A Bomba que Faltava: Dono da Crefisa e 777 Negociaram o Vasco em Segredo
Parecia que já tínhamos visto de tudo nessa novela chamada SAF do Vasco, mas a cada dia que passa, um novo capítulo surreal vem à tona. A verdade, torcedor vascaíno, é que enquanto a gente sofria na arquibancada e se preocupava com o futuro do Gigante, uma trama era tecida pelas nossas costas. Documentos de um processo judicial acabam de revelar que a 777 Partners, aquela mesma que prometeu mundos e fundos, estava em reuniões secretas para vender o nosso clube para José Roberto Lamacchia, o dono da Crefisa.
Isso mesmo que você leu. A revelação veio de onde menos se esperava: de uma ação de cobrança. O escritório Campos Mello Advogados, que prestava serviços para a 777, está cobrando na Justiça uma dívida de aproximadamente R$ 740 mil dos americanos. E para provar o trabalho feito, o que eles anexaram ao processo? Um relatório detalhado das atividades, incluindo conferências e reuniões realizadas entre março e maio de 2024 com um único objetivo: discutir a venda da nossa SAF para o Lamacchia.
A Trama Secreta: Josh Wander e Lamacchia Cara a Cara
A gente aqui, na nossa humilde condição de torcedor que vive e respira Vasco, fica imaginando a cena. De um lado, os executivos da 777, desesperados com a casa caindo nos EUA. Do outro, o poderoso dono da Crefisa, de olho no maior patrimônio do povo. E no meio, o nosso Vascão, sendo tratado como moeda de troca.
O relatório do escritório de advocacia é um soco no estômago. Ele detalha um encontro crucial no dia 10 de maio de 2024. Uma reunião que durou longas 2 horas e 50 minutos e contou com a presença de ninguém menos que Josh Wander, o chefão da 777 Partners; Nicolas Maya, que na época sentava no Conselho de Administração da nossa SAF; e o próprio José Roberto Lamacchia. O Vasco associativo, o verdadeiro dono do clube, sequer foi chamado para o café.
Segundo os documentos vazados na ação judicial, os temas da conversa eram explosivos:
- A situação caótica da 777 por conta das notícias na imprensa e do processo nos EUA.
- Como esse processo poderia afetar a Vasco SAF (como se já não estivesse afetando!).
- A oferta de Lamacchia para comprar o controle do nosso futebol.
- A contratação de advogados para uma potencial ação judicial movida pelo CRVG (eles já sabiam que o Gigante ia acordar!).
A ironia do destino? Cinco dias depois dessa reunião, em 15 de maio, a Justiça fez o que deveria ter sido feito há muito tempo: suspendeu o contrato da 777 e devolveu o controle da SAF para o Vasco de verdade, o clube associativo. Um sopro de esperança em meio ao caos.
O Fator Leila Pereira e o Acordo que Melou
A história fica ainda mais rocambolesca. Mesmo depois de o Vasco retomar o controle, uma nova reunião ocorreu em 20 de maio. A 777, já afastada, ainda tentava articular a venda para Lamacchia. Mas havia um problema, um grande problema com nome e sobrenome: Leila Pereira.
Os documentos citam a necessidade de buscar “alternativas, considerando a posição de Leila no Palmeiras”. Para bom entendedor, meia palavra basta. A esposa de Lamacchia é presidente de um rival, o que geraria um conflito de interesses gigantesco e, convenhamos, inaceitável. O acordo, que financeiramente parecia próximo, não avançou por causa disso. O nosso Vascão, mais uma vez, no meio de uma disputa que não era nossa.
E Agora? O Filho de Lamacchia na Jogada
Aqui a história dá um salto confuso, mas vamos aos fatos que constam na reportagem original. O texto do GE afirma que “dois anos depois da negociação fracassada com José Roberto Lamacchia, o Vasco agora conversa com o filho do empresário, Marcos Lamacchia, para vender a SAF”. Sim, a negociação foi em maio de 2024, mas o tempo parece correr diferente nos bastidores do futebol.
Deixando a matemática de lado, o fato é que o nome Lamacchia continua em pauta, mas agora com o filho, Marcos. A apuração indica que existe confiança em um acordo próximo. As partes estão na fase de ajuste fino dos contratos para assinar o tal Memorando de Entendimento (MoU), que é o primeiro passo oficial para selar a intenção de compra.
O Silêncio da 777 e a Posição do Vasco
Enquanto tudo isso vem à tona, a 777 segue fazendo o que faz de melhor: dar calote. O processo do escritório de advocacia é a prova disso. Eles não apenas cobram os R$ 740 mil, como pedem à Justiça que essa dívida fique registrada nas ações da SAF, temendo que os americanos vendam tudo e sumam sem pagar ninguém.
O Club de Regatas Vasco da Gama, por sua vez, soltou uma nota oficial afirmando que não comenta documentos de terceiros e que qualquer negociação seguirá todos os protocolos de governança e segurança. É o mínimo que se espera. Depois de tudo que passamos, a palavra de ordem é cautela.
A verdade, torcedor, é que essa revelação só confirma o que já sentíamos na pele: a 777 nunca esteve realmente comprometida com o projeto de reconstrução do Gigante. Fomos apenas mais um ativo em seu portfólio, negociado em salas fechadas sem o menor respeito pela nossa história e nossa torcida. Que essa nova fase, seja com quem for, traga parceiros sérios e que entendam: o Vasco é coisa séria, o Vasco é do povo.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.