! Se você teve uma sensação de déjà vu no último sábado, em São Januário, saiba que não está sozinho. O empate em 1 a 1 contra o Mirassol foi a mais pura tradução do que tem sido o Vasco da Gama nos últimos tempos: um time que luta, que até controla o jogo, mas que tem uma capacidade impressionante de se autossabotar. É o mesmo roteiro, o mesmo sofrimento, a mesma frustração.
Era a chance de ouro. Uma vitória em casa, no nosso Caldeirão, nos tiraria da maldita zona de rebaixamento antes de uma sequência de vida ou morte nas Copas. Mas, como já virou um costume doloroso, o Gigante da Colina encontrou uma maneira de complicar o que parecia controlável. E o pior: entregamos o ouro para o bandido. De novo.
O roteiro deste empate amargo é uma cópia carbono dos jogos contra Vitória e Independiente Medellín. O Vascão domina, cria, tem mais posse de bola, mas basta um vacilo, um erro bobo, para o adversário marcar sem fazer o menor esforço. E aí, meu amigo, é correr atrás do prejuízo, com o desespero batendo na porta. Muda o técnico — já passamos por Fernando Diniz, Renato Gaúcho e agora Pedro Emanuel — mas o fantasma do erro primário continua assombrando São Januário.
Um Gol Inacreditável: A Crônica da Autossabotagem
Vamos ser sinceros: o jogo estava morno. O Vasco tinha a bola, finalizava mais, mas nada de muito concreto acontecia. Até os 30 minutos do primeiro tempo. Um escanteio totalmente despretensioso para o Mirassol. O jogador deles, Reinaldo, cobrou mal, uma bola que parecia inofensiva. Era só afastar o perigo.
A bola passou por Cuiabano, por Barros e por Puma Rodríguez. Ninguém cortou. Ninguém fez o simples. A bola, quase que pedindo por favor, sobrou limpinha para Igor Formiga, que só teve o trabalho de empurrar para as redes. Um gol que nasce do nada, de uma sucessão de falhas que irrita até o mais paciente dos torcedores. O Mirassol não precisou de uma grande jogada, não precisou suar a camisa. O Vasco, mais uma vez, deu o gol de presente.
A partir daí, o time sentiu. O plano de Pedro Emanuel, que até fazia sentido, foi para o espaço. A equipe precisou se reorganizar emocional e taticamente para buscar um resultado que nós mesmos colocamos em risco. É cansativo, é desanimador ver a mesma história se repetir.
Nenhum Esquema Resiste a Atuações Tão Ruins
O técnico Pedro Emanuel tentou algo diferente. Sacou Nuno Moreira, um camisa 10, para preencher o meio-campo com três volantes, promovendo a entrada de Ramon Rique. Com os desfalques de Brenner e Thiago Mendes, as vagas foram preenchidas por Spinelli e Tchê Tchê. No papel, a ideia era ter mais controle e solidez.
Mas que esquema tático sobrevive a uma tarde de atuações individuais tão abaixo da crítica? É impossível. Barros, por exemplo, está a quilômetros de distância do jogador que foi em 2025 e faz uma temporada muito ruim. Adson parece ter voltado da pausa para a Copa com o freio de mão puxado. E a dupla de laterais, peças fundamentais em qualquer esquema moderno, errou passes e cruzamentos de forma recorrente.
Para piorar o cenário, o atacante Spinelli estava em um dia simplesmente desastroso, errando absolutamente tudo que tentava. É difícil vencer quando peças-chave do seu time não conseguem executar o básico. A torcida sente, o time sente e o resultado reflete essa queda de rendimento.
Golaço de Gómez e a Esperança que Morre na Praia
No segundo tempo, vendo o time apático, Pedro Emanuel mexeu, e as alterações surtiram efeito. Saíram Adson e Tchê Tchê para as entradas de Nuno e David, que deram mais agressividade e presença ofensiva. Jair entrou no lugar do jovem Ramon Rique, que sentiu o peso do jogo, e trouxe mais calma ao meio-campo.
A principal mudança, no entanto, foi o deslocamento de Gómez da esquerda para a direita. E foi dali que o colombiano, mais uma vez, tirou um coelho da cartola. Com um chute espetacular, um golaço, ele empatou a partida e deu um pingo de esperança aos fiéis do Gigante que estavam em São Januário. Um lampejo de pura genialidade em meio ao caos.
Depois do gol, o Vascão foi para cima. Criamos chances para a virada, empurramos o Mirassol para o seu campo, mas a bola teimou em não entrar. Faltou capricho, faltou tranquilidade. Faltou o que tem faltado há muito tempo. O próprio Pedro Emanuel, após a partida, resumiu o sentimento: ‘Merecíamos ter vencido’. E merecíamos mesmo, pelo volume, pela raça de buscar o empate. Mas o futebol não perdoa erros tão infantis.
E Agora, Gigante?
O saldo é amargo. Deixamos escapar dois pontos em casa e agora vamos para a guerra nas Copas — contra o Independiente Medellín pela Sul-Americana e o clássico contra o Fluminense pela Copa do Brasil — ainda atolados na zona de rebaixamento. É frustrante ver jogadores como Cuiabano, que já mostraram qualidade, em uma fase tão ruim. É preocupante ver outros atletas repetindo os mesmos erros jogo após jogo, sem que haja opções no elenco para mudar o cenário.
O empate com gosto de derrota precisa servir de lição. Não dá mais para entregar gols. Não dá mais para precisar de um volume absurdo de jogo para conseguir marcar. A hora é de fechar a cara, cobrar quem precisa ser cobrado e entender que os próximos jogos definirão o nosso ano. Chega de filme repetido. Queremos um final diferente. Queremos a vitória. É o mínimo que essa torcida, que nunca abandona, merece. Vamos subir, Vascão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.