Aquele gol que a gente esperou… e que chega como despedida
Ah, torcedor vascaíno… O futebol tem dessas coisas que só quem ama o Gigante da Colina entende. É um misto de alegria, alívio e uma pontada de ironia no coração. Finalmente, depois de uma longa espera, Matheus França marcou seu primeiro gol com a nossa camisa sagrada. E que golaço! Mas, como nem tudo na vida do vascaíno é simples, essa redenção acontece justamente na reta final de sua passagem pelo clube.
Na vitória suada contra o Audax Italiano, nesta quarta-feira (6), pela Sul-Americana, vimos o lampejo do talento que fez o Crystal Palace, da Inglaterra, buscá-lo do outro lado da Lagoa. Só que o calendário não perdoa. O empréstimo do atacante termina no fim de junho, e o contrato é claro: sem cláusula de compra, sem choro nem vela. Ele vai voltar para a Inglaterra, e esse gol tem um sabor agridoce de “até logo”.
Uma virada com a cara do Vasco: na raça e no talento
O primeiro tempo contra os chilenos foi de amargar. O time apático, sem criatividade, e a gente em casa já roendo as unhas. Foi preciso o nosso comandante interino mexer na equipe no intervalo. Saiu JP, entrou Matheus França. E, meus amigos, a história do jogo mudou completamente.
O Vascão voltou com outra postura. Primeiro, o empate veio com Spinelli, de pênalti, para dar aquele respiro. A partir daí, o Gigante cresceu, e França começou a chamar a responsabilidade. Ele já tinha dado o aviso em uma bela tabela com o português Nuno Moreira, que terminou em defesa do goleiro Ahumada. Mas a dupla estava com fome de bola.
Pouco depois, veio a pintura. Em uma jogadaça pelo meio, Matheus França acionou Nuno mais uma vez, se projetou para dentro da área como um verdadeiro centroavante e recebeu a devolução na medida. Com a frieza que a gente tanto cobrou, ele bateu com categoria, no canto, sem chances para o goleiro. Um golaço para lavar a alma e garantir a virada do Almirante.
Por que só agora, Francinha? A pergunta que não quer calar
A comemoração foi grande, mas a pergunta ficou no ar: por que só agora? Contratado no meio do ano passado, Matheus França chegou com status de aposta de luxo. A ideia era recuperar o futebol que o levou à Premier League. Mas a realidade em São Januário foi dura.
Entre a falta de sequência com os técnicos que passaram por aqui, o espaço reduzido no time titular e atuações que, sejamos sinceros, foram bem apagadas, ele nunca conseguiu cair nas graças do povo cruzmaltino. O protagonismo que se esperava dele ficou apenas na promessa, e a desconfiança da torcida só aumentava.
Os números de uma passagem discreta
Os dados não deixam mentir sobre a passagem tímida do atacante. Antes de decidir o jogo contra o Audax, ele não entrava em campo desde o final de abril, na partida contra o Paysandu pela Copa do Brasil. A fonte do portal Lance! aponta um dado curioso: em 2026, ele soma apenas 223 minutos em campo, distribuídos em sete jogos.
É um tempo de jogo muito baixo para quem veio com a missão de ser um diferencial técnico. A maior parte de sua jornada no Vascão foi acompanhando os jogos do banco de reservas, longe de ter o impacto que seu potencial sugeria.
Fim da linha em São Januário: um adeus inevitável
O gol, portanto, simboliza um cenário no mínimo curioso. Matheus França começou a corresponder às expectativas justamente nos últimos capítulos de sua história no clube. Com a saída já definida e sem qualquer possibilidade contratual de permanência, ele retorna ao Crystal Palace em breve.
Não haverá negociação, não haverá proposta. O acordo de empréstimo será cumprido à risca. Fica para nós, fiéis do Gigante, a imagem daquele belo gol e a sensação de “e se?”. E se ele tivesse tido mais chances? E se tivesse se adaptado mais rápido? Infelizmente, no futebol e na vida, o “e se” não ganha jogo.
Agradecemos o empenho na virada épica na Sula, garoto. Mas o Vascão é gigante e segue sua caminhada. Que esse gol sirva de impulso para o restante do time na temporada, porque a nossa luta é diária e nós nunca vamos desistir. Vamos, Vascão!