Um Empate com Sabor de Vitória e um Recado Direto para o Professor
Tem coisas que só a torcida vascaína entende. Arrancar um empate no Maracanã, contra o nosso maior rival, no último suspiro do jogo, é uma daquelas sensações que lavam a alma. O placar de 2 a 2 na 14ª rodada do Brasileirão foi um atestado da raça que nunca pode faltar. Mas, passada a euforia, a cabeça do torcedor começa a funcionar. E a pergunta que ecoou nas redes sociais após o apito final foi uma só: por que Andres Gómez começou no banco?
O povo cruzmaltino, que nunca abandona, viu um time que sofreu, que quase sucumbiu, mas que mostrou o coração do Gigante da Colina. E essa mesma torcida, com a autoridade de quem vive o clube 24 horas por dia, mandou um recado claro e direto para o técnico Renato Gaúcho. A paciência com improvisos parece ter chegado ao fim.
Um Clássico de Tirar o Fôlego (e a Paciência)
Quem viu o início do jogo no domingo (3) sentiu aquele calafrio de sempre. O Vasco entrou em campo nervoso, errando passes bobos, enquanto o rival impunha seu ritmo. E, como de costume, não demorou para a conta chegar. Com apenas sete minutos de bola rolando, o atacante Pedro abriu o placar para eles. Um balde de água fria.
A grande surpresa na escalação foi a ausência do colombiano Andres Gómez. Em seu lugar, na beirada esquerda, Renato Gaúcho optou por Brenner, um centroavante de ofício. Uma aposta que, no primeiro tempo, claramente não funcionou. O time até conseguiu equilibrar as ações depois do gol sofrido, mas faltava capricho, a última bola nunca entrava. Fomos para o intervalo com a sensação de que dava para mais, mas que algo estava errado na engrenagem.
Do Pesadelo à Glória: A Reação do Almirante
O segundo tempo começou com o Vascão mostrando outra postura, mais aguerrido, tentando encurralar o adversário. Mas a confiança ainda parecia abalada. E o roteiro do sofrimento ganhou mais um capítulo aos 13 minutos. Numa jogada dentro da nossa área, Paulo Henrique cometeu um pisão em Pedro. O árbitro Wilton Pereira Sampaio, após ser chamado pelo VAR, não teve dúvidas: pênalti.
Jorginho foi para a cobrança, deslocou nosso paredão Léo Jardim e fez 2 a 0. Ali, muitos poderiam ter jogado a toalha. Mas este é o Vasco. A camisa pesa, a história impõe respeito. E a reação veio. Primeiro, com o zagueiro Robert Renan, subindo mais que todo mundo para testar para o fundo do gol e diminuir o placar. A esperança se reacendeu nas arquibancadas.
O tempo passava, o desespero batia, mas o time não desistia. E foi no último lance, no apagar das luzes, que a justiça foi feita. O volante Hugo Moura, que tinha acabado de entrar, pegou a sobra e fuzilou para o gol, deixando tudo igual. Uma explosão de alegria, um grito entalado na garganta do torcedor que viu seu time lutar até o fim.
O Clamor Popular: “É o Básico, Renato!”
A comemoração do empate épico não calou a corneta construtiva da torcida. Pelas redes sociais, o nome de Andres Gómez virou o assunto principal. A mensagem para Renato Gaúcho foi uníssona: o colombiano tem que ser titular absoluto. Chega de improvisar com Brenner na ponta.
O sentimento geral é que, com Gómez em campo desde o início, o time teria mais profundidade, mais drible, e talvez não tivesse passado o sufoco que passou. A torcida entende que o básico, às vezes, é o melhor caminho. E o básico é ter o especialista da posição jogando em sua função. O recado foi dado. Agora, resta saber se o professor vai ouvir a voz da arquibancada, a verdadeira voz do Club de Regatas Vasco da Gama.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.