Isso é Vasco da Gama, meu amigo! Quando tudo parece perdido, quando o rival já canta vitória, a cruz de malta no peito pesa e a história muda. Neste domingo, no Maracanã, fomos do inferno ao céu em 90 minutos. Saímos de um 2 a 0 que doía na alma, fruto de erros que não podemos cometer, para um 2 a 2 épico, com sabor de goleada, sacramentado no último suspiro pelo improvável herói Hugo Moura. Sim, ele mesmo! A lei do ex nunca foi tão doce.
O próprio técnico Renato Gaúcho resumiu o sentimento de todo vascaíno: esse empate teve um delicioso sabor de vitória. E como não teria? Pontuar no Brasileirão é obrigação, mas arrancar um ponto do nosso maior rival, que briga lá em cima, depois de estar praticamente nocauteado, é para lavar a alma do povo cruzmaltino.
A verdade, no entanto, precisa ser dita. Com um pouco mais de capricho lá na frente e menos vacilos infantis lá atrás, os três pontos seriam nossos. O jejum contra eles teria acabado. Mas hoje, o que fica é a raça, a entrega e a prova de que este time não se entrega jamais.
A Invenção de Renato e o Desastre de Brenner
Quando a escalação saiu, muito torcedor coçou a cabeça. Renato Gaúcho surpreendeu ao mandar a campo um ataque com David, Brenner e Puma Rodríguez improvisado. A ideia, segundo a análise, era ter um time mais descansado e com força física. Na prática, a teoria foi outra.
E aqui, precisamos ser justos: Brenner foi uma nulidade. O atacante, que deveria ser a nossa referência, foi talvez o pior em campo. Hesitou em duas chances claras dentro da área e, no lance mais irritante, desperdiçou um contra-ataque de três contra dois com um chute ridículo da intermediária. Foi uma atuação para esquecer, que quase nos custou o clássico.
No começo, o Vascão até ameaçou. David e Rojas estavam ligados no jogo, criando boas jogadas pelas pontas. Mas faltava o homem-gol, aquele centroavante de qualidade para empurrar a bola para dentro. E enquanto a gente pecava na finalização, o rival foi letal.
Os Erros que Quase nos Derrubaram
Futebol não perdoa. E no Clássico dos Milhões, cada erro é uma sentença. A dupla de zaga, com Cuesta e Robert Renan, vacilou na marcação e o inspirado Pedro não perdoou, abrindo o placar para eles. Um balde de água fria.
O mérito do Gigante foi não sentir o golpe. Continuamos equilibrados, buscando o jogo. Mas o destino parecia cruel. Em outro lance de desatenção, Paulo Henrique cometeu um pênalti infantil, que Jorginho converteu. 2 a 0. Ali, muitos times teriam desmoronado. Muitos teriam entregado os pontos. Mas não o Vasco. A partir daquele momento, começou a nossa verdadeira luta.
Os Iluminados que Vieram do Banco
Atrás no placar, Renato finalmente fez o que a torcida pedia. Lançou o ataque que tem pedido passagem: Andrés Gómez, que não estava 100% e foi preservado, o centroavante Spinelli e Adson pela direita. Com Puma de volta à sua lateral, o time ganhou outra cara, mais agressivo, mais fluido.
A pressão aumentou, e o destino, que antes nos punia, resolveu nos sorrir. As substituições decisivas foram as últimas. O português Nuno Moreira entrou para cobrar um escanteio na cabeça de Robert Renan, que se redimiu do erro no primeiro gol e diminuiu o placar. O Caldeirão começou a ferver no lado cruzmaltino do Maracanã!
E então, o clímax. O lance final. A bola trabalhada com paciência pela esquerda, o cruzamento perfeito de Cuesta – outro que se redimiu – encontrou Hugo Moura. O nosso volante, ex-jogador deles, testou firme para o fundo do gol. Explosão! Correria, abraços, e o silêncio do lado de lá. 2 a 2. Épico. Inesquecível.
Olhando pra Cima, Gigante!
Fica a pergunta: e se o trio Gómez, Adson e Spinelli tivesse começado jogando? Nunca saberemos. O que sabemos é que o impacto deles, junto com a estrela de Hugo Moura e Nuno Moreira, mostra que Renato tem opções valiosas no elenco. Jogadores como Adson, Spinelli, Puma, Rojas e o próprio Hugo Moura estão aproveitando suas chances, enquanto outros como Brenner, Paulo Henrique, Marino e Tchê Tchê parecem perder espaço.
Este resultado reforça uma tendência. Sob o comando de Renato, o Vasco já venceu o primeiro, o terceiro e o quarto colocados do Brasileirão. Agora, empatou com o segundo. A 13ª posição ainda incomoda, herança de um começo terrível. Mas a consistência contra os mais fortes prova que nosso lugar é brigando na parte de cima da tabela. Chega de olhar para baixo. Com essa raça vascaína, o céu é o limite.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.