Alívio e Agonia: A Noite que Define ser Vascaíno
É isso, nação cruzmaltina. Estamos nas oitavas de final da Copa do Brasil. Mas se você achou que seria fácil, depois do 2 a 0 na ida, você esqueceu qual camisa ama. Em uma noite com a cara do Vasco, o time dominou, abriu uma vantagem confortável, mas decidiu testar os corações de sua fiel torcida, cedendo um empate em 2 a 2 para o Paysandu dentro de um São Januário que foi do céu ao inferno em minutos.
A classificação veio, e é o que importa no final das contas. Mas as vaias após o apito final mostram que o povo cruzmaltino viu o mesmo que nós: o Gigante da Colina pode e deve mais. Foi uma mistura de alívio com uma pontada de irritação. Típico.
Um Primeiro Tempo de Gala com Show de Marino
O Vascão começou a partida como se estivesse em casa – e estava. Controlando as ações, o time de Renato Gaúcho não deu chances ao Papão. E a noite tinha um dono: o colombiano Marino. O ponta-direita, que chegou no início do ano, finalmente mostrou a que veio e fez sua melhor partida com a nossa camisa.
Primeiro, ele fez uma jogadaça pela direita, costurando a zaga e sendo derrubado na área. Pênalti claro! Na bola, Johan Rojas, com a frieza de quem sabe o peso do manto, deslocou o goleiro e correu para o abraço, marcando seu primeiro gol pelo Gigante. A Colina explodiu!
Não demorou para o segundo. E adivinha quem começou a jogada? Ele mesmo, Marino. Após outra boa trama do colombiano, a bola chegou em Thiago Mendes, que fuzilou para as redes, marcando seu quinto gol na temporada e igualando seu ano mais artilheiro na carreira. 2 a 0 no placar, 4 a 0 no agregado. Festa no Caldeirão! Parecia resolvido. Parecia…
No último lance do primeiro tempo, o primeiro vacilo. Numa bola enfiada por Marcinho, Thayllon invadiu a área e descontou para o Paysandu. Um balde de água fria, mas nada que tirasse o sono. Ou assim pensávamos.
O Apagão, o Gol Contra e o Drama Instaurado
O que aconteceu no primeiro minuto do segundo tempo é coisa de filme de terror. Em um cruzamento despretensioso de Thayllon, nosso zagueiro Saldivia, na tentativa de cortar, acertou a bola de canela e a viu morrer no fundo do nosso próprio gol. Um gol contra bizarro, inacreditável. O terceiro do zagueiro uruguaio em 2026. Sim, o terceiro. É de arrancar os cabelos.
O que era uma festa virou um velório. O 2 a 2 acendeu o alerta máximo. O time sentiu o golpe, a torcida ficou tensa. O Vasco até teve chances de passar à frente de novo, mas faltou aquele capricho, aquela tranquilidade que o gol contra nos roubou.
Brenner Irrita, Mendes é Expulso e a Torcida Vaia
Se Marino foi o herói, a noite teve seu vilão. O atacante Brenner desperdiçou uma oportunidade atrás da outra, principalmente no primeiro tempo, e chegou a irritar o técnico Renato Gaúcho na beira do campo. A paciência da torcida, que já não é muita, acabou. Ao ser substituído na segunda etapa, Brenner ouviu uma sonora vaia do Caldeirão.
Para completar o roteiro de drama, aos 45 do segundo tempo, Thiago Mendes, o autor de um dos nossos gols, foi expulso. O árbitro Braulio da Silva Machado interpretou como cotovelada um movimento de braço do nosso volante. Um exagero, na nossa opinião, já que parecia mais um braço de proteção. Mas, na dúvida, a corda sempre arrebenta para o nosso lado.
No fim, o apito final trouxe o alívio da classificação, mas o som que ecoou foi o das vaias de parte da torcida. Um recado claro: queremos raça, mas queremos também inteligência para não sofrer tanto. Que venham as oitavas, mas que essa lição tenha sido aprendida.
Ficha Técnica do Jogo
- Competição: Copa do Brasil – 5ª Fase (Volta)
- Data e Horário: Quarta-feira, 13 de maio de 2026, às 19h (de Brasília)
- Local: Estádio São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
- Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
- VAR: Rafael Traci (SC)
- Gols: Rojas (VAS), Thiago Mendes (VAS), Thayllon (PAY), Saldivia – Contra (VAS)
- Cartões Amarelos: Lucas Freitas (VAS), Nuno Moreira (VAS), Macapá (PAY)
- Cartão Vermelho: Thiago Mendes (VAS)
Escalação do Vascão:
- Léo Jardim; Paulo Henrique (Puma), Saldivia, Lucas Freitas e Lucas Piton; Barros, Thiago Mendes e Rojas (Nuno Moreira); Marino (Adson), David (Spinelli) e Brenner (Andrés Gómez).
Escalação do Paysandu:
- Gabriel Mesquita; Edilson, Castro, Lucca Carvalho (Iarley) e Bonifazi (Luciano Taboca); Macapá (Enrico), Caio Mello e Marcinho; Ítalo, Kleiton e Thayllon (Thalyson).
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.