A HISTÓRIA SE REPETE? O que as pausas da Copa dizem sobre o futuro do Vascão

Na zona de rebaixamento, o Vascão busca inspiração no passado. De Leandro Amaral a Maxi López, as pausas da Copa sempre mudaram nosso destino. Será que a história se repete?

Renato Gaúcho em Vasco x Barracas Central — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O Gosto Amargo da Zona de Rebaixamento

Mais uma vez, o torcedor vascaíno vai amargar uma pausa no calendário com o coração na mão. O Gigante da Colina entra neste período de recesso afundado na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A 17ª posição, com míseros 20 pontos, é um soco no estômago de quem nunca abandona.

Sob o comando de Renato Gaúcho, o time vem de três derrotas seguidas que acenderam todos os alertas em São Januário. A sensação é de deja-vu, de um filme que já vimos e não queremos rever. Mas, se tem uma coisa que o povo cruzmaltino aprendeu é que o Vasco é feito de reviravoltas. Essa parada não é para descanso, é para guerra. É a chance de corrigir a rota, trazer reforços que honrem a camisa e acordar quem está dormindo em campo.

A história mostra que essas interrupções por causa de Copa do Mundo são um divisor de águas para o nosso Almirante. Olhar para o passado não é só para sofrer com as lembranças, mas para buscar um sinal, uma esperança. Vamos mergulhar no que aconteceu com o Vascão nas últimas pausas de Mundial na era dos pontos corridos.

2006: A Quase Glória e a Travessão Maldita

Na Copa da Alemanha, em 2006, o cenário era parecido. O Brasileirão parou na 10ª rodada com o Vasco na 14ª posição, somando 13 pontos, a apenas três do Z-4. O técnico? O mesmo Renato Gaúcho de agora. O medo era real, mas o que se viu na volta foi uma das arrancadas mais espetaculares da nossa história recente.

Publicidade

O time engrenou de uma forma impressionante no segundo semestre. Jogo após jogo, o Gigante subiu na tabela e chegou à última rodada brigando por uma vaga na Libertadores. A classificação estava em nossas mãos. Precisávamos de uma vitória simples contra o Figueirense, fora de casa.

Mas o destino, ah, o destino vascaíno… O jogo terminou 0 a 0. Aos 47 minutos do segundo tempo, a bola da glória caiu nos pés de Leandro Amaral. Sozinho, ele chutou e a bola explodiu no travessão. O sonho da América morreu ali, no poste. Terminamos em 6º lugar, com 59 pontos, vendo o Paraná ficar com a nossa vaga. Uma história de quase, tão típica do nosso Vascão.

2010: Do Inferno do Z-4 ao Renascimento

Se em 2006 foi por pouco, em 2010, antes da Copa da África do Sul, o cenário era de terra arrasada. O campeonato parou na 7ª rodada e o Vasco estava enterrado na 19ª posição, com apenas cinco pontos. O caos era total. Celso Roth, que havia chegado para o lugar de Gaúcho, simplesmente nos abandonou no meio do caminho para aceitar uma proposta do Internacional. Uma facada nas costas da torcida.

A desconfiança era gigantesca. Mas na volta do Mundial, com Paulo César Gusmão no comando, a mágica aconteceu. O time foi outro. A diretoria acertou em cheio nas contratações: chegaram Eder Luis, o maestro Felipe e Zé Roberto, que se juntaram a um Carlos Alberto inspirado.

Publicidade

A qualidade técnica mudou da água para o vinho. O time que lutava para não cair começou a sonhar com Libertadores. A arrancada não foi suficiente para o G4, mas terminamos o Brasileiro em um honroso 11º lugar, garantindo vaga na Sul-Americana de 2011, que viria a ser o embrião da conquista da Copa do Brasil.

2014: O Acesso Amargo na Série B

Ver o Brasil sediar uma Copa do Mundo enquanto o Vasco amargava a Série B foi uma das maiores dores da nossa história. Na pausa do calendário, na 10ª rodada, nossa situação era apenas mediana: ocupávamos a 6ª posição da segunda divisão.

O time era recheado de nomes de peso, como Kléber Gladiador, Douglas e o raçudo Guiñazu. A expectativa era de um acesso tranquilo, com sobras. Mas a realidade foi dura. O time nunca engrenou. A temporada se arrastou e o retorno à elite veio de forma melancólica.

O acesso foi selado com um empate em 1 a 1 contra o Icasa, no Maracanã. E a resposta da torcida foi clara: vaias. Muitas vaias. Não pela vaga, mas pela falta de brilho, pela falta de raça. Terminamos em um modesto terceiro lugar, atrás de Joinville e Ponte Preta. Para piorar, na volta da Copa, ainda fomos eliminados pelo ABC na Copa do Brasil. Um ano para esquecer.

Publicidade

2018: A Salvação Argentina e a Dança dos Treinadores

O ano da Copa da Rússia foi a definição de turbulência. Dentro e fora de campo. Zé Ricardo começou o ano, mas pediu demissão pouco antes da pausa, deixando o time no 11º lugar com 16 pontos. Parecia uma posição confortável, mas era o início do caos.

Jorginho foi contratado, durou apenas dez jogos e foi demitido em agosto. Depois, vieram Alberto Valentim e o auxiliar Valdir Bigode. Uma dança das cadeiras que quase nos custou a permanência na elite. A luta contra o rebaixamento foi até o último suspiro.

E a salvação veio de uma contratação feita justamente na pausa para o Mundial: Maxi López. O argentino chegou, vestiu a camisa e chamou a responsabilidade. Com 7 gols e 5 assistências em 19 jogos, ele foi o herói improvável que nos carregou nas costas e evitou o pior. Terminamos em 16º, com 43 pontos, por um triz.

E Agora, 2024? Qual Será o Nosso Destino?

A Copa do Catar em 2022 foi no fim do ano, quando já tínhamos garantido nosso sofrido acesso contra o Ituano. Agora, a situação é diferente. Estamos de novo com a corda no pescoço e com Renato Gaúcho no comando, assim como em 2006. Teremos uma arrancada heroica ou o travessão nos espera de novo?

Precisaremos de um salvador como Maxi López em 2018? Ou de um renascimento coletivo como o time de 2010 com Felipe e companhia? O passado nos dá lições, mas não respostas. A única certeza é que a torcida vascaína estará lá, como sempre esteve. Agora é hora da diretoria trabalhar e dos jogadores mostrarem por que vestem essa camisa. O Vasco é coisa séria. Vamos, Gigante!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.