Um gosto amargo de injustiça em São Januário
Tem noite que a bola pune. E hoje, torcedor vascaíno, foi uma dessas noites. O Vasco da Gama amassou, pressionou, criou, mas ficou no 0 a 0 com o Olimpia, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, em um São Januário que pulsava e empurrava. O sentimento é de frustração pura, de um empate com um gosto terrível de derrota, principalmente porque o culpado tem nome e sobrenome: Gastón Olveira, o goleiro paraguaio que resolveu operar milagres justamente contra o nosso Gigante.
A torcida que foi ao Caldeirão fez sua parte, mas saiu sob vaias, não contra o time que lutou, mas contra o resultado que não veio. Agora, a decisão ficou para a próxima quinta-feira (20), às 19h, no temido Defensores del Chaco, em Assunção. A missão ficou mais difícil, mas se tem uma coisa que a nossa história ensina é que o Vasco é o time da virada. E vamos ter que acreditar nisso mais uma vez.
Um massacre sem recompensa no primeiro tempo
Desde o primeiro minuto, só deu Vasco. Sob o comando do técnico Pedro Emanuel, o time entrou com a faca nos dentes, mostrando quem mandava em casa. As ações ofensivas eram todas nossas, com o time paraguaio acuado, sem conseguir respirar. A primeira grande chance veio aos 15 minutos, quando Rojas fez uma bela jogada pela direita e cruzou na medida para David. Era só empurrar pra dentro, mas o chute saiu mascado, para desespero do povo cruzmaltino. Ali já dava pra sentir que a noite seria de sofrimento.
O Almirante não se abateu e continuou em cima. Em uma cobrança de falta venenosa de Cuiabano, Puma Rodríguez apareceu como um raio na segunda trave e finalizou para o que seria o primeiro gol, mas Olveira começou seu show particular com uma defesa espetacular. O clima esquentou até com uma confusão entre Thiago Mendes e Fernando Cardozo, mostrando que ninguém ali estava pra brincadeira. Antes do intervalo, Thiago Mendes ainda achou Nuno Moreira em profundidade, que chutou cruzado para… outra defesa do goleiro paraguaio. Fomos para o vestiário com a sensação de que o placar de 0 a 0 era a maior mentira da noite.
A bola que teimou em não entrar
A esperança era que, no segundo tempo, a justiça fosse feita. E o Vascão voltou com o mesmo ímpeto. Logo aos dois minutos, David mergulhou de cabeça e Puma quase pegou o rebote na melhor chance da etapa final até então. A pressão era constante, com Cuiabano e Adson tentando de todas as formas furar o bloqueio. O Olimpia? Só assustou uma única vez, em um cabeceio de Delmas aos nove minutos. Foi o único suspiro deles.
Depois disso, o jogo ficou truncado. As substituições picotaram o ritmo, e a partida ficou mais lenta, mais brigada no meio-campo. Parecia que o ímpeto do Gigante estava diminuindo, mas era só a calmaria antes da tempestade final.
O gol que o Vascão CHOROU (e que Spinelli perdeu)
Na reta final, foi pressão total. O time do povo foi pra cima com tudo o que tinha, na base da raça vascaína. Os cruzamentos de Piton e as investidas de Puma Rodríguez e do recém-chegado Marino Hinestroza empurravam o Olimpia para dentro da própria área. Aos 30, o próprio Marino pegou uma sobra na entrada da área e isolou a bola, um prenúncio do que estava por vir.
E então, aos 45 minutos do segundo tempo, veio o lance que vai tirar o sono de muito vascaíno. O lance capital. Piton cruzou na área e a bola encontrou Claudio Spinelli. Livre. Na cara do gol. Com o goleiro praticamente batido. Era a bola do jogo, a bola da vitória, a bola do alívio. Mas, inexplicavelmente, ele pegou de canela na bola, que subiu e se perdeu. Um gol perdido de forma inacreditável, que fez São Januário emudecer por um segundo antes de explodir em frustração. Nos acréscimos, Zuccarello ainda tentou de longe, mas o placar estava selado. O apito final confirmou o 0 a 0 e as vaias da torcida ecoaram a decepção de todos nós.
Ficha do Jogo: Vasco 0 x 0 Olimpia
- Competição: Copa Sul-Americana – Oitavas de Final (Ida)
- Data e Horário: Quinta-feira, 13 de agosto de 2026, às 19h (de Brasília)
- Local: Estádio São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
- Onde Assistir: Paramount+ (Streaming)
- Gols: Não houve
- Cartões Amarelos: Thiago Mendes, Johan Rojas (VAS); Fernando Cardozo, Franco Alfonso (OLI)
- Cartões Vermelhos: Não houve
- Arbitragem: Dario Herrera (ARG), auxiliado por Maximiliano Del Yesso (ARG) e Sebastian Raineri (ARG). VAR: Germán Delfino (ARG).
- Técnico do Vasco: Pedro Emanuel
Decisão no Paraguai: Missão para o Gigante
Não adianta chorar o leite derramado. David não esteve em uma boa noite, Spinelli perdeu um gol feito, e o goleiro deles fez a partida da vida. A realidade é que agora a decisão é em Assunção. O empate sem gols em casa nunca é bom, mas também não é o fim do mundo. O Vascão terá que ir ao Paraguai para buscar uma vitória simples. Será um jogo de nervos, de superação, de mostrar a força da nossa camisa. Que essa frustração de hoje se transforme em combustível. Acreditamos em vocês. Pra cima deles, Gigante!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.