Um gigante de volta ao gramado
Quem viu a partidaça de Jair no último sábado, contra o Fluminense, pela Copa do Brasil, ainda deve estar esfregando os olhos. Ver o nosso camisa 8 dominando o meio-campo, com a raça e a categoria de sempre, parecia um sonho. Um sonho bom depois de um pesadelo que durou 11 meses, período em que ele mal somou 60 minutos em campo.
Depois de enfrentar não uma, mas duas lesões que seriam o fim da linha para muito jogador por aí, o volante voltou a ser titular do Vascão. E não foi em qualquer joguinho, não. Foi num clássico decisivo, num dos momentos mais cruciais da nossa temporada. Foi uma atuação de quem nunca esteve fora, de quem carrega a cruz de malta no peito e na alma.
A lesão que quase calou o guerreiro
A gente se lembra como se fosse ontem. Setembro do ano passado, jogo contra o Sport pelo Brasileirão. O lance, a dor, o silêncio. O diagnóstico veio como um soco no estômago: rompimento parcial do ligamento cruzado anterior e do ligamento colateral medial do joelho direito, além de lesão nos meniscos. Um estrago.
O cenário era devastador, ainda mais porque ele tinha acabado de voltar de outra batalha. Um ano antes, tinha sofrido uma ruptura completa do ligamento do joelho esquerdo. Era a segunda lesão gravíssima em menos de dois anos. Aos 31 anos, o futuro de Jair no futebol virou uma imensa e preocupante interrogação.
Lá dentro do clube, a apreensão era enorme. Esse tipo de contusão, meu amigo, tem um histórico cruel. Muitos atletas não conseguem voltar ao mesmo nível, e alguns são forçados a pendurar as chuteiras. A gente lembra que a lesão anterior veio justamente quando ele vivia grande fase, logo depois de marcar um golaço no clássico contra o Botafogo pela Copa do Brasil. Parecia uma maldição.
Uma recuperação de quem tem raça vascaína
Mas Jair não é qualquer um. Ele é um guerreiro do Almirante. O que se viu nos meses seguintes foi uma lição de força de vontade. A recuperação foi classificada como surpreendente, muito acima da média. Ele não só cumpriu todas as etapas da reabilitação como voltou aos treinos com bola antes do previsto.
O trabalho do nosso Departamento de Saúde e Performance foi, sem dúvida, primordial. Mas nada disso teria funcionado sem a dedicação absurda do jogador. O ge apurou que o processo foi extremamente cuidadoso, até mesmo durante as férias. Jair é conhecido por ser um atleta exemplar, que se cuida fora das quatro linhas, e isso fez toda a diferença. Ele impressionou a todos no clube, não uma, mas duas vezes.
A pausa para a Copa do Mundo também caiu como uma luva, permitindo que ele participasse de amistosos e recuperasse o ritmo de jogo que só o campo pode dar. Foi um trabalho silencioso, longe dos holofotes, mas fundamental para este retorno triunfal.
‘Quero escrever meu nome na história’: Jair abre o coração
E depois da batalha em campo contra o Fluminense, o nosso volante mostrou que a força mental está tão em dia quanto a física. Em uma declaração emocionante, ele resumiu o sentimento de todo vascaíno e mostrou o tamanho do seu comprometimento com o nosso manto.
“Até falei com os jogadores. Há oito meses eu estava na arquibancada, torcendo em um jogo de Copa do Brasil contra o Fluminense. Hoje estar de volta é o que me motiva a ajudar o clube. Feliz por estar jogando”, desabafou o camisa 8. E ele foi além, mostrando a ambição que a gente tanto cobra: “O que me motiva a voltar de duas lesões é poder escrever meu nome na história do clube. Eu acho que a gente só escreve com títulos. O clube e o torcedor merecem isso. É uma das minhas missões aqui dentro”.
Ouvir isso, depois de tudo que ele passou, arrepia até o último fio de cabelo. É esse tipo de jogador, com essa mentalidade, que a gente quer ver vestindo a nossa camisa. É a prova de que vasco é coisa séria.
Reforço de luxo para o Mister Pedro Emanuel
O retorno de Jair não poderia vir em melhor hora. Com a saída de Hugo Moura, ficamos apenas com o jovem Barros para a função de primeiro volante. A posição já era uma prioridade absoluta na janela, e a chegada de Santiago Sosa está por detalhes. Mas ter Jair de volta, e nesse nível, é como ganhar um reforço de R$ 50 milhões sem gastar um centavo.
E ele não traz apenas qualidade na marcação. A versatilidade do nosso guerreiro é uma arma poderosa para o técnico Pedro Emanuel. Ele pode ser o cão de guarda na frente da zaga ou atuar mais adiantado, disputando posição com Thiago Mendes, Ramon Rique e Tchê Tchê. É mais uma opção de qualidade para um elenco que precisa de alternativas.
Em um momento decisivo, em que o Gigante da Colina luta com unhas e dentes contra o rebaixamento no Brasileirão e sonha com as glórias nos mata-matas da Copa do Brasil e da Sul-Americana, ter um jogador como Jair de volta é um sinal. Um sinal de que a luta não acabou. Pelo contrário, ela está apenas começando. Com um guerreiro desses no comando do meio-campo, o povo cruzmaltino tem todos os motivos para acreditar. Vamos subir, Vascão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.