Classificação com sabor de bronca: O recado de Renato Gaúcho
Aquele sentimento que todo vascaíno conhece bem. O alívio da classificação misturado com a raiva de um sufoco totalmente desnecessário. O Vasco está nas oitavas de final da Copa do Brasil, mas se você acha que o clima era de festa no vestiário, está muito enganado. Após o empate em 2 a 2 com o Paysandu em pleno São Januário, o técnico Renato Gaúcho foi para a coletiva de imprensa com a faca nos dentes e não poupou ninguém.
A cena era de um time que tinha o jogo na mão. Com 2 a 0 no placar, a vaga parecia carimbada, tranquila. Mas aí, meu amigo, entrou em campo um dos piores adversários do futebol: o salto alto. O relaxamento. E foi exatamente isso que o nosso comandante apontou, sem meias palavras, como o grande culpado pela noite de tensão no Caldeirão.
“O jogo se tornou difícil em certos momentos para a gente porque nós permitimos”, disparou Renato, deixando claro que a culpa não foi do adversário, que, segundo ele, fez uma “belíssima partida”, mas sim da nossa própria postura. Uma postura que quase nos custou muito, mas muito caro.
“Já ganhou?” O erro que quase custou a vaga
É uma praga, uma doença que parece assombrar times que abrem vantagem. Renato Gaúcho descreveu com perfeição o que aconteceu em campo. “Nós fizemos 2 a 0… mas aí vem aquela acomodação de um ou outro jogador, ‘ah já está decidido'”, criticou o treinador. Quem nunca viu esse filme, não é mesmo?
O castigo, como sempre, veio rápido. “No último lance do primeiro tempo eles acharam um gol”, lamentou Renato. Aquele gol mudou tudo. Deu vida nova ao Paysandu e trouxe de volta todo o drama que a gente achava que tinha deixado para trás. O Papão, valente, ficou a apenas dois gols de levar a decisão para os pênaltis. Um cenário impensável minutos antes.
A bronca do técnico tem um motivo claro: ele avisou. Ele previu. A displicência não foi uma surpresa, foi um alerta ignorado.
“Eu avisei!” A preleção ignorada pelo elenco
Um líder avisa seus comandados sobre os perigos da batalha. Foi o que Renato fez. Mas, aparentemente, a mensagem não foi totalmente absorvida. “E eu estou alertando meu time desde ontem sobre esse jogo porque era um jogo perigoso”, revelou um Renato visivelmente frustrado.
Ele continuou, martelando na mesma tecla, como um pai que vê o filho cometer o erro que ele tanto alertou para não cometer. “Independentemente da competição e do adversário, você tem que levar a sério os 90 minutos… E tudo que eu alertei eles desde ontem e hoje na preleção infelizmente aconteceu.”
Essa fala é um soco no estômago. Mostra que a displicência não foi apenas um erro técnico ou tático, foi um erro de mentalidade. Um erro que gerou consequências diretas no planejamento para a sequência da temporada.
Desgaste desnecessário: O preço da displicência
O relaxamento em campo custou mais do que a nossa paz. Custou pernas e fôlego. Renato Gaúcho tinha um plano: com a vitória encaminhada, ele pouparia alguns dos seus principais jogadores, já pensando na batalha contra o Internacional, no próximo sábado, pelo Brasileirão.
Mas o roteiro mudou. “E aí, quando eu posso poupar um ou dois jogadores para o jogo de sábado, eu tenho que deixar os jogadores em campo se desgastando porque eu tive que fazer algumas trocas que eu não esperava para garantir a classificação”, explicou o técnico. Ou seja, o que era para ser um jogo para rodar o elenco virou uma luta pela sobrevivência, desgastando atletas que serão cruciais na difícil partida em Porto Alegre.
Renato também foi duro ao analisar a atuação de alguns jogadores, como Brenner e David. Segundo o técnico, eles “aceitaram muito a marcação do Paysandu” e não tiveram a movimentação necessária para quebrar as linhas do adversário. Faltou a tal “entrega” que ele tanto cobra.
Preocupação com Paulo Henrique e foco no Inter
Para piorar o cenário, ainda temos a situação de Paulo Henrique, que saiu lesionado. Renato foi cauteloso ao falar sobre o jogador. “Quanto ao PH, ainda não conversei com os médicos. Eu vou conversar, mas provavelmente a gente precise esperar 24 horas para fazer uma avaliação melhor do jogador”. Mais uma dor de cabeça para a comissão técnica.
Agora, o foco se volta para o Campeonato Brasileiro. O Vascão enfrenta o Internacional no próximo sábado, às 18h30 (horário de Brasília), em Porto Alegre, pela 16ª rodada. Um jogo que exige 100% de concentração, algo que faltou contra o Paysandu.
Na Copa do Brasil, o Gigante da Colina aguarda o sorteio da CBF para conhecer seu adversário nas oitavas, que só acontecerão em agosto, depois da Copa do Mundo. Até lá, temos muito campeonato pela frente.
A bronca de Renato foi dura, mas necessária. “Demos esse prazer para o Paysandu gostar do jogo, sofremos porque deixamos eles jogarem. Infelizmente quase pagamos caro por isso”, concluiu. Que a lição tenha sido aprendida. No Vasco, jogar com displicência é um luxo que não podemos nos permitir. Nunca. A camisa pesa, e a torcida cobra. E com razão.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.