O CÉU GANHA UM PRÍNCIPE: Adeus, Geovani, o camisa 8 que o Vascão aplaudiu de pé

O Vascão chora. Geovani, o Pequeno Príncipe, partiu. Relembre a emocionante homenagem que o Gigante fez em vida ao seu eterno e genial camisa 8.

O dia em que o Vascão ficou mais triste

Tem notícias que a gente nunca está preparado para receber. A de hoje é uma delas. O coração de todo vascaíno amanheceu mais pesado, com um nó na garganta. Geovani, o nosso eterno ‘Pequeno Príncipe’, nos deixou. O Gigante da Colina chora a partida de um dos maiores camisas 8 que já vestiram nosso manto sagrado. A notícia da sua morte repentina nesta segunda-feira (18), após passar mal durante a madrugada, caiu como um raio em São Januário. Levado a um hospital em Vila Velha, nosso guerreiro não resistiu.

É difícil aceitar. Geovani era mais que um jogador; era um símbolo de um Vasco técnico, inteligente e vencedor. Um maestro que, mesmo longe dos gramados, travava uma batalha de gigante pela vida, uma luta que inspira a mesma raça que ele sempre pediu em campo.

A última ovação: a homenagem que se tornou despedida

O destino, em sua estranha sabedoria, nos permitiu uma despedida. Em fevereiro deste ano, o Vascão teve a chance de mostrar a Geovani, em vida, o tamanho do seu lugar na nossa história: imenso. Diante de 21.626 fiéis do Gigante, o Pequeno Príncipe foi homenageado. E não poderia ser em um lugar mais especial: o estádio Kleber Andrade, no Espírito Santo, sua terra natal.

Naquele dia, nosso presidente Pedrinho, outro ídolo que sabe o peso dessa camisa, entregou a ele o status de lenda. As palavras de Pedrinho ecoam ainda mais fortes hoje, carregadas de emoção e verdade. Ele, que viu Geovani treinar quando era garoto e ainda teve a honra de jogar ao seu lado, resumiu o sentimento de toda uma nação:

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“Ele é um patrimônio para todos nós. O famoso ‘Pequeno Príncipe’ que na minha infância tive oportunidade de chegar dos treinos e ver o profissional treinando ali, com Geovani no campo. E quando eu subo pro profissional ainda pego um pouquinho dele comigo lá. É um ídolo pra gente. Está na história do Vasco, um dos maiores camisas 8 que tivemos e é conhecido como Pequeno Príncipe de forma muito merecida”, declarou o presidente.

Aquela ovação, aquele carinho, aquela festa… foi o nosso último ‘obrigado’. Um ‘obrigado’ por cada passe, cada drible, cada título. Mal sabíamos que seria a última vez que o aplaudiríamos de pé.

Um guerreiro dentro e fora de campo

A genialidade de Geovani com a bola nos pés era conhecida por todos. Mas sua força fora das quatro linhas era igualmente gigante. Desde 2006, nosso ídolo enfrentava uma batalha silenciosa e dura contra um tumor vertebral. A doença resultou em uma polineuropatia, que lhe trouxe sérias dificuldades de locomoção. Mas ele nunca desistiu.

A luta foi longa e árdua. Em agosto do ano passado, sofreu uma parada cardíaca. Em 2022, ficou cerca de 20 dias internado por problemas no coração. Já em 2024, foi novamente hospitalizado por desidratação. Cada internação, cada susto, era acompanhado de perto pelo povo cruzmaltino, sempre em oração pelo nosso Príncipe. Ele lutou como um verdadeiro vascaíno, com a mesma garra que o consagrou.

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A magia do armador à moda antiga

Falar de Geovani é falar de futebol arte. Ele era o ‘armador à moda antiga’: corria pouco, mas pensava muito. Sempre de cabeça erguida, parecia ter o mapa do campo desenhado em sua mente. Os lançamentos milimétricos, os dribles curtos e a inteligência para ditar o ritmo do jogo eram sua marca registrada. Defendeu nosso Vascão por 12 anos, entre 1983 e 1995, em uma era de ouro.

Os números comprovam sua grandeza: foram 408 jogos e 49 gols com a Cruz de Malta no peito. Mas Geovani era mais que números. Ele era o maestro de uma orquestra que tinha craques como Romário e o nosso eterno Rei, Roberto Dinamite. Juntos, eles encantaram o Brasil.

Seu legado está gravado em nossa sala de troféus:

  • Campeonato Estadual: 1982
  • Campeonato Estadual: 1987
  • Campeonato Estadual: 1988
  • Campeonato Estadual: 1992
  • Campeonato Estadual: 1993

Cinco títulos estaduais que mostram a dimensão do que ele representou para o Gigante da Colina. Ele não apenas jogou no Vasco; ele foi o Vasco em sua forma mais pura e técnica.

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Um lugar eterno na constelação vascaína

Geovani partiu. A dor é imensa, mas o orgulho de tê-lo como ídolo é maior ainda. Ele agora se junta a Dinamite e outras estrelas que brilham no céu, olhando por nós. O Pequeno Príncipe voltou para o seu asteroide, mas deixou em São Januário um legado de classe, técnica e amor à camisa.

Hoje não há ironia, não há crítica. Há apenas saudade e gratidão. O Caldeirão de São Januário hoje está em silêncio, em luto. Mas a memória do seu futebol, dos seus lances plásticos e da sua luta incansável ecoará para sempre nas nossas arquibancadas. Descanse em paz, Príncipe. O Vascão jamais te esquecerá.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.