A NOITE SECRETA que custou uma Copa a Renato Gaúcho e a lealdade de um rival

Há 40 anos, nosso técnico Renato Gaúcho foi cortado da Copa de 86 por Telê Santana. A história envolve uma fuga, um rival e um ato de lealdade inesquecível.

Figurinhas Leandro Renato Copa 1986 — Foto: Reprodução

O Início de Tudo: Uma Noitada em BH

Todo torcedor do Vasco conhece a alma guerreira e, por vezes, indomável do nosso comandante, Renato Gaúcho. Mas nem todo mundo sabe da história que, 40 anos atrás, definiu seu destino na Seleção Brasileira e custou-lhe a chance de brilhar na Copa do Mundo de 1986, no México. Uma história de rebeldia, amizade e as consequências de desafiar o lendário e rígido Telê Santana.

Aconteceu durante a preparação para o Mundial. O Brasil estava concentrado na Toca da Raposa, CT do Cruzeiro, em Belo Horizonte. Renato, então um jovem de 23 anos e grande destaque do Grêmio, e seu parceiro Leandro, ídolo do Flamengo com 26 anos, decidiram que a noite de domingo merecia mais do que as paredes da concentração.

A dupla escapuliu para curtir a noite belo-horizontina. Segundo as reportagens da época, foram vistos em uma casa noturna e só retornaram por volta das 3h30 da madrugada. O plano, talvez, fosse pular o muro, mas a realidade foi outra.

“Ele Não Conseguia Pular o Muro”: A Versão de Renato

Anos depois, em uma entrevista ao podcast “Casão Pod Tudo”, do ex-jogador Casagrande, nosso técnico contou a sua versão dos fatos, com a sinceridade que lhe é característica. A verdade é que a volta não foi nada discreta.

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“Eu fui carregar nosso parceiro Leandro pelo portão da frente porque ele não estava conseguindo pular o muro, e o segurança notou o horário”, confessou Renato. A dupla teve que conversar com os vigias, e o que era para ser um segredo virou uma bomba-relógio.

No dia seguinte, a informação chegou aos ouvidos de Telê Santana, que tinha uma regra clara: qualquer deslize de horário deveria ser reportado. A fúria do treinador foi imediata. Ele queria cortar os dois ali mesmo, na hora.

A Fúria de Telê e a Intervenção dos Craques

O vestiário pegou fogo. Craques como Zico, Sócrates e Falcão entraram em cena para acalmar os ânimos e tentar salvar a pele dos companheiros. A pressão dos líderes do grupo fez Telê recuar da ideia de um corte imediato. Uma reunião foi feita.

“Fizemos uma reunião, e ele (Telê) disse que não ia nos cortar”, relembrou Renato. Mas o nosso técnico, esperto como sempre, sentiu que a promessa tinha um asterisco. “Pensei que no próximo corte ia ser a gente. ‘Ele te perdoou, ele te perdoou’, disseram. Eu sabia que não ia ficar. Ele tinha que cortar alguém, e eu dei a brecha”.

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Renato estava certo. Quando a lista final dos convocados para a Copa do México foi divulgada, em maio de 1986, o nome dele não estava lá.

Um Gesto de Lealdade que Atravessou a Rivalidade

A história poderia terminar aqui, com a punição de Telê. Mas ela ganhou um capítulo de lealdade impressionante. Leandro, o companheiro de noitada, estava na lista final. Contudo, ao ver que seu amigo havia sido cortado, ele se sentiu culpado.

No dia da viagem da Seleção para o Mundial, Leandro tomou uma decisão drástica: desistiu de ir à Copa do Mundo. Ele não se sentia bem em ir sabendo que o parceiro havia ficado para trás por causa de uma aventura que fizeram juntos.

A comoção foi geral. Zico e Júnior, dois gigantes da história do futebol, correram até a casa de Leandro, na Fonte da Saudade, Zona Sul do Rio. Foram 40 minutos de conversa, tentando convencê-lo a mudar de ideia. Não adiantou. A lealdade de Leandro ao amigo foi mais forte que o sonho de disputar uma Copa.

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Os Destinos Depois da Polêmica

Renato Gaúcho só foi disputar uma Copa do Mundo em 1990, sob o comando de Sebastião Lazaroni. Sua participação foi breve: entrou nos minutos finais da dolorosa eliminação do Brasil para a Argentina. Foi seu único jogo naquele torneio.

Leandro, por sua vez, jamais voltou a vestir a camisa amarelinha. Aposentou-se cedo, em 1990, com apenas 31 anos, por conta de problemas crônicos no joelho. Aquele gesto de amizade foi seu último ato pela Seleção.

Hoje, no comando do nosso Gigante, vemos em Renato a mesma personalidade forte. Um líder que valoriza a lealdade e que, mesmo tendo pago um preço alto, nunca deixou de ser quem é. É essa fibra que esperamos que ele imprima no nosso Vascão, na busca pelas glórias que nossa torcida tanto merece.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.