A redenção que veio do banco
Tem noite que é diferente. Tem noite que a gente, torcedor vascaíno, já calejado de tanto sofrer, se permite sonhar. A noite de quarta-feira, lá no Chile, pela Sul-Americana, foi uma dessas. E o herói improvável, aquele que a gente já estava quase desistindo, atende pelo nome de Matheus França.
O Vascão perdia, o time não se encontrava e o fantasma de mais um tropeço assombrava. Mas aí, no intervalo, o destino resolveu sorrir para o Gigante. França entrou e a história do jogo mudou. O camisa 9, que carregava um fardo de 25 jogos sem balançar as redes, não só jogou bem, ele DESTRUIU o jogo.
Uma atuação de gala para lavar a alma
Não foi só o gol. Foi a atitude. Aos quatro minutos do segundo tempo, ele já mostrava a que veio: um drible com giro, desconcertante, e um cruzamento açucarado para Spinelli, que infelizmente não completou. Era o aviso.
A parceria com o português Nuno Moreira parecia coisa de treino, de quem se entende no olhar. Primeiro, uma tabela que terminou em um chutaço no ângulo, defendido milagrosamente pelo goleiro Ahumada. A bola teimava em não entrar. Mas a raça vascaína é persistente.
Até que, aos 25 minutos, a obra-prima. Outra tabela com Nuno, e desta vez, a frieza de um craque. De fora da área, França olhou, mirou e colocou a bola no cantinho, onde a coruja dorme. Um golaço. O primeiro dele com a nossa camisa. O gol da virada. O gol que fez a gente gritar e pensar: “será que agora vai?”.
Não é exagero dizer que foi sua melhor, e de longe, atuação pelo Almirante. Ele criou as melhores chances, driblou, finalizou e, o mais importante, decidiu a partida. Foi o Matheus França que a gente esperava ver desde que foi contratado.
A paciência que (quase) acabou
A chegada de Matheus França, cria do nosso rival, foi cercada de expectativa. Era uma contratação quase unânime dentro do departamento de futebol. Um jogador de potencial inegável. Mas o campo não estava correspondendo.
A falta de ritmo, as lesões na Inglaterra e, principalmente, o peso mental de vestir a camisa do Gigante da Colina pareciam travar o seu futebol. A torcida, com razão, foi perdendo a paciência. Mas quem está lá dentro pedia calma.
Em março, nosso ídolo Pedrinho fez um apelo: “O Matheus França, que foi muito elogiado por vocês (quando contratado), a gente pede para o torcedor um apoio para o Matheus, é um jogador de muito potencial”.
Até o ex-técnico Fernando Diniz, no início do ano, deu uma longa explicação sobre a situação do meia, lembrando de suas dificuldades e do talento que não some da noite para o dia. “Ele chegou aqui com muito tempo sem jogar. Teve lesões importantes na Inglaterra […] Concordo e ele também sabe que ainda não conseguiu se encontrar, mas a gente não pode desistir facilmente. É um cara que trabalha e não desaprendeu”, disse Diniz na época.
Um adeus com gosto de “quero mais”?
E aqui entra o nó na garganta de todo vascaíno. Essa atuação de gala acontece justamente na reta final do seu empréstimo. O vínculo de França com o Vascão vai somente até o fim de junho. Não há opção de compra estipulada em contrato com o Crystal Palace, da Inglaterra.
A tendência, até ontem, era de que o jogador arrumasse as malas e voltasse para a Europa sem deixar saudades. Mas e agora? Depois de uma noite como essa, como não pensar no “e se”?
Nosso meio-campo é uma posição carente, órfã desde a saída de Coutinho. Atualmente, só Rojas exerce a função com naturalidade. Ver França finalmente mostrar o futebol que pode jogar, justamente quando está de partida, é o tipo de ironia cruel que só acontece com o Vasco.
Virar a chave: o Caldeirão nos espera!
A festa pela vitória na Sula é boa, mas o foco agora é outro. O Brasileirão nos chama e a batalha é dura. O próximo compromisso do Gigante é em casa, no nosso Caldeirão, e precisamos da força de sempre da nossa torcida.
- Adversário: Athletico Paranaense
- Competição: 15ª rodada do Brasileirão
- Data e Hora: Próximo domingo, às 20h30
- Local: São Januário
Essa atuação de França dá moral, mas foi um lampejo ou o início de uma reviravolta? A gente torce, como sempre, pela segunda opção. Que essa atuação sirva de combustível para ele e para todo o elenco. Domingo é dia de guerra, é dia de Vasco!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.