Em meio ao caos, uma voz se levanta. E que voz, torcedor vascaíno! Depois da vitória por 3 a 0 sobre o Barracas Central, que lavou a alma do povo cruzmaltino em São Januário, nosso paredão Léo Jardim assumiu o microfone e mandou o recado que a gente precisava ouvir. Em uma semana que parecia um pesadelo, o goleiro botou o peito na frente das balas, garantiu o grupo fechado com o técnico Renato Gaúcho e pediu apoio para o atacante Brenner.
A vitória na Copa Sul-Americana foi mais que três pontos. Foi um suspiro de alívio, um grito de ‘ainda estamos vivos’ depois de uma sequência tenebrosa de três derrotas que deixou o clima pesadíssimo na Colina Histórica. A derrota humilhante por 3 a 0 para o Bragantino no fim de semana doeu na alma e nos deixou perigosamente perto daquela zona maldita que tanto nos assombra.
Mas, segundo Jardim, a reação não veio do nada. Veio da vergonha na cara. Veio da cobrança.
A COBRANÇA INTERNA QUE VIROU A CHAVE
As paredes do CT Moacyr Barbosa tremeram nos últimos dias. E não foi só pela visita de torcedores organizados na segunda-feira, que foram lá cobrar o elenco. A principal cobrança, segundo nosso goleiro, veio de dentro pra fora.
“A gente se cobrou bastante. Houve uma cobrança, de todas as partes, que foi muito produtiva para essa mudança de chave”, revelou Léo Jardim, com a seriedade de quem sabe o peso da camisa que veste. A gente, daqui da arquibancada, sentia a apatia em campo. Saber que eles também sentiram e se cobraram é o mínimo que esperamos.
O paredão cruzmaltino fez questão de frisar que essa atitude não pode ser fogo de palha. “Importante que a gente dê continuidade nisso, que não seja uma coisa momentânea, que a gente consiga realmente girar essa chave e consiga ser mais consistente daqui para frente”, completou. É isso, Jardim! Consistência é a palavra que falta no dicionário do Vascão há tempos.
‘O GRUPO ESTÁ FECHADO COM O RENATO!’
A pressão sobre o técnico Renato Gaúcho atingiu o nível máximo após a derrota para o Bragantino, principalmente depois que ele não apareceu para a entrevista coletiva. A torcida, com razão, questionou. Mas Léo Jardim fez questão de blindar o comandante e dividir a culpa com o elenco, como um verdadeiro capitão.
“Em relação ao Renato, a gente está fechado com ele. A gente tem responsabilidade nos resultados, e acho que hoje foi uma resposta muito positiva do grupo”, cravou o goleiro. Essa é a postura que queremos ver! Jogador que assume a responsabilidade, que não joga a culpa no colo do treinador e vai pra guerra junto com ele.
A vitória contra os argentinos foi, nas palavras de Jardim, uma “resposta positiva do grupo”. Que essa resposta continue ecoando no domingo, porque o Campeonato Brasileiro é a nossa verdadeira guerra. É hora de seguir trabalhando com os pés no chão para buscar mais uma vitória.
APOIO TOTAL A BRENNER, APESAR DO PÊNALTI PERDIDO
Ah, Brenner… O que falar do nosso atacante? Mais uma vez, a chance de ouro esteve nos seus pés, em uma cobrança de pênalti. E mais uma vez, a bola não entrou. As vaias e as críticas da torcida são compreensíveis, a paciência tem limite. Mas dentro do grupo, a história é outra.
Léo Jardim saiu em defesa do companheiro, mostrando a união do elenco. “O Brenner é um cara que todo mundo gosta muito dele ali no grupo, é um cara muito querido por todos, e a gente sabe que as coisas vão melhorar pra ele”, afirmou, numa demonstração de liderança.
O goleiro ainda reforçou que o apoio é geral. “Ele tem que continuar trabalhando, a gente passa confiança pro jogador, o Renato também faz questão de passar essa confiança”. Que essa confiança do grupo se transforme em gol, Brenner! A torcida vascaína sabe ser paciente com quem demonstra raça. Queremos ver essa fase ruim acabar.
O ALÍVIO NA SULA E A LUTA NO BRASILEIRÃO
A vitória por 3 a 0 foi linda, mas não podemos nos iludir. Ela serviu para estancar a sangria de três derrotas seguidas e acalmar um pouco os ânimos. Mas a nossa realidade dura e crua está no Brasileirão, onde estamos a míseros dois pontos da zona de rebaixamento.
Jogadores como Brenner, Lucas Piton e Saldivia foram alvos de protestos, junto com o próprio Renato. A pressão é gigantesca. A vitória na Sul-Americana foi um passo, mas a caminhada para tirar o Gigante da Colina dessa situação incômoda é longa e árdua.
A fala de Léo Jardim soa como um pacto. Um pacto de união, de responsabilidade e de trabalho. Que não fique só no discurso. Que a gente veja essa raça e essa união em cada dividida, em cada metro do campo. O Vasco é coisa séria, e o povo cruzmaltino estará, como sempre, apoiando até o fim. Vamos subir, Gigante!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.