O Adeus de uma Promessa que Não se Cumpriu
É isso, torcedor vascaíno. Chegou o dia 30 de junho, e com ele o ponto final em uma das novelas mais frustrantes dos últimos tempos em São Januário. Matheus França, o meia que chegou cercado de uma expectativa gigantesca, encerra hoje seu contrato com o Vasco da Gama. O vínculo de empréstimo termina, e o jogador, que já nem vinha treinando com o elenco, se despede pela porta dos fundos do Caldeirão.
Lembro como se fosse ontem, em agosto do ano passado, quando anunciaram sua chegada. Vindo do Crystal Palace, da Inglaterra, mas com o DNA formado no nosso maior rival. A desconfiança inicial logo deu lugar à esperança. Afinal, a contratação foi descrita como uma das mais unânimes dentro do nosso departamento de futebol. A diretoria acreditava, a comissão técnica acreditava e nós, o povo cruzmaltino, compramos o barulho.
Expectativa Gigante, Realidade Cruel: Os Números da Decepção
A gente sonhou com um camisa 10 que faria a diferença, que honraria o peso da nossa Cruz de Malta. A realidade, no entanto, foi um balde de água fria. Os números são a prova do tamanho da frustração: em quase um ano de clube, Matheus França entrou em campo apenas 27 vezes com a nossa camisa.
Desses 27 jogos, ele foi titular em míseros quatro. Em outras 23 oportunidades, saiu do banco de reservas, quase sempre sem conseguir mudar o rumo das partidas. E o gol? Apenas um. Um único gol, marcado contra o Audax Italiano, do Chile, pela Copa Sul-Americana. Foi pouco, muito pouco para quem chegou com status de solução.
O Peso da Camisa e a Mente: O Que Deu Errado em São Januário?
Nos bastidores, a conversa é que a falta de ritmo de jogo e, principalmente, o fator mental, pesaram contra o jogador. A pressão de vestir o manto sagrado do Gigante da Colina não é para qualquer um. Matheus França sentiu. As lesões que ele sofreu na Inglaterra antes de chegar aqui também não ajudaram, mas a esperança era que ele engrenasse.
Para piorar, ele desembarcou em um dos momentos mais turbulentos do clube, naquela sequência terrível de sete derrotas em oito jogos no Brasileirão. Como um jogador, já pressionado, poderia brilhar no meio do caos? É uma pergunta difícil. Os relatos da época eram unânimes: potencial ele tinha, mas em campo, a coisa simplesmente não acontecia.
Até o Ídolo Pediu Paciência: ‘É um Jogador de Muito Potencial’
A situação era tão clara que até o nosso ídolo e presidente, Pedrinho, veio a público em março para fazer um apelo à torcida vascaína. Foi um pedido de quem ainda acreditava, de quem via nos treinos um talento que não se traduzia nos jogos.
“O Matheus França, que foi muito elogiado por vocês (quando contratado), a gente pede para o torcedor um apoio para o Matheus, é um jogador de muito potencial”, disse Pedrinho na ocasião. Nós ouvimos. Nós tentamos. Mas o futebol, às vezes, é ingrato. A paciência tem limite, e o desempenho nunca veio.
Nem Diniz, Nem Renato: As Oportunidades que Escorreram pelos Dedos
Passaram técnicos, e a história foi a mesma. Com Fernando Diniz, a expectativa de recuperação existia, mas nunca se concretizou. A imagem que fica é a do empate por 0 a 0 com o Nova Iguaçu, pelo Carioca, quando ele foi titular e acabou substituído no intervalo após uma atuação completamente apagada. Depois disso, só entrou mais uma vez com Diniz, contra o Mirassol. A chegada de Johan Rojas na janela de transferências selou seu destino no fim da fila.
Veio Renato Gaúcho, um treinador que o conhecia bem dos tempos de Flamengo, onde foi responsável por sua transição para o profissional. A esperança se renovou. ‘Agora vai!’, pensamos. Não foi. Com Renato, foi titular em um único jogo, no empate sem gols com o Barracas Central, na Argentina, quando o time principal foi poupado. Foi mais uma chance desperdiçada.
Um Único Brilho no Meio da Escuridão
É preciso ser justo. Houve um momento, um único lampejo de brilhantismo. Foi na virada épica por 2 a 1 sobre o Audax Italiano, no Chile. Matheus França entrou no intervalo e mudou o jogo. Foi dele o gol da vitória, seu único pelo Vascão. Na comemoração, o semblante de alívio, a emoção à flor da pele. Ali, todos nós pensamos: ‘Enfim, ele acordou!’.
Foi um alarme falso. Um oásis no deserto. Nos jogos seguintes do Brasileirão, ele sequer foi aproveitado. Sua última aparição foi na derrota por 2 a 1 para o Olimpia, no dia 20 de maio. Depois disso, sumiu. Nos últimos dois jogos do Brasileiro, nem no banco de reservas foi relacionado. Um fim melancólico.
Alívio no Caixa: A Saída Abre Espaço para o Vascão se Reforçar
Se em campo a passagem foi um fracasso, fora dele a saída de Matheus França representa um alívio. O jogador tinha um dos maiores salários do elenco, com o Vasco arcando com 100% dos vencimentos. A dispensa desse custo abre um espaço importante no orçamento do clube para buscar reforços que, esperamos, cheguem com vontade de honrar nossa camisa.
A história de Matheus França no Vasco é um conto de advertência. Sobre expectativas, sobre pressão e sobre como o futebol é muito mais do que apenas talento. É preciso ter raça, é preciso ter mente forte. É preciso entender o que significa ser Vasco. Que venham outros. Que venham guerreiros. O Gigante da Colina segue em frente, como sempre.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.