MAIS QUE ÍDOLO, UM AMIGO: Sorato e Bismarck se despedem de Geovani e emocionam o Vasco

O adeus ao Pequeno Príncipe Geovani dói na alma, mas as palavras de Sorato e Bismarck, seus parceiros de glória, nos lembram do gigante que ele foi.

‘Sempre foi uma referência para mim’

A notícia que nenhum vascaíno queria ler chegou como um soco no estômago nesta segunda-feira (18). Geovani, nosso Pequeno Príncipe, o maestro de um dos times mais gloriosos que São Januário já viu, nos deixou. Aos 62 anos, ele partiu de forma repentina, após uma dura batalha contra um tumor vertebral. Foi levado a um hospital em Vila Velha, no Espírito Santo, mas o Gigante da Colina hoje chora a perda de um de seus filhos mais brilhantes.

E na hora da dor, as palavras de quem esteve ao lado dele no campo de batalha nos dão a dimensão do homem por trás do ídolo. Sorato, parceiro de Geovani nas décadas de 80 e 90, não poupou emoção ao falar do amigo. Para ele, o camisa 8 era mais do que um colega de time; era um farol.

“O Geovani sempre foi uma referência para mim. Quando eu estava nas categorias de base do Vasco, ele já estava no profissional, e sempre foi uma referência pela qualidade, pela maneira como tratava a bola e, depois, a maneira que me tratava, com muito carinho e amizade”, declarou o ex-atacante, com a voz carregada de saudade e gratidão.

Essa era a essência de Geovani. Não era apenas o craque que fazia a bola chorar, mas o líder que estendia a mão para os mais novos, que ensinava pelo exemplo, que transformava um vestiário em uma família. Vasco é isso, é coisa séria, é sobre legado.

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O Passe para a História contra o nosso maior rival

Existem momentos que definem uma carreira e eternizam uma amizade. Para Sorato, um desses momentos tem a assinatura de Geovani. Uma memória que nem o tempo, nem a dor da perda, conseguirão apagar. Um presente do Príncipe para o seu fiel escudeiro.

“Ele é um jogador e uma pessoa espetacular. Contribuiu demais para a minha carreira. O primeiro gol que eu faço contra o Flamengo em 1988, veio de um passe extraordinário dele. Uma carreira brilhante e um ser humano fantástico”, completou Sorato. Imaginem a cena, torcedor vascaíno. Um clássico pegando fogo, e Geovani, com aquela calma dos gênios, acha um passe que só ele viu, rasgando a defesa rival e entregando o gol de bandeja para o amigo. Isso é Vasco! Isso é Geovani!

Aquela parceria não foi feita só de lances geniais, mas de taças. Juntos, eles empilharam conquistas que marcaram a nossa história. Aquele time era uma máquina, e eles eram o coração e a alma. A lista de glórias da dupla fala por si:

  • Campeonato Brasileiro: 1989
  • Campeonato Carioca: 1988, 1992, 1993
  • Taça Rio: 1988

‘Falei para ele o quanto eu o amava’

O sentimento de perda e admiração ecoa em outro gigante daquela geração. Bismarck, outro craque que desfilou seu talento com a Cruz de Malta no peito, também compartilhou a dor e o carinho que sentia pelo amigo. As palavras de Bismarck são um testamento do impacto humano de Geovani.

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“Ele sempre foi uma pessoa muito boa. Estive com ele no Rio meses atrás. Falei para ele o quanto eu o amava e continuo amando”, revelou o ex-meia, em uma declaração de cortar o coração. Em um mundo tão competitivo como o do futebol, ouvir isso mostra que a amizade e o respeito que eles construíram eram reais e profundos. Era uma família.

Bismarck reforçou o que Sorato já havia dito: Geovani era o porto seguro dos mais jovens. “Para a minha geração ele foi uma referência. Sempre ajudou todo mundo que vinha da base”. Era o craque consagrado que não tinha ego, que via nos meninos da base o futuro do Vascão e fazia questão de acolher e aconselhar. Um verdadeiro capitão, com ou sem a faixa no braço.

O Legado Imortal do Pequeno Príncipe da Colina

Falar de Geovani é falar da história do Club de Regatas Vasco da Gama. Habilidoso, absurdamente inteligente, um armador à moda antiga que jogava de smoking. Ele não precisava correr como um louco; sua mente corria por ele. Sempre de cabeça erguida, enxergando o jogo em outra dimensão. Um dos maiores meias que já pisaram no gramado sagrado de São Januário, sem a menor dúvida.

Foram 12 anos de dedicação, entre idas e vindas, de 1983 a 1995. Foram 408 jogos honrando nosso manto e 49 gols para a alegria do povo cruzmaltino. Mas os números são frios perto da magia que ele produzia. Os dribles desconcertantes, os lançamentos perfeitos, a plástica de seus movimentos. Ele virou ídolo não só pelos cinco Campeonatos Estaduais que conquistou (1982, 1987, 1988, 1992 e 1993), mas pela arte que exibia em campo.

Hoje, a saudade dói. O céu ganhou um maestro, e a Colina Histórica perdeu um pedaço de sua alma. Mas ídolos como Geovani não morrem. Eles vivem para sempre em nossas memórias, em nossos títulos e na inspiração que deixam para as futuras gerações. O Pequeno Príncipe agora descansa, mas seu reinado em nossos corações é eterno. Obrigado por tudo, Geovani. O Vasco te ama.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.