Do inferno ao céu em 90 minutos
Tem coisas que só acontecem com o Vasco, e a noite desta quarta-feira no Chile foi a prova viva disso. Começamos o jogo da pior maneira possível, com uma falha que daria vergonha em qualquer pelada de fim de semana. Mas este é o Gigante da Colina. A gente sofre, a gente se desespera, mas a gente nunca abandona. E no fim, fomos recompensados com uma virada por 2 a 1 contra o Audax Italiano, que não só nos mantém na liderança do grupo G da Sul-Americana, mas lava a alma do torcedor e de jogadores que precisavam disso.
Foi uma noite de redenção. Uma noite para mostrar que a camisa do Vasco pesa, e quem a veste precisa ter raça para honrá-la, mesmo quando tudo parece perdido. Saímos do Chile com os três pontos, a liderança, a moral elevada e, o mais importante, a certeza de que temos um elenco capaz de lutar.
Um gol que não se explica: o pesadelo dos primeiros minutos
Vamos ser sinceros, torcedor. Quando o jogo começou, o sentimento foi de desespero. Com apenas 30 segundos, um recuo de bola quase terminou em desastre. Parecia um aviso. E o pior veio aos quatro minutos. Saldivia recuou para o nosso goleiro Fuzato, que… bom, nem ele deve saber o que aconteceu. Perdeu o tempo da bola de um jeito bizarro e ela morreu no fundo da nossa rede. Um gol contra vexatório.
Naquele momento, a estratégia da comissão técnica de Renato Gaúcho, de escalar um time misto, parecia ter ido por água abaixo. O time sentiu. A defesa, que já não contava com o entrosamento ideal por ter apenas três titulares do último clássico, ficou visivelmente insegura. O Audax, sem fazer esforço algum, estava na frente e pressionava em busca de mais um erro nosso. Em outro lance, Piton, com medo de recuar para Fuzato, tentou sair jogando na área e foi desarmado. A sorte é que o próprio Fuzato, mesmo abalado, fez uma boa defesa e evitou um estrago maior.
A hora da virada: os heróis improváveis do Gigante
Se o primeiro tempo foi um filme de terror, a segunda etapa foi um roteiro de superação digno do nosso Vascão. As substituições de Marcelo Salles mudaram a cara do time. A postura foi outra. A vontade de vencer falou mais alto que o desastre inicial.
E aí, surgiram os personagens da redenção. Um deles foi Marino Hinestroza. O colombiano, que custou uma grana e ainda não tinha mostrado a que veio, continuou errando alguns lances, é verdade. Mas ele foi pra cima, chamou a responsabilidade. Foi dele o cruzamento que resultou no pênalti em Spinelli e na expulsão do zagueiro Ortiz. Um lance que mudou o jogo e, quem sabe, a trajetória dele no clube.
Outro nome foi Nuno Moreira. O português, que busca reencontrar seu melhor futebol, foi o jogador mais lúcido do time no primeiro tempo e coroou a boa atuação com a assistência para o gol da virada. É o terceiro jogo seguido que ele participa de um gol. Está ganhando a confiança que tanto precisava.
Matheus França: o gol que a torcida tanto esperou
Mas a redenção mais emblemática da noite tem nome e sobrenome: Matheus França. Eleito o melhor em campo pelos internautas do ge, ele entrou no intervalo e simplesmente transformou o nosso ataque. Com um jogador a mais, ele atacou os espaços, driblou, finalizou. Levou perigo constante.
E o destino, meus amigos, fez justiça. Foi dele, com um belo chute, o gol da virada. O seu primeiro gol com a camisa do Vasco. Um grito que estava entalado na garganta não só dele, mas de toda a torcida vascaína que esperava ver o seu futebol brilhar. Que seja o primeiro de muitos! Desencantou!
Missão cumprida e olho no Paraguai
Voltamos do Chile com muito mais que três pontos. Voltamos com a liderança do Grupo G, com sete pontos. Voltamos com a moral de um elenco que se provou forte. E, de quebra, demos o troco no Audax, que teve a audácia de nos vencer em São Januário.
Agora, a caminhada continua. O próximo compromisso é uma verdadeira final antecipada. No dia 20 de maio, vamos ao Paraguai enfrentar o Olimpia no estádio Defensores del Chaco. Eles também têm sete pontos. Será um confronto direto, uma batalha pela ponta da tabela. Mas depois de uma noite como essa, a confiança está renovada. Vamos pra cima deles, Gigante!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.