O CÉU GANHA UM MAESTRO: Adeus, Geovani, o Pequeno Príncipe do Vascão!

Luto na Colina! O Vasco da Gama chora a perda de Geovani, o eterno Pequeno Príncipe. Relembre a trajetória do gênio que humilhou Zico e encantou o Brasil.

Um dia triste em São Januário

A segunda-feira amanheceu mais cinzenta para a nação cruzmaltina. O Gigante da Colina está de luto. Perdemos um dos nossos. Geovani, o eterno Pequeno Príncipe de São Januário, nos deixou de forma repentina, após passar mal durante a madrugada. A notícia cai como um soco no estômago de todo vascaíno que preza pela história gloriosa do nosso clube.

Desde 2006, nosso ídolo travava uma batalha silenciosa e dura fora dos gramados. Um tumor vertebral resultou em uma polineuropatia, uma condição cruel que limitou severamente sua locomoção. O homem que flutuava em campo, que fazia a bola ser sua serva, enfrentava com a raça vascaína uma luta injusta contra o próprio corpo. Hoje, essa luta chegou ao fim. O guerreiro descansou.

O Maestro que parava o tempo na Colina

Falar de Geovani é falar de arte. Em uma época de futebol cada vez mais físico e apressado, ele era a pausa, a inteligência, a classe. Um armador à moda antiga, que jogava de cabeça erguida, com o mapa do campo desenhado em sua mente. Corria pouco, mas pensava por todos. Era o cérebro de um time que se acostumou a levantar taças.

Não foram poucos os troféus. Com o nosso manto sagrado, entre idas e vindas que duraram 12 anos (de 1983 a 1995), o Pequeno Príncipe disputou 408 jogos e marcou 49 gols. Mais importante que os números, foram os títulos: cinco Campeonatos Estaduais (1982, 1987, 1988, 1992 e 1993). Ele transformou a Colina em seu palácio e a torcida em seus súditos fiéis, encantados com seus dribles, seus lançamentos milimétricos e sua genialidade.

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O dia que o Príncipe humilhou o ‘Rei da Gávea’

Para nós, vascaínos, certas memórias valem mais que ouro. E uma delas tem o carimbo de Geovani. Em 1982, ainda um garoto recém-chegado do Espírito Santo, ele foi peça fundamental na conquista do Carioca em cima do Flamengo de Zico, que vivia seu auge. Mas não bastava vencer, era preciso deixar uma marca.

E que marca! Até hoje, a torcida vascaína se arrepia ao lembrar do histórico chapéu que nosso Pequeno Príncipe aplicou em Zico. Em pleno Maracanã lotado, um moleque de 18 anos mostrando que em São Januário não se abaixa a cabeça para ninguém. Aquele drible foi um recado: o Vasco é coisa séria.

Brilho com a Amarelinha e respeito na Europa

O talento era tanto que não cabia só no Brasil. Em 1983, Geovani foi o craque da Seleção Brasileira que conquistou o Mundial de juniores pela primeira vez na história. Ao lado de nomes como Bebeto, Jorginho e Dunga, ele foi eleito o melhor jogador do torneio. O mundo conhecia o nosso camisa 10.

Ele ainda seria um dos destaques na Olimpíada de Seul, em 1988, trazendo a medalha de prata para casa após uma final amarga contra a União Soviética, perdida por 2 a 1 na prorrogação. No ano seguinte, em 1989, sagrou-se campeão da Copa América, disputada aqui no Brasil.

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O futebol europeu o chamou. Defendeu o Bologna, na Itália, e o Karlsruher, na Alemanha. Mas o coração de um vascaíno de verdade sempre bate mais forte pela Colina.

A volta para casa e o adeus de um ídolo

Em 1992, ele voltou. E como se o tempo não tivesse passado, foi novamente fundamental para a conquista de mais um bicampeonato estadual (1992/1993). Jogou ao lado de gigantes como Roberto Dinamite e viu nascer para o futebol um tal de Romário. Que privilégio o nosso!

Uma proposta vantajosa do Tigres, do México, o levou por uma temporada, impedindo um tricampeonato que seria histórico. Mas ele voltou mais uma vez, em 1995, para se despedir do clube que amou. Depois, ainda desfilou sua categoria por equipes menores, mas sua alma sempre pertenceu a São Januário.

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Hoje, o choro é inevitável. Perdemos um pedaço da nossa história. Mas os grandes ídolos não morrem, se encantam. Geovani, o Pequeno Príncipe, agora reinará em outra esfera, ao lado de Dinamite e de tantos outros que fizeram do Vasco o Gigante que é. Obrigado por tudo, Maestro. Sua genialidade será eterna.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.