O balde de água fria que a torcida não queria
Nação Cruzmaltina, preparem o coração. Aquele sonho que embalou nossas últimas semanas, a esperança de ver um craque vestindo nossa camisa, parece estar se desfazendo diante dos nossos olhos. A novela pela contratação do meia colombiano Nelson Deossa, que já dura mais de 60 longos e angustiantes dias, teve uma reviravolta digna dos piores pesadelos de um vascaíno. As conversas, que antes eram quentes e promissoras, esfriaram drasticamente. A tendência, infelizmente, é de um final infeliz para o Gigante da Colina.
Era o nome que todos queríamos. O principal alvo da janela, o jogador com aquela ‘habilidade diferente’ que tanto precisamos no nosso meio-campo. A diretoria insistiu, as conversas avançaram, mas como em uma sina que persegue o Vascão, tudo começou a dar errado. E agora, o que parecia certo virou uma dúvida dolorosa.
A bagunça interna que custou caro (de novo!)
Vamos ser sinceros: às vezes, nosso maior adversário somos nós mesmos. A negociação com Deossa caminhava a passos largos, com conversas iniciadas ainda durante a Copa do Mundo. O jogador queria vir, os salários estavam apalavrados. Estava tudo no papel, pronto para a caneta. E então, veio o caos.
Uma liminar que afastou o presidente Pedrinho do comando do futebol do clube caiu como uma bomba em São Januário. Essa instabilidade jurídica e administrativa paralisou tudo. O tempo que tínhamos para fechar o negócio foi desperdiçado em disputas internas, e a oportunidade de ouro começou a escorrer pelos nossos dedos. Enquanto a casa pegava fogo, o Real Betis, clube do jogador, observava de longe e ganhava um tempo precioso que jogou contra nós.
O craque brilhou na Europa e o cenário mudou
O futebol não perdoa quem vacila. Com a negociação travada pela nossa própria confusão, Deossa se reapresentou ao Real Betis para a pré-temporada. E o que ele fez? Jogou o fino da bola. O colombiano, que era visto como ‘negociável’ pelo clube espanhol, simplesmente destruiu nos jogos preparatórios.
Os números não mentem: foram 3 gols em 4 partidas. De repente, o jogador que eles estavam dispostos a liberar virou uma peça interessante para o técnico Maurício Pellegrini. O treinador argentino, que não é bobo, avisou à sua diretoria: só libera o Deossa se tiver outro reforço do mesmo nível já engatilhado. A nossa demora deu a ele a chance de mostrar seu valor, e ele agarrou com unhas e dentes.
O que era um negócio favorável ao Vascão virou um leilão onde não temos mais a melhor carta. O jogador se valorizou, e o clube espanhol agora faz jogo duro, com toda a razão do lado deles.
A vontade do jogador também pesou na balança
A torcida vascaína fez sua parte. Invadimos as redes sociais do atleta, mostramos o tamanho da nossa paixão. E por um tempo, funcionou. O próprio Deossa demonstrou uma vontade genuína de vestir a camisa do Almirante, chegando a acertar bases salariais. Ele queria fazer parte da reconstrução do Gigante.
Contudo, o cenário mudou. Após as atuações de gala na pré-temporada europeia e a incerteza vinda do Rio de Janeiro, a cabeça do jogador também mudou. A visão dele, que antes era focada no Caldeirão de São Januário, agora se volta para a permanência na Europa. E quem pode culpá-lo? A chance de brilhar em uma das maiores ligas do mundo, depois de provar seu valor, é tentadora para qualquer um.
E agora, Vascão? O plano B precisa ser para ontem
A diretoria do Vasco ainda não jogou a toalha oficialmente. Nosso diretor de futebol, Admar Lopes, chegou a cogitar uma viagem à Espanha para tentar destravar as conversas cara a cara, mas essa cartada final nunca saiu do papel. A verdade é que o clube entende que as chances, antes altíssimas, agora são mínimas.
A negociação, que já foi dada como próxima, hoje é vista internamente como ‘difícil de ser concluída’. A insistência foi válida, pois se tratava de um jogador de altíssimo potencial, mas a realidade se impôs. A tendência, cada vez mais clara, é que o Vascão precise virar a página e buscar novos alvos no mercado.
A questão que fica para o povo cruzmaltino é: e quem virá? A janela não espera a nossa burocracia ou nossas novelas. O time precisa de reforços de peso para ontem. A perda de Deossa, se confirmada, será um golpe duro, mas o Vasco da Gama é maior que qualquer jogador. É hora de a diretoria mostrar agilidade e competência para trazer um nome que possa, de fato, honrar nossa camisa. A torcida, como sempre, seguirá apoiando, mas não sem cobrar. Porque Vasco é coisa séria, e não podemos mais perder tempo.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.