Um Vexame e uma Cadeira Vazia
A noite de domingo foi daquelas que o torcedor vascaíno quer esquecer, mas não consegue. Uma derrota dolorida por 3 a 0 para o Bragantino, que já seria amarga por si só, ganhou contornos de crise existencial na coletiva de imprensa. Onde deveria estar o técnico Renato Gaúcho, para explicar o inexplicável, encontramos uma cadeira vazia e a surpresa: o diretor de futebol Admar Lopes e o volante Thiago Mendes subiram à tribuna.
A cena era forte. O comandante do barco não apareceu após o naufrágio. O recado, no entanto, não era de abandono, mas de um pacto. Um pacto que dividiu a torcida: foi um ato de união ou um atestado de que o vestiário está perdido?
‘Não deixamos o Renato vir’
Foi Admar Lopes quem tomou a palavra primeiro, com a cara e a coragem de quem precisa dar uma satisfação ao povo cruzmaltino. E a explicação foi direta, sem rodeios. A decisão de barrar o treinador da coletiva partiu da diretoria e dos jogadores.
“Nós quisemos assumir e não deixamos o Renato vir para a coletiva”, disparou o diretor, antes de detalhar o baque sentido pelo técnico. “Renato ficou muito sentido com as críticas. Houve muita conversa, mas o Renato não pediu demissão. Não está na mesa a possibilidade dele sair. Houve uma conversa muito aberta, de homens, e fizemos esse gesto para mostrar que estamos com ele. Assumimos as nossas responsabilidade e a culpa nunca é só de uma pessoa”, completou Admar.
Segundo o dirigente, a conversa no vestiário durou mais de uma hora. Um longo e tenso debate onde todos falaram, expondo as feridas de um time que mais uma vez flerta perigosamente com o abismo.
Thiago Mendes, a Voz do Elenco: ‘A Culpa é Nossa’
Se as palavras do diretor tentaram acalmar o incêndio, a fala de Thiago Mendes jogou um balde de sinceridade na fogueira. Como um dos líderes do grupo, o volante foi enfático ao tirar qualquer peso das costas do treinador e colocar nos ombros dos jogadores.
“Sabemos que quem entra em campo somos nós, jogadores. Hoje, tínhamos que dar a cara na entrevista. Ele não é culpado”, afirmou Mendes, com a seriedade de quem sabe o tamanho do problema. “Demos a cara por ele. Ele não teve culpa nenhuma. Quem teve foram os jogadores que entraram em campo”, concluiu, em uma declaração forte que joga toda a pressão para o elenco.
E Agora, Gigante? A Luta Contra o Fantasma do Z4
Apesar do pacto e da união declarada, a realidade nos números é cruel. Com a derrota, o Vascão estacionou nos 20 pontos, a apenas dois míseros pontos da zona de rebaixamento. O fantasma que nos assombra há anos continua batendo na porta.
O calendário não dá trégua e a reação precisa ser imediata. O Gigante da Colina tem dois compromissos fundamentais em São Januário para tentar salvar o semestre e a nossa sanidade. É hora de transformar as palavras em atitude dentro de campo.
- Quarta-feira: Vasco x Barracas Central, às 19h, em São Januário (Conmebol Sul-Americana).
- Domingo: Vasco x Atlético-MG, às 16h, em São Januário (Brasileirão).
O apoio da torcida, como sempre, será incondicional. Mas agora, mais do que nunca, o time precisa responder. A atitude na coletiva foi nobre, mas só a vitória nos trará paz. E você, torcedor, o que achou dessa blindagem ao técnico? É sinal de união ou de um time sem rumo?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.